Chanceler Friedrich Merz, em Davos, disse que que "a velha ordem mundial está se desfazendo em um ritmo impressionante" e que "uma nova era começou"
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(Brasília-DF, 22/01/2026) Na mesma tocada da fala do Primeiro Ministro do Canadá, Mark Carney, o chanceler da Alemanha Friedrich Merz alertou os delegados do Fórum Econômico Mundial que "a velha ordem mundial está se desfazendo em um ritmo impressionante" e que "uma nova era começou".
Merz afirmou que a "posição de liderança" dos Estados Unidos está sendo "desafiada" pela crescente influência de países como a Rússia e a China.
"Entramos na era da política das grandes potências", disse ele. "O novo mundo das grandes potências se fundamenta no poder, na força e, quando necessário, na violência. Não é um lugar confortável."
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Diante de uma nova realidade geopolítica, o mundo, e a Europa em particular, não precisa aceitá-la como destino, segundo o chanceler alemão Friedrich Merz.
"Temos uma escolha", disse Merz.
"A Europa [e seus] parceiros com ideias semelhantes devem se unir ainda mais", afirmou, apelando aos aliados para que não "abandonem a OTAN".
O chanceler também comentou sobre a relação cada vez mais instável entre os Estados Unidos e seus aliados europeus.
"Apesar da frustração e da raiva dos últimos meses, não devemos descartar a parceria transatlântica tão rapidamente", concluiu.
Merz afirma que a Alemanha está reduzindo suas 'dependências'
Merz declarou que seu país precisa fortalecer suas bases econômicas.
"A Alemanha só poderá liderar a Europa se for economicamente forte", afirmou.
Merz delineou quatro prioridades principais para o futuro. Entre elas, o apoio contínuo à Ucrânia, a necessidade de garantir que a Europa seja capaz de se autodefesa e um esforço para reduzir as dependências econômicas e tecnológicas que tornam o país vulnerável. Ele também disse que a economia precisa ser capaz de explorar todo o seu potencial de inovação e crescimento.
Merz também afirmou que Berlim está focada em construir "laços estratégicos coordenados em todo o mundo".
"Estamos reduzindo nossas dependências econômicas e tecnológicas", disse o chanceler.
Groelândia
Merz sobre a Groenlândia disse que a OTAN deve fazer mais para garantir a segurança do extremo norte'
Ao abordar o desejo declarado publicamente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos, supostamente por razões de segurança, Merz afirmou compartilhar das preocupações de segurança, mas insistiu no respeito à integridade territorial.
"Saudamos o fato de os Estados Unidos estarem levando a sério a ameaça representada pela Rússia no Ártico e compartilhamos da convicção de que a OTAN deve fazer mais para garantir a segurança do extremo norte", disse ele, mas insistiu: "A Dinamarca e o povo da Groenlândia podem contar com a nossa solidariedade."
Merz afirmou que a Alemanha também declarou seu apoio às negociações entre a Dinamarca, a Groenlândia e os Estados Unidos, e saudou o anúncio feito ontem à noite pelo presidente Trump de que os EUA "não usarão a força" para adquirir a Groenlândia.
"Este é o caminho certo", disse Merz.
Política de poder
Em um mundo onde países poderosos fazem reivindicações territoriais – seja a Rússia na Ucrânia, a China em Taiwan ou os Estados Unidos na Groenlândia – o chanceler alemão Friedrich Merz pediu aos delegados do Fórum Econômico Mundial em Davos que aprendam com as lições da própria história da Alemanha.
"Um mundo onde apenas o poder importa é um lugar perigoso", disse ele. "Primeiro para os pequenos Estados, depois para as potências médias e, por fim, para as grandes potências. Não digo isso levianamente. No século XX, meu país, a Alemanha, trilhou esse caminho até o seu amargo fim." "Arrastou o mundo para um abismo negro."
Em uma lição de história pouco disfarçada, dirigida indiretamente ao presidente dos EUA, Donald Trump, Merz elogiou o papel dos Estados Unidos na derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial e na reconstrução da Alemanha moderna a partir de suas ruínas.
"Nossa maior força continua sendo a capacidade de construir parcerias e alianças entre iguais, baseadas na confiança e no respeito mútuos", disse ele. "Após 1945, os Estados Unidos da América inspiraram nós, alemães, a abraçar essa lógica. Sobre essa base, a OTAN se tornou a aliança mais forte da história. É por isso que nos mantemos fiéis a essa ideia."
( da redação com informações da AFP, DPA, AP. Edição: Política Real)