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  • Contato Brasil, 04 de junho de 2020 01:27:30
Genésio Jr.
  • 29/03/2020 17h10

    Agora, é contar com o que nos une!

    Os governadores, prefeitos, Judiciário e o Congresso dão sinais que se uniram, de uma forma peculiar, para fazer o enfrentamento dessa crise sem dar muita bola para o chefe do Executivo

    O que nos une?!( Foto: Geledés)

    (Brasília-DF) A mais severa crise que a humanidade vive neste século 21 não se basta - a cada momento nos desafia. O que vem além Brasil nos obriga a pensar, sem parar. Tem gente se arriscando em dizer o que virá. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse no final de semana que avalia que em 4/5 meses o Brasil vai decolar. Tomara, falamos todo em uníssimo. Não é fácil acreditar.

    Mas no mundo do poder, aqui no Brasil, tivemos nesses últimos dias de março indicativos que se não bastasse o problemão do novo coronavirus temos um problema político que pode fazer a coisa ainda ficar pior. Está ficando  cada dia mais claro que o nosso presidente está mudando a cara do presidencialismo no país. Isso é grave num momento que talvez fosse melhor um líder mais centralizador.

    Os governadores, prefeitos, Judiciário e o Congresso dão sinais que se uniram, de uma forma peculiar, para fazer o enfrentamento dessa crise sem dar muita bola para o chefe do Executivo.  O Poder Executivo tem uma força muito grande no Brasil, mais que em várias outras democracias do chamado G-20, no entanto de uma hora para outra mesmo com a capacidade de fazer muitas coisas - emitir moeda, emitir títulos públicos, dar empréstimos, bancar empréstimos dados, fazer negociações, deixa de cobrar tributos, enfim, um cipoal de situações - a Presidência ficou menor!

    Todo mundo ouviu falar no pires na mão de todos vindo à Brasília pedir soluções, que não se poderia enfrentar por lá. Muita coisa mudou nesse nosso Brasil, mas em época de crise fiscal, até um dia desses talvez o nosso maior problema, que acabou virando pó - isso não deveria ter perdido importância.   O problema é que o nosso presidente da República tomou um rumo que complicou muito a cena nacional.  Desde  quando começou seu governo, a todo momento que ele ficava ruim das pernas, ele mobilizava uma turma boa, ou nas redes sociais ou nas ruas.  Com o isolamento ou restrições sociais impostas pelo Covid-19 ele ficou sem chão.

    O Presidente decidiu enfrentar o mundo todo, defender que não precisava essa de isolamento.  Ele está arriscando muito frente a essa posição, e tudo na base do se der deu: 1. O vírus ao se adaptar aos trópicos não fazer os estragos da Itália; 2. A cloroquina virar, mesmo, uma saída para a cura; 3. Surgir uma vacina.

    Bolsonaro é um homem sortudo, ninguém pode dizer que não. Chegou onde chegou numa situação pouco crível, mas chegou!  Agora, comandar um país da importância do Brasil frente a um momento deste tamanho contando só com o atávico, a sorte, é de uma imprevidência sem par.  Seus diletos apoiadores avaliam que sua aposta contra o isolamento social seria suficiente, mas o que se vê é que a doença ainda é um problema de classe média, basta ver os números. Detalhe: foi exatamente uma classe média que estava-por-aqui com os governos do PT que fez ele chegar onde chegou. Animou o grande público.

    Essa combinação de um presidencialismo vivendo dias inimagináveis, tendo pela frente a conta da sorte como a melhor orientadora  e uma classe média cheia de dúvidas se vale à pena, não nos permite imaginar que teremos dias melhores em meio ao pavor que essa doença começa a criar.

    Segundo os especialistas, viveremos no iminente abril momento dos mais difíceis.  Como parar o isolamento que atinge tanto a vida econômica justo no mês da agonia? O Governo pressionado pelo Congresso e emparedado pelo Judiciário tomou medidas, algumas, que são boas, mas será possível que elas funcionem rápidas como delas se exige?  Num momento de muitas dúvidas, precisamos que ao menos aquilo que une  os diversos lados do poder funcione!

    Vamos torcer que sim!

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    Email: [email protected]