31 de julho de 2025

Nordeste e o acordo Lula-PMDB.

PMDB divulga nota e confirma apoio à governabilidade; Renan disse que Temer não é o interlocutor certo para Lula.

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( Brasília-DF, 29/06/2005) Os líderes do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), e na Câmara, José Borba (PR), divulgaram nesta quarta-feira, uma nota em apoio à proposta feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por um pacto de governabilidade com mais cargos à legenda no primeiro escalão.

O documento foi assinado por 19 dos 23 senadores e por 52 dos 85 deputados do partido. Logo na abertura, o texto que vem com as assinaturas dos líderes das duas bancadas deixa claro que a maioria dos parlamentares do PMDB acatou a proposta feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira "de um pacto pela governabilidade, que inclui a participação do partido no governo, a elaboração de políticas públicas e a divisão de responsabilidade na gestão do país".

Suassuna foi enfático ao afirmar que o partido permanece unido e que a posição em prol da governabilidade foi acatada por unanimidade, sem que isso signifique ocupar mais cargos no governo federal. Suassuna foi enfático em dizer que, a oferta de ministérios depende do presidente Lula e que, caso isso aconteça, haverá uma nova discussão no partido. "Apoiamos a governabilidade sem a preocupação de termos mais ou menos cargos, não estamos nesse debate. O PMDB não tem chefe nem general, é um Partido exemplo vivo de democracia. Todos nós podemos expressar nossas opiniões. A maioria tomou a decisão, mas a minoria não é obrigada a segui-la", enfatizou o senador.

Sobre a possível aliança nas eleições 2006, Ney Suassuna declarou que isso não vai interferir na vontade do partido que é uma deliberação anterior e unânime. "O PMDB está brigando por três palavras: governabilidade, união do Partido e, se tivermos candidatos a altura, teremos candidatura própria", exclamou Suassuna.

Na nota o PMDB ainda reitera o compromisso em apurar todas as denúncias, objetos de CPIs constituídas pelo Congresso Nacional e de apoiar as "punição exemplar" dos eventuais culpados. "Queremos tudo apurado o mais rápido possível, para que os culpados paguem e o País volte à sua normalidade", finalizou o líder.

ALAGOAS - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que Lula ficou "feliz" com a demonstração de solidariedade e apoio que recebeu da maioria das bancadas do PMDB na Câmara e no Senado. Do almoço participou também o senador José Sarney (PMDB-AP).

Renan insistiu que o PMDB não recomendou nem deseja ampliar seu espaço no governo, mas lembrou que esta foi a sugestão dada pelo próprio presidente, que, no almoço, informou aos senadores que quer concluir a reforma ministerial o mais rapidamente possível. Lula não deu prazo para realizar as mudanças.

Segundo Renan, o apoio manifestado pelas bancadas do PMDB deu ao governo a tranqüilidade de que ele precisa para a governabilidade. "Se ele (o presidente) entender que precisa falar com o PMDB, vai nos chamar", disse o presidente do Senado, referindo-se à ala do PMDB que participa da governabilidade, deixando claro que, a partir de agora, o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), ficará fora das conversas.

Segundo Renan, o presidente também elogiou o fato de ele e Sarney terem tentado uma aproximação institucional com o governo. A partir de agora, a conversa entre as alas governista e de oposição do PMDB está encerrada.

( da redação com informações de agências)