Lula, em declaração à imprensa, defende a neutralidade do Canal do Panamá; veja a íntegra.
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(Brasília-DF, 28/01/2026). Ao final da agenda na Cidade do Panamá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que participou do Forum Econômico Internacional da América Latina fez uma defesa do Canal do Panamá.
“Na visita desta tarde, me impressionei com o salto estrutural, tecnológico e operacional dado desde 2012, quando vi as eclusas pela última vez.
O Canal também é referência em governança climática, com iniciativas inovadoras como a cota para navios que utilizam combustíveis sustentáveis.
Defender a neutralidade do Canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais.”, disse.
Confira o texto:
Agradeço ao presidente José Raúl Mulino pela calorosa recepção que tive aqui no Panamá.
Em menos de dois anos, esta é a 6ª vez que nos encontramos.
Isso é sinal do nosso compromisso em aprofundar vínculos econômicos e de cooperação entre nossos povos.
O Panamá é o principal parceiro comercial do Brasil na América Central.
Em 2025, tivemos um crescimento de 78% no intercâmbio bilateral.
Mas podemos alcançar patamares muito maiores.
Estamos dispostos a importar mais produtos panamenhos.
O acordo de facilitação de investimentos que assinamos hoje vai dinamizar o fluxo de comércio e capitais entre nossos países.
Avançamos nas tratativas sobre o acordo de preferências tarifárias que queremos firmar no amparo da adesão do Panamá como Estado Associado do MERCOSUL.
Assinamos instrumentos de cooperação em turismo e gestão portuária.
Tratamos da atualização de nosso acordo de serviços aéreos, para dar maior segurança jurídica ao transporte de cargas.
Também discutimos a conclusão do procedimento sanitário para a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil.
Como afirmei em Brasília durante a visita do presidente Mulino, nosso país apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o Canal.
Encaminhei ao Congresso Nacional brasileiro a proposta de adesão formal ao Protocolo de Neutralidade do Canal.
Há quase três décadas, o Panamá administra de forma eficiente, segura e não-discriminatória essa via fundamental para a economia mundial.
Na visita desta tarde, me impressionei com o salto estrutural, tecnológico e operacional dado desde 2012, quando vi as eclusas pela última vez.
O Canal também é referência em governança climática, com iniciativas inovadoras como a cota para navios que utilizam combustíveis sustentáveis.
Defender a neutralidade do Canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais.
Hoje tive também a honra de participar do Fórum Internacional América Latina e Caribe 2026.
Parabenizo a CAF e o governo panamenho pela organização desse grandioso evento.
Fóruns como esse nos mostram que, com diálogo e pragmatismo, é possível trabalhar em conjunto para alcançar objetivos compartilhados.
Nossa região detém amplo potencial energético, rica biodiversidade, água e recursos minerais abundantes.
Esses ativos estratégicos para a transição digital e a transição energética podem nos reposicionar nas cadeias globais de valor.
Infraestruturas integradas geram benefícios econômicos para todos.
Aumentar o comércio intrarregional fortalece cadeias produtivas e nos torna mais resilientes a choques externos.
Precisamos ser capazes de superar diferenças ideológicas em prol dos ganhos coletivos.
Desafios comuns, como o combate ao crime organizado transnacional, só podem ser enfrentados em cooperação internacional.
Por isso, é essencial fortalecer os foros de concertação latino-americanos e caribenhos.
Retorno a Brasília inspirado pela receptividade do povo panamenho e pelos avanços concretos que tivemos em nossa relação bilateral.
Saio também com renovada certeza de que a América Latina e Caribe são capazes de construir um projeto autônomo de inserção internacional.
Juntos, podemos impulsionar um novo ciclo de prosperidade para 660 milhões de latino-americanos e caribenhos.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política ReAL)