Nações Unidas estima que o mundo conta atualmente com 80 milhões de trabalhadores domésticos; 83,1% do total, não têm contrato formal, informa OIT
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(Brasilia-DF,29/10/2026) Nesta quinta-feira, 29, a Nações Unidas divulgou o seu relatório sobre o Estado do Trabalho Doméstico da Organização Internacional do Trabalho, OIT.
Um novo relatório revela que 83,1% dos trabalhadores domésticos no mundo continuam na informalidade. Seu salário equivale a cerca da metade do que é pago aos demais empregados.
Os dados são do informe sobre o impacto global lançado por ocasião do Dia Internacional do Cuidado e Apoio. O estudo retrata o cotidiano de milhões de pessoas que recebem para limpar, cozinhar e cuidar de outros lares e famílias.
O relatório aponta ainda que o mundo conta atualmente com 80 milhões de trabalhadores do ramo, num aumento em relação aos 75,6 milhões em 2019.
Essa alta, no entanto, segue a expansão geral do emprego global, mas conserva o trabalho doméstico em uma proporção estável na força de trabalho. O setor tem a informalidade como o seu maior obstáculo: cerca de 66,5 milhões de empregados domésticos, ou 83,1% do total, não têm contrato formal.
Lacunas salariais continuam expressivas
Essa realidade torna os funcionários desse setor duas vezes mais suscetíveis a precisar de proteção trabalhista e de segurança social eficazes, em comparação aos empregados de outros setores.
As disparidades abarcam um profundo fosso salarial: em média, um trabalhador doméstico ganha apenas 53,3% do salário mensal pago a profissionais exercendo outras tarefas.
Entre os informais, o valor despenca para 48,7%, sendo que as lacunas salariais significativas em muitos casos estão se alargando.
Quanto à sobrecarga de trabalho por semana, mais de um terço, ou 33% dos trabalhadores domésticos, cumpre jornadas de pelo menos 49 horas semanais. Quase 15% enfrentam jornadas de 60 horas ou mais em sete dias.
Brasil e o perfil das trabalhadoras
No Brasil, com uma legislação mais avançada, a informalidade persiste no setor que abriga um dos maiores contingentes de trabalhadores domésticos do mundo. Cerca de 6 milhões de pessoas são domésticos, em sua maioria mulheres negras.
A OIT sublinha a adopção no país da PEC das Domésticas Lei Complementar nº 150 e por ratificar a Convenção 189 da OIT em 2018.
Apesar dessas conquistas, que garantiram carteira assinada e limite de jornada, o Brasil tem uma informalidade de quase 70% dos trabalhadores do setor, e os rendimentos médios continuam significativamente abaixo das demais ocupações.
(da redação com informações da ONU News. Edição: Política Real)