Donald Trump diz, em Davos, que deseja anexar Groelândia mas não usará força
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Com agências
(Brasília-DF, 21/01/2025) Numa manhã concorrida nesta quarta-feira, 21, em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um aguardado discurso no Forum Econômico Mundial nos Alpes suícos em que afirmou que busca "negociações imediatas" para adquirir a Groenlândia, mas insistiu que "não usará força".
O presidente americano discursou por mais de uma hora no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça - ultrapassando em cerca de 20 minutos o tempo que lhe havia sido destinado.
"Apenas os EUA podem proteger essa enorme massa de terra, esse gigantesco bloco de gelo, desenvolvê-lo e melhorá-lo", disse Trump.
Segundo Trump, a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca desde 1814, é "um país vasto, quase desabitado e não desenvolvido, que está indefeso".
O presidente americano declarou que "não há sinal" da Dinamarca na ilha e que o país está gastando menos dinheiro do que o prometido na Groenlândia.
No discurso, porém, Trump disse que não vai usar a força contra países aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) - como a Dinamarca.
"Não preciso usar força, não quero usar força, não vou usar força."
Tudo o que os EUA estão pedindo, disse Trump, é "um lugar chamado Groenlândia".
O discurso acontece em momento de tensão entre EUA e Europa devido ao interesse de Trump no território. No sábado (17/1), ele impôs novas tarifas sobre a Dinamarca e outros sete países europeus que se opõem ao seu plano de aquisição.
Trump também negou no discurso que seu interesse seja em minerais de terras raras na Groenlândia.
"O que importa é a segurança nacional estratégica e a segurança internacional".
Trump afirmou que quer o território "para construir "o maior domo de ouro já construído". O "domo de ouro" é um projeto do governo americano para proteger o país de mísseis lançados da Terra ou do espaço, inspirado no "domo de ferro" de Israel.
Segundo Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América no Norte, o discurso de Trump também trouxe uma novidade: a afirmação de que os EUA teriam controle — e um direito — sobre a ilha por causa de seus esforços para defender o território durante a Segunda Guerra Mundial, após a Dinamarca ser invadida pela Alemanha.
"Nós já a tínhamos, mas a devolvemos à Dinamarca depois da Segunda Guerra Mundial", disse.
Segundo ele, os EUA "deveriam tê-la mantido".
Com o discuso em Davos, Trump acabou com qualquer esperança de líderes europeus sobre um alívio na tensão da crise da Groenlândia, analisa Nick Beake, correspondente da BBC na Europa. Mas, ao menos, deverá haver algum alívio pelo fato de o presidente americano ter prometido não usar força militar.
( da redação com BBC, DW. Edição: Política Real)