CNI faz mobilização no Congresso contra redução da jornada de trabalho; veja a carta que está sendo distribuída
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(Brasília-DF, 14/04/2026) Nesta terça-feira, 14, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realiza uma mobilização para entregar cartas nominais aos 513 deputados federais e 81 senadores contra a redução da jornada de trabalho. No ofício, a instituição pede apoio aos parlamentares para que o Legislativo amplie o diálogo sobre os impactos que a mudança pode causar à economia, e para que o tema não seja votado em ano eleitoral.
"A CNI manifesta preocupação com a possibilidade de o Congresso Nacional decidir, em regime de urgência, propostas de mudanças na jornada de trabalho. Uma eventual redução da escala de trabalho terá impacto direto na competitividade do país, nos empregos formais e na produtividade das empresas brasileiras", destaca a carta, assinada pelo presidente da CNI, Ricardo Alban.
No ofício, entregue junto a um manifesto assinado pela CNI e mais de 800 instituições da indústria - entre as quais as 27 federações estaduais, 98 associações setoriais e 741 sindicatos industriais -, a Confederação destaca que os custos com salários podem aumentar em até R$ 267 bilhões caso o Congresso Nacional aprove a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas.
Só para a indústria, os custos com empregos formais podem subir em R$ 88 bilhões por ano. Já os preços para o consumidor tendem a ter alta média de 6,2%, com as compras em supermercado, por exemplo, ficando 5,7% mais caras.
"O Brasil e a indústria contam com Vossa Excelência para a manutenção dos empregos em nosso país", encerra o texto da CNI.
Veja a íntegra da carta:
Carta Circular nº 75/2026-Pres.
Brasília, 13 de abril de 2026.
Aos Senhores e às Senhoras Parlamentares
Congresso Nacional
Senhor(a) Parlamentar,
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifesta preocupação com a possibilidade de o Congresso Nacional decidir, em regime de urgência, propostas de mudanças na jornada de trabalho. Uma eventual redução da escala de trabalho terá impacto direto na competitividade do país, nos empregos formais e na produtividade das empresas brasileiras.
Nesse contexto, encaminhamos a Vossa Excelência o Manifesto da CNI “Escala 6X1: o Brasil precisa de mais competitividade, não de mais custos”, assinado em conjunto com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) e por mais de 800 entidades representativas do setor produtivo. O documento expõe, de forma objetiva, as razões pelas quais o setor industrial entende que a matéria não deve avançar sem debate técnico qualificado e sem análise adequada de relevantes impactos econômicos e sociais.
A preocupação é concreta. Os efeitos tendem a ser mais severos para as empresas de menor porte. Projeções da CNI indicam que a redução da jornada para o limite de 40 horas semanais, com manutenção dos salários, pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia. O impacto pode alcançar cerca de R$ 88 bilhões ao ano para a indústria, com efeitos relevantes sobre investimentos, emprego formal e capacidade de competir. Já os preços para o consumidor tendem a ter alta média de 6,2% – as compras em supermercado, por exemplo, devem ficar 5,7% mais caras.
Essa preocupação se torna ainda mais sensível em setores intensivos em mão de obra e marcados pela forte presença de pequenas empresas, como a indústria têxtil e de panificação – ambos segmentos de ampla capilaridade, grande relevância para o emprego e menor margem para absorver aumentos abruptos e generalizados do custo do trabalho. Também sob a ótica setorial e regional, os impactos são expressivos e foram estimados em até R$ 11,5 bilhões no Norte; R$ 34,3 bilhões no Nordeste; R$ 22,7 bilhões no Centro-Oeste; R$ 142 bilhões, no Sudeste; e R$ 54,7 bilhões no Sul.
A indústria brasileira reconhece a importância do aperfeiçoamento das relações de trabalho, mas entende que mudanças dessa dimensão não devem ser feitas sem análise técnica consistente, transição adequada e vínculo com ganhos reais de produtividade. Sem isso, a tendência é de aumento de custos, pressão sobre preços, desestímulo a investimentos e ampliação da informalidade.
Em ano eleitoral, esse cuidado deve ser ainda maior. Temas de forte apelo social exigem responsabilidade, avaliação de impactos e visão de longo prazo, para evitar decisões precipitadas e efeitos negativos sobre a economia. Por isso, a CNI pede a atenção de Vossa Excelência ao Manifesto e solicita que a matéria não seja deliberada, sem que sejam levadas em conta a realidade econômica do Brasil e as necessidades concretas das empresas que atuam em seu estado.
