31 de julho de 2025
MERCADOS

Economistas de mercado pessimistas avaliam que em 2027, PIB pode cair em R$86 bilhões e acrescentar 0,8 ponto à inflação

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Por Politica Real com agências
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Imagem da sede B3 Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 28/10/2026) O mercado, a Faria Lima, continua pessimista à espera de anúncios do Governo Federal ou por conta do anúncio de um futuro ministro da Fazenda que lhes seja simpático.

Chegou na redação da Política Real avaliações de economistas de mercado estimando PIB poderá ficar negativo. Cinco economistas estimam que avanço de 5% na inflação em 2027.

Veja avaliações que chegaram na redação:

"O FMI projeta expansão mundial de 3,4% em 2027, enquanto o Focus anterior à eleição indicava 1,31% para o Brasil, distância de 2,09 pontos percentuais.", Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest

       “Se o dólar e os juros ficarem nos níveis desta semana, o investimento produtivo deve praticamente parar de crescer em 2027. No segundo trimestre, o investimento em máquinas, equipamentos e construção cresceu 1,4% sobre o ano anterior. Com os juros futuros de longo prazo acima de 15% e o dólar perto de R$ 5,35, que encarece máquinas e insumos importados, a minha estimativa é de um crescimento entre zero e 1% no ano que vem, ou até de queda, se a incerteza se prolongar. O efeito sobre a economia aparece em duas frentes. O crescimento, que o mercado já projetava em 1,3% para 2027, pode ficar abaixo de 1%. E a inflação, em vez de cair, ganha um empurrão: pelas estimativas do próprio Banco Central, o dólar mais alto pode acrescentar entre 0,4 e 0,8 ponto ao IPCA do ano que vem, mantendo a inflação perto ou acima de 5% e o teto da meta fora de alcance até 2028. É o pior cenário possível: economia fraca e inflação alta ao mesmo tempo. A saída passa pelo fiscal. O país precisa de um superávit de cerca de 2% do PIB para estabilizar a dívida, mas não é preciso chegar lá de uma vez: o que o mercado precisa é de um caminho crível, com melhora de cerca de meio ponto do PIB por ano, definido em lei. A qualidade importa tanto quanto o tamanho. O ajuste deve vir da revisão de gastos obrigatórios e da redução de benefícios tributários, e não do corte do investimento público, que é o gasto que mais ajuda a economia a crescer. A Fazenda disse ontem que tem medidas prontas, e isso é um bom começo. Se elas forem anunciadas logo, junto com uma equipe econômica com credibilidade, o Banco Central pode voltar a reduzir os juros ao longo de 2027, e boa parte da queda desta semana pode ser recuperada. Se o anúncio demorar, o custo será pago em juros mais altos por mais tempo e em menos investimento”, afirma André Matos, CEO da MA7 Capital.

 

       “Encurtar o caminho entre vender e receber pode liberar recursos para investir mesmo com juros elevados. Em uma empresa hipotética com R$100 milhões de vendas anuais a prazo, reduzir o recebimento em dez dias libera aproximadamente R$2,74 milhões de capital de giro, considerando vendas uniformes ao longo de 365 dias. Se esse dinheiro substituísse financiamento a um custo efetivo de 20% ao ano, a economia seria próxima de R$548 mil anuais, antes dos custos de implementação. Esse ganho importa em uma economia na qual o comprometimento da renda com dívidas já limita o consumo, como apontou a Fazenda. Até 2028, integrar pagamentos, cobrança e análise de crédito pode financiar parte da modernização sem aumento proporcional do endividamento. A eficiência financeira não substitui a demanda, mas melhora o uso do caixa. No campo fiscal, estímulos amplos ao consumo precisam ser avaliados pelo risco de prolongar os juros altos e reduzir seu próprio benefício”, afirma Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

 

       "A diversificação internacional deve considerar os riscos globais, além das incertezas brasileiras. O FMI alerta para possíveis correções ligadas às expectativas sobre inteligência artificial, à alta dos rendimentos dos títulos públicos e a ataques cibernéticos. Ter ativos em dólar muda a composição do risco, mas não elimina a concentração em empresas ou setores. Em uma simulação, uma carteira com 30% do patrimônio exposto à moeda americana ganha aproximadamente três pontos percentuais com uma valorização cambial de 10%, mantendo constantes os preços dos ativos e desconsiderando custos e tributos; o movimento inverso também vale. Até 2028, uma melhora fiscal brasileira pode favorecer o real e reduzir esse ganho cambial, preservando a utilidade da diversificação para quem tem compromissos no exterior. A alocação deve combinar geografias, setores, prazos e liquidez, com decisões orientadas pelos objetivos patrimoniais", afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset

