• Cadastre-se
  • Equipe
  • Contato Brasil, 14 de novembro de 2019 01:23:49
publicidade


Jorge Henrique Cartaxo
  • 28/08/2019 19h51

    Sob a fumaça

    Refazer a floresta, explora-la de forma inteligente e produtiva, fazer da sua riqueza algo para o Brasil, os brasileiros e a humanidade, sem chance!

    O Fogo, de Antonio Parreira( foto: arquivo do colunista)

    Um oceano de agressões e desinformações pautou o pobre debate sobre queimadas e preservação da Amazônia. Entre  deselegâncias, bravatas e fake news , nada restou de edificante e/ou esclarecedor. Antes um conjunto de suspeitas e temeridades.

    Pecuaristas, madeireiros, mineradoras e tráfico de drogas, sabemos, dominam a floresta amazônica. Não foi por acaso o silêncio dos governadores, senadores e deputados dos estados que integram a Região da Amazônia. Nem mesmo a Comissão da Amazônia da Câmara dos Deputados manifestou-se. Todo o “debate” ficou restrito aos ativistas, a alguns líderes europeus e o presidente Bolsonaro. No meio do tiroteio, a mídia adestrada cumpriu sua agenda de obviedades e alguns comentaristas emprestaram elegância acadêmica ao diálogo capenga, enquanto as redes sociais destilavam  notória ausência de conhecimento e prudência. Bestializados, como sempre, os brasileiros viram pelas telas a grande fogueira que consome, anualmente, parte da encantadora floresta.

    Quando as chuvas que se avizinham refrescarem as copas e o solo da verde mata, tudo será devidamente esquecido e o mar revolto do crime dará curso a seus negócios e interesses. Refazer a floresta, explora-la de forma inteligente e produtiva, fazer da sua riqueza algo para o Brasil, os brasileiros e a humanidade, sem chance!

    Somos e continuaremos sendo, ainda por muito tempo, a nação do atraso. Uma terra violenta, rude, áspera e implacável. Serviçais de uma “elite” intrinsecamente corrupta e criminosa que, há séculos, se aboletou na máquina do Estado transformando os autoproclamados brasileiros nos escravos da pós-modernidade. Aqueles sem eira e nem beira. Aqueles que nada valem para os poucos a quem servem.

    Enquanto a cloaca dominava o cenário político nacional e algumas vozes buscavam equilíbrio, preocupadas com o nosso destruidor agronegócio, li na National Geographic – por sugestão do querido César Benjamin – densa matéria sobre a sofisticada agricultura na Holanda. Para quem não sabe, aquele pequeno país europeu é o segundo maior exportador de alimentos do mundo, perdendo apenas para os EUA. E tudo graças a  pesquisas e  tecnologias de tamanha qualidade que seus produtos agropecuários praticamente não usam pesticidas ou antibióticos.  Já no bananal, na contramão do futuro, destruímos, queimamos, envenenamos e poluímos. E mais: implodimos nossos frágeis centros de pesquisas. Enquanto ali, do outro lado do atlântico, na pequena e húmida Holanda e seus canais, o futuro da agricultura  desenha-se com vigor e suavidade humana.