Protestos se espalham no Irã e governo cortou a internet gerando “apagão”
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Com agências
(Brasília-DF, 09/01/2026) Nas primeiras horas desta sexta-feira, 09, manifestantes iranianos gritaram e marcharam pelas ruas após um apelo do príncipe herdeiro exilado do país para mais protestos, apesar da teocracia iraniana ter cortado o acesso à internet e às chamadas telefônicas internacionais.
Vídeos curtos publicados nas mídias sociais e compartilhados por ativistas supostamente mostram manifestantes cantando contra o governo do Irã ao redor de fogueiras, enquanto destroços cobriam as ruas da capital, Teerã, e de outras áreas.
A mídia estatal iraniana quebrou seu silêncio sobre as manifestações e alegou que "agentes terroristas" dos EUA e de Israel atearam fogo e provocaram violência. Também afirmou que houve "vítimas", sem dar mais detalhes.
Khamenei acusa manifestantes
Em um breve discurso transmitido pela televisão estatal, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, sinalizou que as autoridades reprimiriam os manifestantes enquanto a plateia gritava: "Morte à América!"
Ele acusou manifestantes de estarem agindo em nome do presidente dos EUA, Donald Trump , dizendo que arruaceiros estavam atacando propriedades públicas e alertando que Teerã não toleraria pessoas agindo como "mercenários de estrangeiros".
O pronunciamento de Khamenei foi a primeira declaração oficial sobre as manifestações.
A dimensão total dos protestos não pôde ser determinada imediatamente devido ao bloqueio das comunicações, embora represente mais uma escalada nos atos que começaram em razão da economia debilitada do Irã e que se transformaram no desafio mais significativo ao governo em vários anos.
Os protestos têm se intensificado constantemente desde o início, em 28 de dezembro, e são os maiores no Irã desde as grandes manifestações no país ocorridas entre 2022 e 2023, desencadeadas pela morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia. Ela havia sido presa por supostamente violar o código de vestimenta para mulheres.
As manifestações também foram o primeiro teste para testar a influência do príncipe herdeiro Reza Pahlavi sobre a população iraniana.
O pai dele, Mohammad Reza Pahlavi, foi o último xã do Irã, governando de 1941 a 1979, quando houve a Revolução Islâmica e ele fugiu para o exterior. As manifestações de ontem incluíram gritos de apoio ao xá, algo que poderia resultar em pena de morte no passado.
Ao menos 50 mortos
Até o momento, a violência em torno das manifestações deixou pelo menos 50 mortos e mais de 2.270 detidos, segundo a agência de notícias Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA.
Pahlavi, que convocou protestos na noite de quinta-feira, também incentivou manifestações para as 20h desta sexta-feira (horário local).
Quando o relógio marcou 20h de quinta-feira, bairros por toda Teerã explodiram em cânticos, disseram testemunhas. Os gritos incluíam "Morte ao ditador!" e "Morte à República Islâmica!". Outros elogiaram o xá, gritando: "Esta é a última batalha! Pahlavi retornará!". Milhares de pessoas podiam ser vistas nas ruas antes que todas as comunicações fossem cortadas.
"Os iranianos exigiram sua liberdade esta noite. Em resposta, o regime no Irã cortou todas as linhas de comunicação", disse Pahlavi. "Desligou a internet. Cortou as linhas telefônicas fixas. Pode até tentar interferir nos sinais de satélite."
Ele prosseguiu, pedindo aos líderes europeus que se juntassem ao presidente dos EUA, Donald Trump, na promessa de "responsabilizar o regime".
"Apelo a eles para que usem todos os recursos técnicos, financeiros e diplomáticos disponíveis para restabelecer a comunicação com o povo iraniano, para que sua voz e sua vontade possam ser ouvidas e vistas", acrescentou. "Não deixem que as vozes dos meus corajosos compatriotas sejam silenciadas."
O corte na internet também parece ter tirado do ar as agências de notícias estatais e semioficiais do Irã.
( da redação com DW. AP. Edição: Política Real)