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  • Contato Brasil, 19 de setembro de 2021 21:27:03
Magno Martins
  • 13/04/2021 09h46

    Miguel e Anderson com Bolsonaro

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    Miguel Coelho e Anderson Silva( Foto: Arquivo do colunista)

    (Recife-PE) Dos três pré-candidatos a governador em 22, Miguel Coelho (MDB), prefeito de Petrolina, e Anderson Ferreira (PL), gestor de Jaboatão, aparecem na linha de frente na ocupação estratégica do noticiário na mídia estadual. Também cotada para entrar na disputa, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), não revela disposição para o embate.

    Os que a conhecem e gozam da sua intimidade dizem, em off, que não será candidata em hipótese alguma, nem mesmo se o cavalo descer seladinho do céu para montar. Miguel e Anderson, a esta altura, embora não assumam, são vistos e apontados como alternativas bolsonaristas no Estado, ou seja, candidatos com plataformas e discursos em sintonia com o Governo do presidente da República.

    Bolsonaro, entretanto, vive um momento em baixa, de governo mal avaliado, envolto numa crise após outra, com índices apáticos nas pesquisas para entrar na disputa pela reeleição, tendo sido já, numericamente, ultrapassado pelo ex-presidente Lula. O cenário não é bom para apadrinhar ninguém. Miguel e Anderson sabem disso.

    Mas ambos não poderão fugir do vínculo por falta de alternativas. Lula, conforme este blog antecipou, ontem, é candidatíssimo numa aliança com o PSB, para arrastar em Pernambuco o desgastado Geraldo Júlio, o pior prefeito do Recife de todos os tempos. A polarização está latente, só não ver quem não quer.

    Como, a princípio, não há cenário para o desaguadouro de uma terceira via na disputa presidencial, restando, no momento, apenas a candidatura de Ciro Gomes, Miguel ou Anderson, seja qual for deles o candidato, terá que assumir o discurso, as propostas e as teses bolsonaristas, além de defender com afinco o Governo Federal.

    Nas entrevistas, nem Miguel nem Anderson têm agido assim. Receio de contaminação, aposta num cenário novo ou mesmo falta de coragem para assumir a defesa de um presidente enfrentando turbulências? Tem marqueteiro achando que não haverá a nacionalização da campanha. Posso até estar enganado, mas a campanha que se aproxima será plebiscitária: Bolsonaro ou mudança.

    Nem Miguel nem Anderson escapará deste alinhamento.

    Alinhamento – Por ser filho do líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, o pré-candidato do MDB, Miguel Coelho não escapará do casamento da sua candidatura com a de Bolsonaro. Anderson, por sua vez, não tem vínculo não forte, mas o seu partido, o PL, é carne e unha com o presidente, relação que tem como principal ator o presidente nacional da sua legenda, Valdemar Costa Neto. Sem mandato, como o presidente do PTB, Roberto Jefferson, Valdemar tem um naco grande no Governo Bolsonaro, sendo aliado fiel.

    No ataque – Lula voltou a ser o Lula verdadeiro, longe do estilo Lulinha, paz e amor. Ontem, destilou seu veneno contra o jornalista Merval Pereira, do jornal O Globo. "Uma parcela da imprensa, muito grande, contribuiu para que a gente chegasse aonde chegamos (no Brasil). Um jornalista como o Merval (Pereira), que dá palpite o dia inteiro, e fala bobagem o dia inteiro, tem responsabilidade com isso", atacou. Em seguida, irônico, insinuou que o comentarista é vaidoso e soltou um palavrão ao se referir à parte da imprensa que o desagrada.

    Fala muita m... – "Eu não vou citar mais nomes aqui, só o Merval, porque ele gosta que cite o nome dele. Mas tem muita gente que fala m... a vida inteira", acrescentou. Além de colunista de 'O Globo' e da rádio CBN, Merval Pereira é um dos principais comentaristas de política da Globonews e tem acesso direto aos Marinhos, donos do Grupo Globo. O jornalista já foi criticado também por Bolsonaro. Em suas participações nos telejornais da Globonews, o imortal da Academia Brasileira de Letras não economiza análises duras contra o atual presidente.

    Governadores – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), prepara uma consulta à Secretaria-Geral da Mesa para questionar se é possível a ampliação da abrangência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, a fim de incluir governos estaduais e municipais na investigação. O parecer da área jurídica servirá de base para Pacheco decidir se o Senado incluirá ou não nas apurações as condutas de governadores e prefeitos durante a pandemia. A dúvida principal deve-se a um trecho do regimento interno do Senado segundo o qual “não se admitirá comissão parlamentar de inquérito sobre matérias pertinentes aos Estados”, conforme consta do artigo 146.

    Mudanças climáticas – O Fórum Nacional de Governadores articula o envio de uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre as mudanças climáticas. A iniciativa é liderada pelo coordenador do grupo, Wellington Dias (PT), o governador do Piauí, e por Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo, entusiasta do tema. A peça, escrita com apoio do CBC (Centro Brasil no Clima), de instituições da sociedade civil, pesquisadores e cientistas, será enviada ao governo norte-americano até 20 de abril. No texto, os governadores brasileiros devem dizer a Biden que estão preparados para colaborar com os Estados Unidos para a preservação do meio ambiente no Brasil.

    CURTAS

    EMPREGOS – Das mais de 12 mil novas vagas de emprego criadas no Ceará em fevereiro, mais de 80% foram geradas por micros e pequenos negócios (MPE), com 9.961 vagas. Ao todo, no primeiro bimestre do ano, foram contabilizados 20.211 novos empregos formais pelos pequenos negócios. As informações são de um levantamento realizado pelo Sebrae, baseado nos dados do Caged, órgão do Ministério da Economia.

    ASSINATURAS – O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) conseguiu assinaturas suficientes para a abertura de uma CPI que investigue também estados e municípios em relação à gestão da pandemia. A ação é uma resposta da base de apoiadores do presidente Bolsonaro, que vem protestando pela ampliação das investigações desde o anúncio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), de que instalaria a CPI da Covid-19 a pedido do STF. Na prática, a mudança tiraria o foco do Governo Federal.

    Perguntar não ofende: Sem investigar os governadores e prefeitos que desviaram o dinheiro da Covid-19, para que servirá a CPI imposta pelo STF?