31 de julho de 2025
AGRO X MEIO AMBIENTE

Plenário do Câmara aprova mais poder ao Ministério da Agricultura sobre definição de espécies vegetais, animais, aquícolas, florestais; “a proposta quer tirar o poder dos órgãos ambientais”, dizem críticos

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Por Política Real com assessoria
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Deputado Penzetti, relator Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

(Brasília-DF, 21/05/2026) Nesta quinta-feira, 21, não foi dia só de sessão do Congresso Nacional.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei 5900/2025 que torna obrigatória a aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) ou do Ministério da Pesca antes da edição de qualquer norma federal com impacto sobre espécies vegetais, animais, aquícolas, florestais ou organismos usados em atividades produtivas. O texto, que inclui a regra na Lei da Política Agrícola, segue para o Senado.

O projeto, de autoria do deputado Pedro Lupion (PP-PR) e outros 10 parlamentares, foi aprovado conforme substitutivo do relator, deputado Pezenti (MDB-SC). O texto original estabelecia caráter vinculante expresso e ressalva às competências ambientais.

Segundo Pezenti, a proposta enfrenta um problema real e recorrente: a edição de atos normativos setoriais que, ainda que motivados por finalidades legítimas de proteção ambiental ou sanitária, repercutem de modo direto e por vezes desproporcional sobre cadeias produtivas inteiras, sem a necessária avaliação de seus impactos econômicos, produtivos e sociais; “proposta quer tirar o poder dos órgãos ambientais”, dizem criticos

"A fragmentação da atuação estatal, com diferentes órgãos editam normas sem articulação prévia, tem produzido efeitos sobre o setor produtivo: renovações de licenças ambientais mais difíceis; financiamentos e operações de crédito rural questionados por órgãos de controle; e empreendimentos sujeitos a restrições operacionais", afirmou.

Como exemplo, Pezenti citou a classificação de espécies como a tilápia, o tambaqui e o camarão cultivado, como de risco biológico ou potencialmente invasoras, sem coordenação interinstitucional e sem apreciação técnico econômica.

O relator reforçou que a manifestação do MAPA não exclui as competências dos órgãos ambientais e que a atuação deve ser de forma coordenada.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que a proposta quer tirar o poder dos órgãos ambientais de poder avaliar as políticas agrícolas.

"Tira o poder de municípios, estados, da Conabio [Comissão Nacional de Biodiversidade]. O MAPA participa da Conabio. Não se trata de excluir o MAPA, mas de ter uma visão que possa contemplar o conjunto da produção e a preservação ambiental", disse.

( da redação com informações da Agência Câmara de Notícias. Edição: Política Real)