Saudades do PT
Os ?companheiros? vestiram paletó e gravata, trocaram a cachacinha pelo uísque, o acampamento pelo gabinete refrigerado e o velho ônibus pelo carro preto importado com chapa colorida. Quando os governos, como o dos tucanos, vendiam o país, castravam direitos dos cidadãos, aumentavam impostos e praticavam, fomentavam ou ignoravam a roubalheira nacional, o PT brigava. E com essa briga, ao longo de vinte anos, obteve muitas vitórias e evitou muita coisa ruim nesse país. Era o único ponto de apoio do brasileiro na luta por um país sério, justo, solidário. Por isso era importante chegar ao poder para fazer tudo aquilo pelo que lutava. E com essa esperança, o povo o levou até lá. Encastelado no poder, o PT mudou de roupa e de identidade. E nesses pouco mais de dois anos só não foi um clone piorado dos que o antecederam porque não rouba. Embora também não demonstre muito entusiasmo pelo combate à corrupção e pela punição dos ladrões do dinheiro público. Prefere gastar à tripa forra o que amealha com a desumana carga tributária que impõe aos que trabalham no país. Com os demais partidos agarrados às tetas do Executivo, de onde saem empregos, verbas, impunidade e outras benesses, só resta ao brasileiro do Executivo reconquistar o PT dos velhos tempos, traze-lo de volta às ruas e praças, faze-lo vestir novamente o macacão do operário e brigar pela gente. E a única maneira de fazer isso é aproveitando as eleições do ano que vem para, através do voto, levar o PT novamente à oposição.
O lugar onde nasceu e de onde nunca deveria ter saído.
Não vai ter bolo nem festa no primeiro aniversário do projeto do deputado Chico Vigilante (PT) que proíbe a nomeação de parentes de deputados distritais para cargos na Câmara Legislativa de Brasília, na próxima semana. A proposta, como é óbvio, atolou antes de começar a andar.
Zelo
Justamente no dia em que mais uma brasileira morria na fila de um hospital público no Rio de Janeiro, à espera de atendimento, o ministério da Saúde contrata uma empresa para privada para prestar assistência médica e hospitalar aos seus dirigentes, funcionários e dependentes. .
Honrosa?
Os senadores Renam Calheiros e Ney Suasuna tiveram uma conversa reservada o seu colega Luiz Otávio (PMDB-PA), indicado pelo Senado para uma vaga no TCU e que, se aprovado pela Câmara e nomeado, não será empossado pelo Tribunal por não atender ao quesito ?reputação ilibada? exigido pela Constituição. Ele é processado por desvio de dinheiro público. Saída honrosa mesmo seria o Senado retirar a indicação, cassar o mandato dele e obriga-lo a devolver a grana.
Quase secreto
A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), sucessora do famigerado SNI, concedeu aos candidatos reprovados nos exames de saúde física e mental do seu último concurso para ?araponga? o direito a um recurso de revisão. Um detalhe publicou o edital no dia 29 de abril, sexta-feira. O prazo para requerer: terminou no dia 2 de maio, segunda-feira. Um aviso quase secreto.
Da honesta
O deputado Chico Floresta (PT) integra a reduzida bancada honesta na Câmara Legislativa de Brasília. O que não impediu que a empresa da mulher fosse contratada por R$ 616 mil para fazer um ?levantamento do perfil socio-econômico e demográfico? no entorno do Distrito Federal, sem concorrência. Pelo governo do DF numa das muitas operações em que o governo do DF usou como laranja o Instituto Candango de Solidariedade.
Mordomia
Foi de R$ 65 mil a ultima fatura da mordomia a bordo dos aviões da FAB usados pelo chanceler Celso Amorim em suas viagens, paga a uma empresa de comissaria de bordo de Brasília, sem concorrência.
Pauzinhos
O presidente do PT, José Genoíno, ameaçado de perder o lugar, foi, muito longe, juntamente com outros ?companheiros?, mexer os pauzinhos para se segurar no cargo. Num restaurante de Tókio, no Japão, enfrentando um lauto sushi.
É verdade.
É verdade que algumas das mulheres de ministros que ganham salários de marajá no governo petista fizeram concurso para ingresso no serviço publico. Mas nenhuma para os gordos empregos que ganharam e sim para cargos de modesta remuneração. É nepotismo mesmo.
No chinelo
Em matéria de endividar o país, o atual governo está deixando no chinelo o de Fernando Henrique Cardoso, que praticamente vendeu ou empenhou o país ao longo de oito anos. Só os três últimos empréstimos tomados no mês passado no exterior somam R$ 1,5 bilhão, dos quais US$ 572 milhões serão torrados no assistencialismo do bolsa-família.
Ministro
Até o final do seu mandato Lula deverá nomear mais três ministros para o Supremo Tribunal Federal. No Palácio do Planalto não há divida de que se os critérios forem os de competência e seriedade um deles será Álvaro Augusto Ribeiro da Costa, atual Advogado-Geral da União..
Só 147
Parece que o ministro Tarso Genro tirou o pé do acelerador. Em abril eles só reconheceu ou autorizou a criação de 147 cursos superiores no país. Em quatro meses já são 670.
Missão honrosa
O deputado Severino Cavalcanti, presidente da Câmara, liberou uma nova verba de R$ 857 mil para que os nossos deputados integrantes do Grupo Brasileiro da União Interparlamentar, possam continuar viajando às custas do contribuinte com a honrosa missão de ?manter contatos com os poderes legislativos de todos os países do mundo, buscando o desenvolvimento das instituições democráticas, a promoção da paz e a convivência harmoniosa entre os povos?. Logo depois deu mais R$ 800 mil para o Parlamento Latino-Americano, que faz mais ou menos a mesma coisa.
Dono do Mar
O ministro Gilberto Gil prorrogou até o final de dezembro o prazo para que os brasileiros tenham o privilégio de contribuir para a cultura nacional, às expensas do contribuinte, para a produção do filme ?O Dono do Mar?, baseado no livro homônimo de autoria do ex-presidente José Sarney. E aprovou, para receber apoio da lei Rounet, a realização da 1ª Mostra de Arte e Cultura de Quixeramobim ? QUIARTE.
Saúde
A prefeitura de Itapagé, no Ceará, não acaba com a tísica porque não quer. O ministério da Saúde acaba de mandar uma gorda verba de R$ 3.938,09, quase R$ 4 mil - para aquele município cearense com 44 mil habitantes. Gaste com o programa de prevenção e combate à tuberculose neste mês.
Aprende
Mais algumas apresentações em programas políticos de televisão e o guru de Boston, Mangabeira Unger, pretenso candidato do Partido Humanista da Solidariedade à presidência da República acaba aprendendo a falar português.
por Rangel Cavalcante
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