31 de julho de 2025
JUROS

Mercado avalia Ata do Copom; Warren avalia que a ata foi mais “dura” que o comunicado

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Por Política Real com assessoria
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Imagem da capa da íntegra da Ata do Copom Foto: site do BC

(Brasília-DF, 05/05/2026) Nesta manhã, 05, os agentes de mercados começaram a divulgar avaliações sobre a íntegra da Ata do Copom.  A Warren Investimentos avaliou que a íntegra do Copom foi mais dura que o comunicado divulgado na semana passada ao final da reunião.

Veja a avaliação da Warren investimentos:

Efeitos de 2ª ordem do Conflito no Oriente Médio podem exigir mudanças nos planos

05/05/26

A ata teve tom hawkish, mais duro que o comunicado, e prepara o ambiente para uma revisão da estratégia atual. O Copom reconhece pontos importantes, como:

Desancoragem adicional das expectativas de inflação: reconhece que esse processo se tornou evidente, incorporando impactos de 2ª ordem do conflito no Oriente Médio, inclusive como a materialização de um dos pontos do balanço de riscos. Mantém o discurso de que, em ambiente de expectativas desancoradas, o Copom deve manter taxas mais altas por mais tempo.

Surpresas inflação corrente acima do esperado: reconhece que a inflação cheia e medidas subjacentes aceleraram e se distanciam do centro da meta. Mostram sinais claros de efeitos do conflito no Oriente Médio, com valores significativamente acima do esperado.

Efeitos de segunda ordem decorrentes do conflito: passaram a compor a redação do balanço de riscos, também sendo responsáveis pela desancoragem das expectativas por período prolongado. O Copom é duro nesse ponto e se compromete a combater esses efeitos, com serenidade para reunir mais informações.

Com essa ata, o Comitê evita a leitura de que o conflito no Oriente Médio poderia ser um choque temporário, no qual seria possível olhar através (look through), sem uma reação específica na política monetária. Reconhece que existem efeitos importantes de 2ª ordem e reforça o compromisso em combatê-los, mantendo o discurso de serenidade e de que reunirá informações ao longo do tempo.

 Na avaliação da Warren Investimentos, observamos um tom gradativamente mais duro. O comunicado foi classificado como entre neutro e hawkish, e avaliamos que uma abordagem diferente geraria uma tensão desnecessária no mercado. Já na Ata, o Copom eleva o tom, claramente hawkish, reconhecendo o cenário adverso e que deve, com serenidade, combatê-lo.

 A implicação direta da ata é que o cenário de cortes sucessivos de 25 pontos-base, levando a Selic ao final do ano para próximo de 13%, fica para trás. O tom da ata é compatível com menos cortes e uma interrupção mais cedo do ciclo de calibragem.

Avaliação do COPOM:

Cenário externo

Ressalta, assim como na ata anterior, a incerteza elevada que permanece em razão do conflito no Oriente Médio e da indefinição quanto à duração, à extensão e aos desdobramentos do conflito.

Cenário doméstico - Atividade econômica

Segue com a avaliação de que a atividade econômica apresenta sinais de arrefecimento, como antecipado pelo Comitê, chamando a atenção para o efeito da desaceleração dos componentes cíclicos, que já se faziam sentir ao final de 2025 e seguem presentes em 2026, por meio da desaceleração do saldo de crédito, em particular do crédito livre.

Cenário doméstico - Mercado de trabalho

A ata praticamente repete a redação anterior; a única alteração está na ênfase no fato de a taxa de desemprego se manter “recorrentemente” em patamares historicamente baixos, enquanto os rendimentos reais médios seguem com tendência de crescimento acima da produtividade do trabalho.

Cenário doméstico – Fiscal

Repete o parágrafo das últimas atas, no qual pontua o impacto da política fiscal no curto prazo, por meio de estímulos à demanda agregada, bem como sua dimensão estrutural, com efeitos sobre o prêmio a termo da curva de juros e a necessidade de uma política fiscal harmoniosa com a política monetária.

Balanço de Riscos

Evitou, mais uma vez, sinalizar uma alteração mais explícita do balanço de riscos, mas segue dando ênfase aos efeitos potenciais do conflito, com a materialização de alguns riscos, como a desancoragem adicional das expectativas, em especial em horizontes mais longos, e os efeitos potenciais de segunda ordem do choque de oferta de petróleo. Apesar dos riscos, ressalta, ao final, a “serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada”.

Cenário doméstico – Inflação

Dá maior ênfase ao efeito do conflito tanto sobre as expectativas, que passaram a apresentar desancoragem adicional, em particular para o ano de 2028, quanto sobre as leituras da inflação corrente, tanto para o consumidor quanto para o produtor, que apresentaram valores significativamente acima do esperado anteriormente.

Projeções de Inflação

A projeção de inflação para o horizonte relevante, que passou do 3º para o 4º tri de 2027, elevou-se de 3,3% para 3,5%, assim como os preços livres e administrados, que passaram de 3,3% e 3,2% para 3,5% e 3,6%, respectivamente.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)