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  • Contato Brasil, 05 de agosto de 2020 15:42:02
Genésio Jr.
  • 09/02/2020 12h59

    Antes tarde que nunca!

    O presidente Jair Bolsonaro depois de 13 meses e seis dias decidiu escolher um ministro nordestino: Rogério Marinho

    Rogério Marinho tem várias missões( Foto: arquivo Política Real)

    (Brasília-DF) Antes tarde que nunca! Diz a sabedoria popular.  O jornalismo não é afeito a convicções, a não ser que não devemos tê-las. Os fatos mostram isso.

    No Brasil, existe a velha tese dos dois Brasils, montada ainda nos clássico "Os Dois Brasis", de Jacques Lambert, e "Brasil Terra de Contrastes", de Roger Bastide. Os livros são do final dos anos 50 e dos anos 60 do século passado, porém só nos anos 70 foi montada a tese da Belíndia – a mistura de Bélgica e Índia. As coisas mudaram.

    Avalio, com tantos anos de Brasília, que existem vários Brasils. O Norte olha para a o Estado e diz: olha eu preciso de você!  O Nordeste diz para o Estado: não me larga, eu não vivo sem você!  O Sudeste diz ao Estado: vem aqui e acolá, mas só quando eu chamar, viu!  O Centro-Oeste diz a Viúva: “Me dê condições que eu me viro, Viúva!(sic)  O Sul diz: só quero que não me atrapalhe, Estado!

    Começamos destacando o antes tarde que nunca! O presidente Jair Bolsonaro depois de 13 meses e seis dias decidiu escolher um ministro nordestino: Rogério Marinho.

    Não foi pouca coisa. O potiguar Rogério Marinho que teve 3 mandados de deputado federal, já foi do PSB de Miguel Arraes e do PSDB de Fernando Henrique Cardoso; ganhou notoriedade por ter sido relator da reforma Trabalhista. Pagou caro por isso. Foi chamado de verdugo pela esquerdas. Pegou. Não foi reeleito. Virou um ministro sem pasta e foi decisivo na relação com o Congresso para a aprovação da reforma da Previdência. Agora, será o titular do Ministério do Desenvolvimento Regional.

    De uma hora para outra poderá virar um superministro nesse momento decisivo para o Governo Bolsonaro na relação com o Congresso e, na prática, para uma sociedade que vai bem além base eleitoral bolsonarista - nervosa e aguerrida.

    Rogério Marinho conhece o Nordeste, mas ao longo dos anos construiu um entendimento claro que Nordeste além de precisar do Estado tem condições, sim senhor, de ir além. Ele estará à frente das grandes obras hídricas, vai definir estratégias dos bancos públicos que atuam no Nordeste e Norte, vai trabalhar um novo programa habitacional que tem no Nordeste a maioria das demandas.

    Marinho, a partir de um certo momento, tende a ganhar mais poder ainda.  Os congressistas, agora com o orçamento impositivo para emendas estruturantes podem montar um modelo de desenvolvimento, coisa nunca vista.  A questão do São Francisco, com a transposição engenhando, tende a enfrentar um novo modelo de financiamento rural.  A expansão agrícola na região a partir de clusters, como Petrolina/Juazeiro, deixou de ser uma quimera nordestina.

    Os piauienses e maranhenses já começam a articular a navegabilidade do rio Parnaíba. O futuro relator geral do Orçamento 2021, senador Roberto Rocha(PSDB-MA) e o senador Ciro Nogueira(PP-PI) já conversam sobre o assunto.

    O presidente Jair Bolsonaro é muito mal avaliado no Nordeste. As pesquisas mostram que o chefe de governo chega a ser rejeitado por até dois terços dos nascidos na região onde surgiu o Brasil. Isso não pode dar certo. O passado recente diz que não adianta, especialmente para os que não conhecem a região,  ficar insistindo que tudo por lá se resolve com o Bolsa Família. Uma estultice.  A ex-presidente petista Dilma Rousseff passou três anos sem dar aumento para os favorecidos do programa. Michel Temer deu aumento acima da inflação, continuou mal avaliado. Bolsonaro deu 13º salário, continua mal avaliado na região!

    O Nordeste não é para qualquer um. O Brasil não é para qualquer um. Bolsonaro começa tarde a enfrentar os dilemas na importante região brasileira, que perdeu o trono de ser decisiva para eleger todos os recentes presidentes da República. O raio não cai no mesmo lugar outra vez, diz a sabedoria popular, também.  Bolsonaro precisar ter êxito em seu governo no Nordeste, especialmente se surgirem pretendentes ao Planalto não só vindos da região mas que saibam falar a linguagem que a região entende bem.

    Não se sabe se Rogério Marinho conseguirá ser esse achado que Bolsonaro precisa para a região, mas antes tarde que nunca!

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    Email: [email protected]