Líderes da Groelândia dizem que seu povo não quer ser dos Estados Unidos
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(Brasília-DF, 10/01/2026) Nessa sexta-feira, 09, os líderes dos cinco maiores partidos políticos da Groenlândia, numa declaração conjunta declararam que não querem ser -norte-americanos, depois que o presidente Donald Trump sugeriu novamente o uso da força militar para anexar o território autônomo dinamarquês, que é rico em minerais.
Os líderes dos cinco partidos representados no Inatsisartut (parlamento da Groenlândia) defenderam o direito dos habitantes desse território autônomo dinamarquês de decidirem o próprio futuro diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"O futuro da Groenlândia deve ser decidido pelos groenlandeses. Nenhum outro país pode interferir nisto", destacaram os líderes partidários em declaração conjunta.
"Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser gronelandeses", sublinha a declaração assinada pelo primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e endossada por Pelle Broberg, líder do Naleraq, o segundo maior partido no parlamento e o que demonstrou maior compreensão em relação aos Estados Unidos.
Os líderes groenlandeses reiteram que o território é governado pelo direito internacional e pelo seu Estatuto de Autonomia, e que os seus habitantes elegem o seu parlamento e governo, que "colabora e continuará a colaborar com os Estados Unidos e os países ocidentais".
A declaração insta ao diálogo "baseado na diplomacia e nos princípios internacionais" e sublinha que esse é o caminho "entre aliados e amigos".
"Continuaremos a trabalhar para desenvolver as possibilidades de alcançar a segurança do nosso povo", sublinham os políticos no texto intitulado Somos um só povo.
O documento é assinado pelos líderes das quatro forças políticas que compõem o governo, bem como do partido da oposição, que defende uma rápida independência do território dinamarquês.
Ameaça militar
O documento foi divulgado antes de Trump ter afirmado, na sexta-feira, que não permitiria que "a Rússia ou a China ocupassem a Groenlândia" e que havia decidido "fazer alguma coisa" em relação à ilha ártica "de forma branda ou de forma dura".
Além disso, ele questionou a soberania da Dinamarca sobre o território ao afirmar que, embora admire o país nórdico, "o fato de terem desembarcado lá com um navio há 500 anos não significa que sejam donos daquela terra".
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tem agendado um encontro na próxima semana com o seu homólogo dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, e com a ministra do Exterior da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, para discutir o assunto.
O governo dos Estados Unidos tem causado apreensão entre aliados por se recusar a descartar o uso da força militar para tomar esse território autônomo da Dinamarca, um aliado na Otan.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um ataque militar dos EUA para tomar a Groenlândia seria o fim da aliança militar ocidental.
( da redação com informações da Lusa, Efe. Edição: Política Real )