31 de julho de 2025
ECONOMIA

Resultado primário ficou com déficit de 59,1 bilhões; mercado estimava resultado primário em déficit de R$ 58 bilhões

O crescimento real das despesas primárias em julho de 2025 foi motivado, principalmente, pelo pagamento da torre de precatórios

Por Política Real com assessoria
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Veja o comparativo Foto: Imagem do resultado primário

(Brasília-DF, 28/08/2025) Na tarde desta quinta-feira, 28, como já era previsto a Secretaria do Tesouro Nacional divulgou o resultado primário do Governo Central,  O mercado estimava déficit de R$ 58 bilhões

Em julho de 2025, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 59,1 bilhões, acima do observado no mesmo mês de 2024 (R$ 8,9 bilhões, em termos nominais) e da mediana das expectativas da pesquisa Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda (R$ 49,0 bilhões).

O resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central foi deficitário em R$ 16,4 bilhões, enquanto o da Previdência Social (RGPS) apresentou déficit de R$ 42,7 bilhões. Em relação a julho de 2024, o resultado primário decorreu da combinação entre o crescimento real da receita líquida (+3,9% ou R$ 7,6 bilhões) e o aumento das despesas totais (+28,3% ou R$ 57,4 bilhões).

Em julho de 2025, a receita líquida apresentou crescimento real, impulsionado por aumentos de 5,8% nas Receitas Administradas pela RFB (+R$ 8,9 bilhões), 3,1% na Arrecadação Líquida para o RGPS (+R$ 1,6 bilhão) e 0,3% nas Receitas Não Administradas (+R$ 96,6 milhões). Entre os tributos administrados, destacaram-se o IRPJ (+R$ 4,1 bilhões) e a CSLL (+R$ 1,4 bilhão), cuja arrecadação conjunta foi favorecida pelo bom desempenho da estimativa mensal e do lucro presumido, além de pagamentos extraordinários por instituições financeiras. Também se destacaram a COFINS (+R$ 3,8 bilhões), impulsionada por setores específicos, e Outras Receitas Administradas (+R$ 1,2 bilhão), com alta na CIDERemessas ao Exterior e arrecadações em loterias e dívida ativa da CPMF. Em contrapartida, o IPI apresentou queda real de R$ 2,3 bilhões, resultado atribuído à redução na produção industrial, além de elevada compensação com sinal positivo em julho de 2024. Já a arrecadação líquida do RGPS foi favorecida pelo crescimento da massa salarial e do emprego formal, pela reoneração da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, além da alta no Simples Nacional previdenciário.

O crescimento real das despesas primárias em julho de 2025 foi motivado, principalmente, pelo pagamento da torre de precatórios, que impactou diretamente as rubricas de Sentenças Judiciais e Precatórios (+R$ 35,6 bilhões), Benefícios Previdenciários (+R$ 20,7 bilhões), Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 6,9 bilhões) e Benefícios de Prestação Continuada (+R$ 1,1 bilhão). No caso das sentenças e precatórios, o aumento decorre da execução concentrada de pagamentos judiciais. Já os benefícios previdenciários e os benefícios de prestação continuada foram pressionados não apenas pela incorporação de valores decorrentes desses pagamentos, mas também pelo reajuste real do salário mínimo e pela expansão do número de beneficiários. Por outro lado, apesar dos R$ 908,4 milhões pagos em julho de 2025 referentes a ressarcimento aos beneficiários do Regime Geral de Previdência Social por descontos indevidos, houve redução nas despesas com Créditos Extraordinários (-R$ 2,1 bilhões), em razão dos gastos realizados em julho de 2024 para enfrentamento da calamidade no Rio Grande do Sul. Também se observou retração nas despesas Obrigatórias com Controle de Fluxo (-R$ 1,8 bilhão), especialmente no programa Bolsa Família, e nas Discricionárias (-R$ 4,2 bilhões).

No acumulado de janeiro a julho de 2025, o Governo Central apresentou déficit primário de R$ 70,3 bilhões, frente a R$ 76,2 bilhões no mesmo período de 2024 (em termos nominais). O resultado deste ano conjugou superávit de R$ 176,1 bilhões do Tesouro Nacional e do Banco Central e déficit de R$ 246,3 bilhões na Previdência Social (RGPS). Em termos reais, a receita líquida acumulada cresceu 3,0% (+R$ 39,8 bilhões), enquanto as despesas aumentaram 2,0% (+R$ 28,5 bilhões).

A expansão da receita líquida nos sete meses acumulados foi impulsionada pelos aumentos de 4,9% nas Receitas Administradas pela RFB (+R$ 52,0 bilhões) e de 4,1% na Arrecadação Líquida para o RGPS (+R$ 15,2 bilhões). Entre as receitas administradas, destacaram-se: i) Imposto sobre a Renda (+R$ 24,1 bilhões), com crescimento expressivo do IRRF, especialmente nos rendimentos do trabalho e de residentes no exterior (+R$ 7,8 bilhões e +R$ 7,1 bilhões, respectivamente); ii) Outras Receitas Administradas (+R$ 13,4 bilhões), influenciadas pela alta na CIDE-Remessas ao Exterior e por arrecadação de R$ 1,8 bilhão em apostas de quota fixa; e iii) Imposto de Importação (+R$ 10,9 bilhões), refletindo aumentos no valor das importações em dólar, na taxa média de câmbio e nas alíquotas médias do tributo. O crescimento da arrecadação líquida para o RGPS foi favorecido pela expansão da massa salarial e do emprego formal, com destaque para os setores de serviços, indústria e construção, pela alta no Simples Nacional previdenciário, pela reoneração da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, além das compensações tributárias e da postergação de tributos para municípios em calamidade no RS. Por outro lado, as Receitas Não Administradas apresentaram queda de 4,8% (-R$ 9,7 bilhões), com destaque para a redução nos Dividendos e Participações (-36,3% ou -R$ 13,6 bilhões), devido à menor distribuição de lucros por parte da Petrobras (-R$ 9,1 bilhões) e do BNDES (-R$ 4,1 bilhões).

Entre janeiro e julho de 2025, o comportamento das despesas primárias foi marcado por acréscimos concentrados nas rubricas de Benefícios Previdenciários (+R$ 29,2 bilhões), Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 8,2 bilhões) e Benefícios de Prestação Continuada (+R$ 7,3 bilhões). Os dois primeiros foram impactados significativamente pelo pagamento da torre de precatórios, em cerca de 60% da variação observada, enquanto o terceiro sofreu pouca influência desse fator. Além disso, o aumento em Benefícios Previdenciários e Benefícios de Prestação Continuada também decorrem do reajuste real do salário mínimo e da ampliação do número de beneficiários. No caso de Pessoal e Encargos, o crescimento resulta ainda dos reajustes concedidos aos servidores civis do Poder Executivo, com efeitos financeiros iniciados em maio e pagamento retroativo ao primeiro quadrimestre. Por outro lado, destacam-se reduções nas rubricas de Créditos Extraordinários (-R$ 9,4 bilhões), em razão da ausência de novos eventos excepcionais como os registrados em 2024, e nas Despesas Discricionárias (-R$ 23,5 bilhões), principalmente nas funções Saúde, Educação e Demais

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)