Relatório de Política Monetária aponta inflação em 3,9% e PIB em 1,6%, informa Banco Central; veja a íntegra do relatório deste primeiro trimestre
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(Brasília-DF, 26/03/2026) Na manhã desta quinta-feira, 26, como esperava o mercado, foi divulgado o Relatório de Política Monetária do primeiro trimestre de 2026. A inflação é projetada para 3,9% ao final do ano e o PIB é estimado em 1,6%.
O ambiente externo tornou-se mais incerto desde o Relatório anterior. O acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio teve reflexos nas condições financeiras globais, em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes.
No cenário doméstico, o crescimento da atividade econômica continua em trajetória de moderação, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025, abaixo do ritmo registrado entre 2021 e 2024, com arrefecimento dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico e da demanda doméstica. No mercado de trabalho, a taxa de desocupação continuou em queda, atingindo novo mínimo histórico, e os salários reais seguiram em expansão. A projeção de crescimento do PIB para 2026 permanece em 1,6%, mas está sujeita a maior incerteza diante dos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio.
A inflação ao consumidor, tanto a cheia quanto a subjacente, segue apresentando algum arrefecimento, mas permanece acima da meta de 3%. Na variação acumulada em doze meses, o IPCA recuou de 4,46% em novembro para 3,81% em fevereiro, e a média dos núcleos de inflação, de 4,73% para 4,46%. A inflação no trimestre ficou ligeiramente abaixo do cenário projetado no Relatório anterior, com surpresa de baixa concentrada em alimentação no domicílio. A inflação de serviços segue elevada, em contexto de mercado de trabalho aquecido e hiato do produto positivo, mas apresenta sinais de moderação em algumas métricas. As expectativas de inflação recuaram marginalmente para 2026, permanecendo acima da meta em todo o horizonte de projeção.
Nas projeções do cenário de referência, a inflação passa a subir até o fim de 2026, recomeçando trajetória de queda até o horizonte relevante, mas permanecendo acima da meta. Nesse cenário, que utiliza taxa Selic da pesquisa Focus e taxa de câmbio seguindo a Paridade do Poder de Compra (PPC), após finalizar 2025 em 4,3% a inflação acumulada em quatro trimestres cai para 3,6% no primeiro trimestre de 2026. Depois, apresenta trajetória de alta, em boa medida advinda do aumento dos preços do petróleo, terminando 2026 em 3,9%. A partir de então, volta a cair, chegando a 3,1% no último período considerado, referente ao terceiro trimestre de 2028. No horizonte relevante de política monetária, ou seja, o terceiro trimestre de 2027, a inflação projetada é 3,3%. As projeções de inflação representam a visão do Copom e são condicionais em um conjunto de variáveis, como as trajetórias da taxa Selic oriunda da pesquisa Focus e da taxa de câmbio baseada na teoria da PPC. Neste Relatório, utiliza-se o conjunto de informações disponíveis até a 277ª reunião do Copom, realizada em 17 e 18.03.2026.
Na comparação com o Relatório anterior, as projeções de inflação elevaram-se. No horizonte relevante de política monetária, considerado como sendo o terceiro trimestre de 2027, a projeção subiu 0,1 p.p. Entre os fatores que contribuem para a alta das projeções, destacam-se a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato. Por outro lado, a apreciação cambial e a queda marginal nas expectativas de inflação contribuíram para atenuar esse aumento.
O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.
O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
Veja AQUI a íntegra do relatório.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)