31 de julho de 2025

Maranhão.

Dirigente nacional do PSDB critica Governo e o PT, em artigo; Madeira faz exposição sobre o início e o atual momento do Governo, mas diz que a política resolve.

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(Brasília-DF, 29/06/2005) A Política Real teve acesso a artigo do deputado Sebastião Madeira(PSDB-MA), presidente do Instituto Teotônio Vilela, ITV, em que ele faz uma análise sobre o momento político, faz uma panorâmica do Governo, desde de seu início, comenta a falta de jeito para ação do PT e aliados e fala que tudo se resolve com a boa e velha política.

 

 

Confira o artigo do parlamentar maranhense, na íntegra:

“A dignidade da Nação será resgatada

Quem assistiu à festa da posse do presidente Lula, em 2003, nem de longe imaginaria que, passados dois anos e meio, tantas nuvens pesadas pairassem sobre a paisagem política brasileira.Até nós da oposição ficamos como que imobilizados diante daquele mar vermelho que se espalhava pelo Brasil em apoio ao novo presidente da República. Por menor e mais justificada que fosse, qualquer crítica ao governo Lula podia ser considerada crime de lesa pátria.

E tinha razão de ser, aquela euforia. Afinal, 53 milhões de brasileiros tinham acreditado que a chegada do PT ao poder significaria o resgate da histórica dívida social do nosso país, o cumprimento de uma pregação de 20 anos, como Lula passara a campanha afirmando. Para decepção e tristeza de todos os brasileiros, não durou muito a euforia.

 

 

Primeiro, foi a inépcia. A política econômica, extremamente conservadora, com juros altíssimos, enges sou os setores produtivos. Os programas sociais não deslancharam e hoje já quase nem se ouve falar deles. O programa Fome Zero - apresentado na campanha como panacéia contra os males da miséria - mereceu apoio quase unânime no Congresso Nacional e recebeu recursos que passavam do bilhão e meio de reais. Perdeu-se no cipoal da incompetência. O governo do PT transformou a máquina administrativa num aparelho partidário, onde o principal requisito de acesso não é o currículo, mas a carteirinha de militante. No Instituto do Câncer, na Embrapa, em vários ministérios, pipocavam problemas provocados por dirigentes cujo mérito maior era a militância petista.

 

 

O mais grave veio um pouco depois. O principal assessor do principal ministro do governo Lula, com assento na ante-sala do presidente, foi flagrado extorquindo dinheiro de um bicheiro. Nestes dois anos e meio de governo Lula, esporadicamente, surgiram outras notícias de maus feitos. A base governista, no mais das vezes, conseguiu abafar. Até que a fervura foi demais e não deu para esconder tanto escândalo. Um diretor dos Correios, indicado pelo PTB, partido da base aliada, foi flagrado recebendo propina de R$ 3 mil como quem pega troco na banca do peixe. Irritado, o aliado divulgou o método nada ortodoxo usado pelo PT para garantir apoio na Câmara: a compra de deputados em prestações mensais...

 

 

Não deu mais para segurar as CPIs. As nuvens pesadas da desconfiança jogam sombras sobre todas as instituições. O Congresso Nacional, principalmente, tem que apurar tudo e punir os vendidos e os compradores. O tempo perdido não se pode recuperar. A situação econômica mundial nunca foi tão favorável ao Brasil como nestes dois últimos anos. Não houve uma única crise internacional. O governo do PT e de seus aliados não soube, porém, aproveitar a onda. Pelo contrário, garroteou a economia, promoveu superávit maior até que o exigido pelo FMI. Essa oportunidade não será resgatada.

 

 

Mas a dignidade da nação, a credibilidade das instituições podem e vão ser recuperadas. Vam os investigar a fundo e punir quem merecer punição. A corrupção nos Correios, o mensalão e as relações de Waldomiro Diniz com os bicheiros.

 

 

E não venham os governistas falar em complô das elites para interromper o mandato do presidente Lula. Se há alguém feliz com o governo Lula são as elites. Os bancos nunca lucraram tanto como agora. Só o que cresce no Brasil são as grandes empresas.

 

 

Depois de convencer o povo, durante a campanha eleitoral, de que iria acabar com os privilégios e fazer "um país de todos", Lula governa para uns poucos. Na área econômica, mantém os privilégios do grande capital. No Congresso junta-se ao que há de pior na política brasileira. E reclama quando se descobre que o rastro do mau cheiro leva à cúpula do governo e do partido do governo.

 

 

Repito: o tempo perdido não se recupera. A dignidade e a credibilidade da nação serão resgatadas pela boa política.”

 

 

 

 

*Sebastião Madeira é deputado federal pelo Maranhão e presidente do ITV

 

 

( da redação com informações da Agência Tucana)