Mercado avalia a redução da taxa Selic para 14,75%
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(Brasília-DF, 18/03/2026) O mercado avaliou o resultado da reunião do Copom que reduziu a taxa Selic em 0,25%
Já era esperado que o BC condicionasse os passos futuros à evolução do conflito no Oriente Médio. Sem surpresas. A confirmação do forward guidance anterior, com um corte igual à mediana das expectativas, também agrada o mercado.
A leitura sobre inflação e atividade, no entanto, preocupa: ao ignorar as surpresas recentes, que foram relevantes, e se basear apenas nos dados anteriores. Essa visão pode ser interpretada como um excesso de otimismo e uma leitura dovish do BC.
A decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) veio em linha com as expectativas do mercado, mas reforçou um posicionamento mais cauteloso diante de um cenário ainda desafiador para a economia brasileira. A avaliação é de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
“Na minha visão, a decisão veio bem em linha com as expectativas, e o tom, também conforme o esperado por mim. Veio mais conservador, sinalizando preocupação com a inflação corrente, atenção ao fiscal e incluindo um tom mais explícito de cautela com o ambiente internacional, já dando destaque para os impactos da situação no Oriente Médio sobre as expectativas de inflação”, afirma.
Segundo o economista, o Copom deixou claro que os próximos movimentos dependerão fortemente da evolução de variáveis-chave, como inflação, câmbio e cenário internacional. Essa postura indica um Banco Central mais dependente de dados e menos comprometido com um ritmo fixo de cortes de juros.
“O comitê foi muito enfático ao deixar claro que os próximos passos do COPOM serão bastante sensíveis ao monitoramento de variáveis-chave, deixando ainda uma porta entreaberta para cortes de 25 pontos-base, mas também deixando implícito que em caso de uma deterioração adicional de expectativas de inflação, ou outro tipo de contaminação da economia brasileira que possa colocar os objetivos do BCB em risco, pode vir a pausar o ciclo”, explica.
Para a próxima reunião, a sinalização predominante é de um corte mais moderado, condicionado à estabilidade do cenário externo e doméstico.
“Na próxima reunião, deixou claro queda de 25 pontos-base, considerando a extensão do conflito sem grande deterioração adicional na taxa de câmbio ou choques de oferta nos preços de combustíveis no país. Ou seja, se o impacto dos preços do petróleo mais altos sobre o Brasil seguir administrável pelo governo”, destaca.
No curto prazo, o economista projeta impactos relevantes nos mercados financeiros, com viés mais negativo para ativos de risco.
“Espero amanhã as bolsas em queda, mais por conta do tom duro do FOMC, e também pelo viés conservador do COPOM, com dólar pra cima e podemos esperar também no dia de amanhã pressão altista nas curvas de juros.”
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No comunicado, o Comitê ressaltou a elevação da incerteza devido ao acirramento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e seu impacto na volatilidade de preços de ativos e commodities - notadamente o petróleo e seus derivados.
Do lado doméstico, destacou a percepção de que os dados referentes ao final de 2025 mostraram real desaceleração na atividade econômica.
O choque do petróleo fez as projeções de inflação se afastarem da meta no horizonte relevante, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos meses, e a questão agora fica sobre a duração do conflito e seus efeitos de médio prazo.
Mesmo assim o Comitê decidiu iniciar um ciclo de calibração dos juros, justificando que os juros altos proporcionaram evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. E aqui segue o que, em nossa visão, é o principal ponto do comunicado: a avaliação de que foram criadas condições para que ajustes no ritmo dessa calibração possam ocorrer para assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.
Isso significa que, caso o conflito seja duradouro e os preços das commodities se mantenham nos níveis atuais por um período prolongado, parar os cortes é uma possibilidade cabível. Mas caso os preços voltem na direção daqueles visto no fim de 2025, a possibilidade de aceleração do ritmo é bastante real. Tudo isso partindo do princípio de que não haverá outros choques que mudem a trajetória dos dados domésticos.
Ao reafirmar serenidade e cautela na condução da política monetária, o Comitê procura ganhar tempo para avaliar o que fazer a cada decisão, sem se comprometer com uma trajetória pré-definida, podendo considerar todas as novas informações presentes neste contexto de alta volatilidade.
Minas
Esperada há bastante tempo pelo setor de comércio e serviços da capital mineira, o anúncio da redução da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) combina alívio inicial e melhora na confiança na economia.
Na opinião do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, a redução da taxa de juros sinaliza um bom caminho para a retomada de investimentos, além da melhora no acesso ao crédito, aumento de capital de giro e disposição para consumo e investimentos. "Essa queda é um passo importante para retomarmos o fôlego do setor de comércio e serviços, fortalecermos a geração de emprego, renda e o consumo", afirma.
O dirigente explica que embora as expectativas de inflação ainda demandam atenção, o setor acredita que o ciclo de queda de juros deve ser lento e condicionado também ao cenário internacional. "O principal efeito inicial para o comércio ocorre por meio de expectativas, já que a sinalização da queda de juros tende a melhorar a confiança de consumidores e empresários na economia, favorecendo decisões de compra e planejamento comercial", disse. "Com o tempo, à medida que a redução da taxa básica de juros se transmite para as condições de crédito, há tendência de melhora no consumo, especialmente em produtos de maior valor e que dependem de parcelamento, como bens duráveis e semiduráveis. Esperamos que a queda dos juros seja contínua e acompanhada de ações que garantam previsibilidade e segurança ao empreendedor", completa.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)