 

       “A reação ao resultado eleitoral elevou a percepção de risco, pressionando dólar, juros futuros e decisões de investimento. Se câmbio e juros permanecerem elevados em 2027, estimamos que o investimento produtivo privado cresça entre 2 e 4 pontos percentuais menos que em um cenário de estabilidade, retirando de 0,3 a 0,6 ponto percentual do crescimento do PIB. Embora a demanda mais fraca alivie os preços, a desvalorização cambial persistente poderia acrescentar de 0,3 a 0,7 ponto percentual ao IPCA acumulado até 2028. Para reduzir esse risco, defendemos uma melhora do resultado primário de 1 a 1,5 ponto percentual do PIB em dois a três anos, com controle das despesas obrigatórias, revisão de benefícios tributários ineficientes e preservação dos investimentos públicos de maior retorno. Um ajuste crível, sem depender apenas de impostos ou cortes indiscriminados, favoreceria a queda sustentável dos juros e a recuperação do investimento, especialmente no setor imobiliário, em que o custo do capital influencia lançamentos, obras, empregos e oferta de moradias”, afirma André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

 

       "A capacidade de produzir mais com os recursos disponíveis será decisiva para sustentar o crescimento brasileiro. O FMI projeta expansão mundial de 3,4% em 2027, enquanto o Focus anterior à eleição indicava 1,31% para o Brasil, distância de 2,09 pontos percentuais. Reduzir essa diferença exige investimentos que ampliem a oferta e comprovem eficiência. Em uma simulação, automatizar 25% de uma atividade que consome 20% das horas de uma operação economiza 5% das horas totais, antes dos custos de implantação. Esse é um critério concreto para avaliar tecnologia em um ambiente global de forte investimento em inteligência artificial. A política fiscal deve preservar infraestrutura e formação profissional, com incentivos avaliados por resultados. No venture capital, essa leitura orienta a seleção de startups que entreguem economia mensurável ao cliente, receita recorrente e crescimento com disciplina de capital", afirma Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest

 

       "Medir a exposição consolidada do patrimônio é essencial para transformar volatilidade em decisões consistentes. Em uma simulação, uma família com 20% da carteira efetivamente exposta ao dólar teria ganho cambial de aproximadamente dois pontos percentuais diante de uma valorização de 10% da moeda, mantendo constantes os preços dos ativos. Sem reunir informações de bancos, fundos e proteções, o investidor pode superestimar sua exposição ou contratar proteção duplicada. A inteligência artificial ajuda a organizar esse trabalho, mas exige governança de dados, avaliação de desempenho e supervisão humana, como orientam as práticas publicadas pelo Financial Stability Board em outubro. www.fsb.org Até 2028, seu ganho econômico deve aparecer na redução do trabalho operacional e na qualidade do acompanhamento patrimonial. Em um ambiente de incerteza fiscal e juros elevados, informações consistentes permitem atualizar cenários com agilidade, preservando a responsabilidade do profissional sobre as decisões”, afirma Flávio Terni, CEO da Revert.

 

       "O alongamento dos recebimentos pode aumentar a necessidade de financiamento mesmo sem expansão das vendas. Em uma simulação com volume diário constante, passar de 30 para 45 dias no prazo médio de recebimento eleva em 50% os recursos necessários para financiar esses recebíveis. A conta mostra por que liquidez e investimento precisam ser avaliados conjuntamente em um cenário de incerteza sobre juros, câmbio e demanda. No exterior, o FMI também identifica riscos associados aos conflitos, ao comércio e às vulnerabilidades fiscais. Para 2027 e 2028, fundos de crédito estruturado podem conectar poupança a operações produtivas viáveis, com análise dos recebíveis, diversificação e acompanhamento dos pagamentos. Um ajuste fiscal crível melhora as condições gerais, mas não substitui a seleção individual. A contribuição do mercado de capitais está em dar continuidade ao financiamento com prazos e riscos compreensíveis para empresas e investidores", afirma Valdir Piran Jr., CEO do Intra.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)