No Rio Grande do Sul, também subscreveram o Manifesto da CNI e da Federação das Indústrias do Estado do Acre as seguintes instituições:
1. ASSOCIAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE MÓVEIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - MOVERGS
2. SINDICATO DA INDÚSTRIA DA REPARAÇÃO DE VEÍCULOS E ACESSÓRIOS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - SINDIREPA - RS
3. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE ADUBOS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – SIARGS
4. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE FERRO, METAIS, CUTELARIA, USINAGEM, TORNEARIA, SOLDA E FERRAMENTAS EM GERAL NO ESTADO DE SÃO PAULO - SINAFER
5. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DE CAMPO BOM - SICCB
6. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DE ESTÂNCIA VELHA - SICEV
7. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DE IGREJINHA - SINDIGREJINHA
8. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DE NOVO HAMBURGO - SICNH
9. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DE PAROBÉ - SINDICAP
10. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DE SAPIRANGA - SICS
11. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DO ESTADO DO RS - SICERGS - ABICALÇADOS
12. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DO RS - SICERGS
13. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS, COMPONENTES PARA CALÇADOS DE TRÊS COROAS-RS - SICTC - ABICALÇADOS
14. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE CARNES E DERIVADOS NO ESTADO DO RS - SICADERGS
15. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE DOCES E CONSERVAS ALIMENTÍCEAS DE PELOTAS, MORRO REDONDO E CAPÃO DO LEÃO - SINDOCOPEL
16. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE ENERGIAS RENOVÁVEIS DO RIO GRANDE DO SUL - SINDIENERGIAS - RS
17. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - SINDILAT - RS
18. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS INDUSTRIAIS E AGRÍCOLAS DE NOVO HAMBURGO - SINMAQSINOS
19. SINDICATO DA INDÚSTRIA DE MINERAÇÃO DE BRITA, AREIA E SAIBRO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – SINDIBRITAS
34. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - SINDISCON - RS
35. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO RIO GRANDE SINDUSCON - RIO GRANDE
36. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE LAGOA VERMELHA - SICOM
37. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO, MOBILIÁRIO, MARCENARIAS, OLARIAS E CERÂMICAS PARA A CONSTRUÇÃO, ARTEFATOS E PRODUTOS DE CIMENTO E CONCRETO PRÉ-MISTURADOS DO VALE DO TAQUARI - SINDUSCOM - VT
38. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE ARTEFATOS DE COURO DE SÃO LEOPOLDO - SINDARTCOURO - SL
39. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE BIODIESEL E BIO COMBUSTÍVEIS DO RIO GRANDE DO SUL - SINDIBIO
40. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS DE DOIS IRMÃOS - SINCADI
41. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS DE NOVA HAMBURGO - SICNH
42. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS DE TRÊS COROAS - SICTC
43. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS E ARTEFATOS DE FARROUPILHA - SINDICALFAR
44. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DO NOROESTE DO RS - SINDUSCOM - RS
45. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DO VALES - SINDUSCOM - VALE
46. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE JOALHERIA E LAPIDAÇÃO DE PEDRAS PRECIOSAS DO NORDESTE GAÚCHO - SINDIJOIAS RS
47. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS NO RIO GRANDE DO SUL – SIMERS
(folha 6/7 da Carta Circular n° 75/2026-Pres.)
48. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE MÁRMORES, GRANITOS E ROCHAS ORNAMENTAIS DO RS - SIMAG
49. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE MATERIAL PLÁSTICO DO VALE DOS VINHEDOS - SIMPLAVI
50. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE MATERIAL PLÁSTICO NO ESTADO DO RS - SINPLAST - RS
51. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE OLARIA E DE CERÂMICA PARA CONSTRUÇÃO NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - SINDICER - RS
52. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE PANIFICAÇÃO, CONFEITARIA E DE MASSAS ALIMENTÍCIAS DO ESTADO DO RS - SINDIPAN - RS
53. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE PAPEL PAPELÃO E CORTIÇA DO RS - SINPASUL
54. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE VIDROS, CRISTAIS, ESPELHOS, CERÂMICA DE LOUÇA E PORCELANA NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - SINDIVIDROS - RS
55. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DO MOBILIÁRIO DE BENTO GONÇALVES - SINDIMÓVEIS
56. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DA ZONA SUL - SINDIVESTSUL
57. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - SIVERGS
58. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO E DO CALÇADO DO NORDESTE GAÚCHO - FITEMAVEST
59. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS GRÁFICAS DA REGIÃO NORDESTE DO RIO GRANDE DO SUL - SINGRAF
60. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METAL, MECÂNICAS E ELETROELETRÔNICAS DE CANOAS E NOVA SANTA RITA - SIMECAN
61. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE BENTO GONÇALVES – SIMMME
(folha 7/7 da Carta Circular n° 75/2026-Pres.)
62. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE SANTA MARIA - SIMMMAE
63. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO E ELETRÔNICO DE SÃO LEOPOLDO - SINDIMETAL - RS
64. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO E ELETRÔNICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - SINMETAL RS
65. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE CACHOEIRA DO SUL - SINMETEL
66. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE ARTEFATOS E DE CURTIMENTO DE COUROS E PELES DE NOVO HAMBURGO - SINDARTCOURO - NH
67. SINDICATO INTERESTADUAL DA INDÚSTRIA DO TABACO - SINDITABACO - RS
68. SINDICATO INTERMUNICIPAL DAS INDÚSTRIAS MADEIREIRAS, SERRARIAS, CARPINTARIAS, TANOARIAS, ESQUADRIAS, MARCENARIAS, MÓVEIS, MADEIRAS COMPENSADAS E LAMINADAS, AGLOMERADOS E CHAPAS DE FIBRAS DE MADEIRAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - SINDIMADEIRAS RS
69. SINDICATO PATRONAL DAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL EM CAXIAS DO SUL - SINDUSCON - CAXIAS
O Brasil e a indústria nacional contam com Vossa Excelência para a manutenção dos empregos em nosso país.
Atenciosamente,
Antonio Ricardo Alvarez Alban
Presidente da CNI
( da redação com informações da Ag. CNI. Edição: Política Real)