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  • Contato Brasil, 16 de setembro de 2021 22:32:36
Genésio Jr.
  • 20/06/2021 13h50

    As pessoas não vão esquecer!

    Bolsonaro mantém, para satisfação de seus apoiadores mais ferrenhos, a convicção da Fake News que espalhou ainda na primeira semana de junho

    Bolsonaro não está nem aí com os 500 mil( Foto: imagem de Twitter)

    (Brasília-DF)  O mal momento por que passa o Governo Bolsonaro obteve um estágio culminante nesse final de semana, precisamente nesse sábado 19 de junho.

    Justo no dia em que se realizaram mais de 4 centenas de eventos em mais de 400 cidades pelo Brasil e Mundo todos contrários ao Presidente da República e que, dessa vez, agregou adversários mais ao centro, e não só as esquerdas, veio a confirmação com números oficiais de que chegamos a 500 mil mortes por covid-19. Já se estima, infelizmente, que poderemos chegar a 700 mil mortes em outubro e nos transformarmos no recordista de perdas humanas na pandemia do covid-19.

    Foi uma conjunção negativa para o governo, pois não teve jeito, um mar de personalidades, políticos e autoridades de toda ordem se manifestaram em solidariedade às famílias enlutadas. Os adversários do governo aproveitaram para salientar o negacionismo do chefe de governo, apostas equivocadas em remédios sem resultado garantido e reprimendas pela não compra de vacinas em tempo certo.

    Os membros da CPI da Pandemia, da turma independente e de oposição, aproveitaram para suas críticas. Membro governista do colegiado, senador Marcos Rogério, demonstrou sua solidariedade em sua conta no Twitter. O ainda Embaixador dos Estados no Brasil, Todd Chapman, também se manifestou em solidariedade.

    Para completar, dando mais institucionalidade a este mal momento, todos os chefes de poder da República  emitiram notas ou declarações nas redes sociais.  Foi o caso de Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso Nacional, e Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados.  Fux destacou que a Suprema Corte vai estar ao lado em busca de soluções, Pacheco destacou o foco nas vacinas e Lira foi mais no humano, as perdas de vidas.

    O Presidente Jair Bolsonaro não se moveu a comentar a notícia mais triste da temporada que encerra o semestre, preferiu ironizar uma imagem de pequeno grupo de opositores de seu governo no Paraná, num dia frio de final de outono no sul do Brasil. Preferiu a guerra política do que um gesto institucional, ao menos.

    Bolsonaro mantém, para satisfação de seus apoiadores mais ferrenhos, a convicção da Fake News que espalhou ainda na primeira semana de junho, quando divulgou um falso parecer de auditor do Tribunal de Contas da União afirmando que nem metade das mortes por covid-19, em 2020, teriam de fato ocorrido provocadas pelo vírus.  Se o Presidente finca pé nessa tese ele, evidentemente, não confia nos dados que garantem que chegamos a mais de 500 mil mortes, meio milhão de pessoas.

    Estamos vivendo num país onde temos um chefe de Governo e de Estado que não coloca fé nas instituições que o garantem no poder. Infelizmente, essa uma triste realidade que temos que lidar.

    O mal momento por qual passa o Governo Bolsonaro, até por ciclos existem, não deve ser para sempre, momentos bons se espera, até porque todos estamos no mesmo barco, como ele já disse.  A economia deverá crescer, infelizmente não temos a mesma certeza sobre a geração de emprego, pois a pandemia desconfigurou muita coisa e os setores que prometem avançar não são geradores de muitas vagas formais ou não, mas algo deve melhorar com as pessoas vacinadas em grandes centros. 

    As pessoas, certamente, não vão esquecer momentos como esses de inegável indiferença com a sua dor. Isso não!

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    e-mail: [email protected]