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  • Contato Brasil, 14 de novembro de 2019 02:28:13
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Jorge Henrique Cartaxo
  • 12/09/2019 10h53

    Desordem a caminho

    Bolsonaro, que sucede o hiato presidido por Michel Temer após a destituição de Dilma Rousseff, nunca indicou nada exatamente extraordinário

    Caos com violeta, por Irene Morak( foto: arquivo do colunista)

    Não há qualidade alguma na autoproclamada “esquerda brasileira”. Essa mesma que se diz proprietária da virtude, eventualmente existente em algum dos quatro cantos da  pátria. A  turma que chega ao poder com Lula, mancomunada com o que há e havia de pior no País, acelerou a degradação política e institucional que já vicejava antes da redemocratização em 1984.

    De Sarney ( 1985/1990 ) a Bolsonaro ( 2019/2022 ) só tivemos um governo ao qual podemos emprestar deferência e respeito: o de Itamar Franco ( 1992/1994 ), aquele mineiro honrado e simpático que gostava de pão de queijo,  de fusca e que viabilizou o Plano Real.  Fernando Henrique (1995/2002), essa mistura macunaímica de paulista com carioca num estilo francês, permanece um enigma a ser decifrado com uma curva enorme tendente ao mal.

    Bolsonaro, que sucede o hiato presidido por Michel Temer após a destituição de Dilma Rousseff, nunca indicou nada exatamente extraordinário, apesar do grande feito de ter banido o PT do Palácio do Planalto. Mesmo assim, seu ministério inicial sugeria uma muralha de prudência contra eventuais insanidades. Moro, os militares e a versão inaugural do poderoso ministro da Economia, Paulo Guedes, indicavam que haveria um refazimento ético e institucional na gestão pública brasileira.

    Em poucos meses uma nova realidade estabeleceu-se. Sérgio Moro e seu plano anticorrupção foram imobilizados. Órgãos de controle, fiscalização e investigação – Coaf, Receita Federal, Polícia Federal...-  estão sendo, paulatinamente, aparelhados perdendo suas funções de Estado. Os militares foram banidos e/ou silenciados. Paulo Guedes, o verdadeiro, mostrou a que veio: uma espécie de vendedor ambulante do fracassado neoliberalismo da escola de Chicago. Uma versão oficial de Silvio Santos do mercado a serviço das nossas “elites” atrasadas e escravocratas. Nada além!

    E mais: as gangues e as máfias de sempre  reagruparam-se mais fortemente. Numa aliança surpreendente com os  Bolsonaros, por inspirações e interesses diversos, o Congresso, o Supremo e a Justiça de um modo geral, blindaram-se e blindaram a corrupção. Imagine quando o crime organizado e o tráfico pularem – se é que já não o fizeram – para esse cinturão dourado. E como se fosse pouco, dia sim outro também, um Bolsonaro ocupa a mídia com declarações, mais do que estapafúrdias, assustadoras.  Na mais recente, o Carlucho nos informou que na democracia não “faremos as mudanças” no tempo devido.

    Teremos, sim, uma crise avassaladora em poucos meses. O que virá depois?