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  • Contato Brasil, 22 de fevereiro de 2024 04:51:20
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  • 12/02/2024 06h47

    INTERNACIONAL: Irã celebra 45 anos da Revolução Inslâmica com criticas a Israel e EUA; data se dá próximo de eleições nacionais quando se critica, também, os chefes do poder de hoje

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    Foto: Fatemeh Bahrami/picture alliance/Anadolu

    Milhões de iranianos compareceram às comemorações do 45º aniversário da Revolução Islâmica. Muitos entoavam gritos de "morte a Israel" e "morte à América"

    ( Publicada originalmente às 17h 30 do dia 11/02/2024) 

    Com agências

    (Brasília-DF, 12/02/2024) Neste 11 de fevereiro, domingo, se celebra na terra persa  os 45º aniversário da Revolução Islâmica no Irã, que estão sendo marcados por protestos contra Israel e os Estados Unidos e manifestações em defesa do povo palestino, incensadas pela guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas na Faixa de Gaza.

    Em Teerã o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, acusou Israel de cometer crimes contra a humanidade e "genocídio" em Gaza e exigiu que o país seja expulso da Nações Unidas. "Como pode um regime que violou 400 declarações e resoluções de organizações internacionais aderir aos acordos da ONU?", perguntou.

    "Acreditamos que um dos passos fundamentais que deveria estar sendo tomado seria a expulsão do regime sionista das Nações Unidas", afirmou, em discurso transmitido pela emissora estatal de televisão. Imagens da Praça Azadir, em Teerã, mostravam um desfile militar na capital, onde foram exibidos mísseis e drones de fabricação iraniana e outros equipamentos.

    Segundo a emissora, milhões de pessoas compareceram aos atos públicos deste domingo. Imagens mostravam multidões entoando gritos de "morte a Israel" e "morte à América" – manifestações bastante comuns nos eventos organizados pelo Estado para comemorar o aniversário da Revolução.

    O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, acusou Israel de cometer crimes contra a humanidade e "genocídio" em GazaEntre as pessoas que participaram em todo o pais estavam soldados, estudantes e clérigos, além de autoridades militares e políticas. Entre os manifestantes também estavam mulheres cobertas por trajes islâmicos pretos e crianças.

    Muitos carregavam retratos do líder supremo do país, o aiatolá Khamenei; do fundador da República Islâmica, o aiatolá Khomeini, e do general Qassem Soleimani, morto em um ataque americano em janeiro de 2020.

    "Eixo da Resistência"

    Desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou do poder a monarquia liderada pelo xá Reza Pahlavi, apoiado pelos EUA, o governo majoritariamente xiita do Irã adotou uma postura de confrontamento com Israel e os poderes ocidentais.

    As tensões aumentaram exponencialmente desde a deflagração da guerra em Gaza, após os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro do ano passado que mataram mais de 1,2 mil pessoas. Tel Aviv reagiu aos atentados com bombardeios intensos seguidos de uma ofensiva terrestre no enclave palestino. O Ministério da Saúde em Gaza afirma que, até o momento, mais de 28 mil pessoas morreram em consequência das agressões israelenses.

    O apoio à causa palestina se tornou um dos pilares da República Islâmica, desde sua fundação. O Hamas integra o chamado Eixo da Resistência, uma aliança regional criada pelo Irã que inclui ainda o grupo islamista Hisbolá, no Líbano; o governo da Síria, os rebeldes houthis no Iêmen e milícias xiitas no Iraque.

    Teerã afirma que cada membro da aliança age de maneira independente O país mantém sua posição de não interferir diretamente nas tensões em Gaza, exceto em caso de um ataque americano ou israelense ao país.

    Desde o início do conflito, milícias e grupos armados apoiados pelo Irã passaram a atacar alvos americanos e israelenses na região. Os EUA realizaram uma série de ataques nos últimos dias contra alvos na Síria e no Iêmen.

    Influência iraniana no Oriente Médio

    O Irã convive com pesadas sanções impostas pelos Estados Unidos desde a saída americana do acordo nuclear de 2018 negociado entre Teerã e o Ocidente. O pacto, abandonado pelos EUA durante o governo do presidente Donald Trump, previa uma redução do programa nuclear iraniano em troca do alívio das punições.

    Washington acusa Teerã de agir como facilitador dos ataques contra as forças americanas no Oriente Médio e de apoiar as investidas dos houthis a navios que utilizam a rota comercial marítima através do Mar Vermelho.

    Países do Ocidente também acusam o Irã de fornecer drones para a Rússia durante a guerra da Ucrânia e mísseis para grupos armados no Oriente Médio. O governo iraniano nega todas as acusações.

    As comemorações do 45º aniversário da Revolução Islâmica ocorrem a poucos dias das eleições legislativas, marcadas para 1º de março.

    Esta será a primeira votação nacional após a onda de protestos em larga escala em todo o país, desencadeada pela morte da jovem Mahsa Amini, de 22 anos, em 16 de setembro de 2022. Ela morreu sob custódia da polícia depois de ser presa por supostamente violar as rígidas leis iranianas sobre o uso do véu islâmico.

    'Não quero carregar rancor comigo'

    Quatro décadas e meia após a revolução que pôs fim ao governo do xá, a República Islâmica enfrenta um novo problema, já que alguns manifestantes gritam agora a favor dos reis Pahlavi.

    "Reza Xá, abençoe sua alma" e "Irã sem rei não tem razão" estão entre as palavras de ordem que foram gritadas recentemente.

    Além disso, alguns ex-revolucionários estão pedindo perdão.

    "É muito encorajador que as pessoas agora, apesar de anos de propaganda, entendam o que o rei fez pelo Irã", diz a ex-imperatriz Farah Pahlavi.

    "Muitos me enviam e-mails dizendo que participaram da revolução, mas agora se arrependem. Pedem-me que os perdoe."

    "E você os perdoaria?", questiona a reportagem da BBC.

    "Claro!", diz ela.

    "Porque não quero carregar rancor comigo."

     

    (da redação com Reuters, AFP e BBC. Edição: Genésio Araújo Jr.) 


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