31 de julho de 2025
ECONOMIA

Instituição Fiscal Independente faz projeções, com destaque para inflação e o PIB, após 6 semanas de guerra no Oriente Médio; confira

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Por Política Real com assessoria
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IFI divulga documento e faz alerta Foto: documento IFI

(Brasília-DF, 16/04/2026). Nesta quinta-feira, 16, o IFI (Instituição Fiscal Independente) divulgou o seu Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) nº 111 que tem como foco a “ Guerra com o Irã e seus impactos fiscais”.

Há mais de seis semanas, a economia mundial sofre os efeitos desse conflito, que afeta uma área expandida envolvendo Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Iraque, Kuwait e Líbano. O brusco aumento dos preços do petróleo, principal insumo ainda com capacidade de afetar a matriz energética global, as cadeias produtivas e os fluxos comerciais internacionais, lançou a economia em uma espiral de incertezas e temores. O salto da cotação do petróleo Brent, de US$ 71 para mais de US$ 100 o barril, acendeu a luz amarela sobre a possibilidade de um ciclo marcado por múltiplas consequências, como o aguçamento da inflação em escala mundial, a retração do comércio e da economia, o comprometimento das cadeias logísticas ou mesmo uma crise energética global persistente, a depender do nível de comprometimento da estrutura produtiva petrolífera do Oriente Médio.

O IFI fez várias avaliações de impacto, mas a Política Real destaca dois pontos. A inflação e o PIB. Confira:

Projeções

Impactos na inflação

Estabelecidas as trajetórias para o preço do petróleo, analisa-se o efeito sobre a inflação. A transmissão ocorre por canais diretos e indiretos, condicionada tanto ao nível do Brent quanto ao grau de repasse aos preços domésticos, em especial por meio do ajuste voltado à redução da defasagem dos combustíveis em relação aos preços internacionais.

O impacto direto concentra-se no preço da gasolina. Dada a defasagem em relação aos

preços internacionais, estimada pela Associação Brasileira dos Importadores de

Combustíveis (Abicom) em 54%, no início de abril, assume-se um reajuste formal da

Petrobras de 25% dos preços de venda nas refinarias, com o objetivo de reduzir essa

diferença. Essa hipótese busca ser consistente com a atual política comercial da estatal,

que não adota mais uma paridade estrita com os preços internacionais, buscando suavizar o repasse de choques externos de curto prazo ao consumidor doméstico. O impacto é calculado considerando o peso da gasolina no índice (5,24%) e a parcela da Petrobras no preço final (27%)

 O impacto indireto ocorre por meio do encarecimento do diesel e dos fretes, com disseminação ao longo da cadeia produtiva. Esse efeito é capturado por uma equação que relaciona a inflação de preços livres à inflação passada, às expectativas, à inflação importada (preços de commodities em reais) e à atividade econômica, seguindo a metodologia dos modelos de projeção do Banco Central .

Em ambos os cenários, as trajetórias para as expectativas de inflação, a taxa de câmbio e o hiato do produto seguem as mesmas hipóteses do cenário base - derivadas, respectivamente, do Boletim Focus, da paridade do poder de compra e da curva IS -, variando-se apenas o preço do petróleo, que constitui o principal fator de diferenciação entre os cenários. Utiliza-se o Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br), no qual as commodities de energia representam cerca de 30%, variando-se apenas o preço do Brent.

.No agregado, o efeito total sobre o IPCA de 2026 seria de +0,7 p.p. (no cenário de normalização) e +1,0 p.p. no cenário de persistência. Para 2027, estima-se efeito adicional de +0,2 a +0,5 p.p., refletindo a inércia do choque de 2026, sem a hipótese de novos reajustes da gasolina.

O exercício sugere, de forma implícita, que uma elevação de 10% no preço do Brent está associada a um aumento de cerca de 0,2 p.p. no IPCA. Esse resultado, contudo, depende das premissas adotadas e não deve ser interpretado como uma relação fixa, sendo sensível, entre outros fatores, ao grau de repasse aos preços domésticos e aos efeitos de medidas voltadas à estabilização do mercado de combustíveis.

Nesse sentido, a MP nº 1.349 ampliou a subvenção ao diesel e criou subvenção ao gás de cozinha (GLP), enquanto os Decretos 12.923 e 12.924 desoneraram PIS/Cofins sobre biodiesel e querosene de aviação. O efeito dessas medidas sobre o IPCA, via custos ao longo da cadeia produtiva, é difícil de mensurar.

Por fim, os resultados também não incorporam pressões adicionais associadas à interrupção no fornecimento global de fertilizantes, que poderiam afetar os custos agrícolas e a inflação em 2027.

Impactos no PIB nominal

Assume-se que o crescimento do PIB real permaneça constante em 1,7%, em 2026, e 2,0% em 2027, conforme o cenário base apresentado no já referenciado RAF nº107, de dezembro de 2025. Essa hipótese reflete um balanço aproximadamente neutro dos efeitos do choque em uma economia exportadora líquida de petróleo.

Por um lado, a elevação do preço do petróleo melhora os termos de troca, elevando a renda externa, a lucratividade do setor extrativo e a arrecadação. Por outro, esse efeito é compensado por fatores adversos, como a compressão da renda real das famílias, condições financeiras mais restritivas — com juros elevados por mais tempo — e o enfraquecimento da demanda externa. A OCDE11 destaca que a resiliência da economia global observada em 2025 vem sendo testada pelo conflito, com aumento de custos e redução da demanda.

Embora o exercício mantenha a hipótese de neutralidade para o PIB real em ambos os cenários, por simplificação, os riscos para a atividade são assimétricos e tendem para o lado negativo no cenário de maior persistência do choque. Um aumento prolongado dos preços do petróleo pode assumir características de um choque clássico de oferta, combinando maior inflação com menor crescimento, à medida que o aperto financeiro, a compressão da renda e o menor dinamismo global predominem sobre os ganhos de termos de troca.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)