Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido
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Com agências
(Brasilia-DF, 20/07/2026) Na manhã desta segunda-feira, 20, o deputado trabalhista Andy Burnham tomou posse como primeiro-ministro do Reino Unido, substituindo o impopular correligionário Keir Starmer no cargo.
Assim como Starmer antes dele, Burnham herda um país em crise, com profundos problemas políticos, econômicos e sociais.
A transferência de poder ocorre apenas dois anos depois de Starmer ter liderado o Partido Trabalhista ao poder com uma vitória eleitoral esmagadora, encerrando 14 anos de governo conservador.
Após receber do Rei Charles 3° a incumbência de formar o próximo governo, Burnham, de 56 anos, começou seus primeiros compromissos oficiais na residência do governo britânico, o número 10 de Downing Street.
Em entrevista ao jornal The Times publicada no domingo, Burnham afirmou que deseja encerrar um ciclo de uma década de turbulência política que foi aberta pelo referendo do Brexit.
Burnham é o sétimo premiê do país desde a votação que iniciou o processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Na década seguinte, o país viu sua economia e influência internacional declinarem, com sucessivos líderes de governo fracassando em tentativas de reverter o quadro.
"O que temos feito não tem funcionado. É assim que vejo a situação", disse Burnham no domingo. "Vou tentar fazer as coisas de uma maneira diferente."
Segundo a equipe de Burnham, o novo premiê apresentará "prioridades para restaurar a confiança no governo e dar ao Reino Unido mais fôlego" em meio à crise do custo de vida. Espera-se que a promoção do crescimento econômico e a descentralização de poder para comunidades regionais também figurem entre as prioridades.
Ex-prefeito da Grande Manchester e apelidado de "Rei do Norte", Burnham viu o caminho ser aberto para o cargo de premiê após a renúncia de Starmer no mês passado, que ocorreu em meio a uma intensa pressão interna dentro do Partido Trabalhista pela sua saída.
Na semana anterior à renúncia de Starmer, Burnham havia vencido com folga uma eleição no distrito de Makerfield e assumiu um assento no Parlamento britânico. Com isso, o político de 56 anos cumpriu o pré-requisito fundamental para desafiar Starmer pela liderança do Partido Trabalhista e se tornar o novo premiê.
"Todos sentem que o país não está onde deveria estar", disse Burnham em junho, após sua vitória eleitoral. "Darei tudo de mim para garantir que o nome Makerfield seja para sempre sinônimo de promover a mudança que este país precisa, e de trazer de volta algo que perdemos: esperança, esperança no futuro."
Experiência consolidada
O carismático Burnham é considerado um dos nomes mais populares da ala de centro-esquerda do Partido Trabalhista, além de possuir vasta experiência na política nacional e regional. Ele foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Comuns do Parlamento britânico em 2001 e atuou como ministro adjunto do Interior durante o governo do trabalhista Tony Blair. Mais tarde, o primeiro-ministro Gordon Brown o nomeou ministro adjunto do Tesouro e, posteriormente, ministro da Cultura e, em seguida, da Saúde.
Burnham já havia concorrido à liderança do Partido Trabalhista em 2010 e 2015. Em 2017, deixou Londres para se tornar prefeito da Grande Manchester, uma região com cerca de 2,8 milhões de habitantes. Ele foi reeleito duas vezes, tendo recebido quase dois terços dos votos na eleição mais recente.
Durante a pandemia de covid-19, Burnham confrontou o primeiro-ministro conservador Boris Johnson, exigindo mais apoio para empresas e trabalhadores nas regiões afetadas pelos lockdowns – o que lhe rendeu o apelido de "rei do Norte".
A principal crítica de Burnham a Starmer diz respeito aos cortes nos benefícios sociais pelo atual governo. No entanto, ainda não está claro quais seriam suas prioridades políticas específicas e que medidas Burnham pretende implementar no lugar do premiê de saída.
Uma de suas maiores conquistas em Manchester é a expansão do transporte público acessível. Habitação e saúde pública também estão entre suas prioridades. Burnham se considera um defensor do "socialismo em prol dos negócios" e é um crítico do Brexit – o processo político que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia (UE). "Acho que precisamos transferir o que conquistamos na Grande Manchester para o nível nacional", disse ele à emissora britânica BBC em maio.
Garoto da classe trabalhadora do Norte
Burnham tem raízes profundas na antiga região industrial e de mineração do norte da Inglaterra. Nascido em 1970 em Aintree, perto de Liverpool, ele cresceu em Culcheth. Seu pai era técnico em comunicações e sua mãe, auxiliar de enfermagem. Aos 14 anos, profundamente influenciado pela greve dos mineiros de 1984-1985, se filiou ao Partido Trabalhista. Do período como estudante de inglês em Cambridge, relata às vezes ter se sentido um impostor.
Na década de 1990, fez parte do movimento musical e juvenil Madchester e, até hoje, continua sendo torcedor do Everton FC. É casado com uma holandesa, com quem teve três filhos. Em seu braço direito, tem uma tatuagem de uma abelha operária, símbolo de diligência e solidariedade após o atentado terrorista de Manchester, em 2017.
Burnham é atualmente um dos políticos mais populares, senão o mais popular, do Reino Unido, e é visto por muitos como a última esperança para conter a ascensão do populismo de direita do partido Reform UK.
( da redação com informações da DW. Edição: Política Real)