No primeiro dia de mercados do ano, Ibovespa caiu e dólar teve queda expressiva
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(Brasília-DF, 02/01/2026) No primeiro pregão do mercado do ano de 2026 o Ibovespa começou com queda de 0,36%, aos 160.538,69 pontos, em uma sessão ainda com liquidez reduzida na emenda do feriado de Ano Novo com o primeiro fim de semana do ano.
O dólar comercial voltou a registrar queda expressiva acima de 1% e encerrou negociado a R$ 5,42, depois de perda de 1,18%.
Entre as ações mais negociadas da B3, a Vale (VALE3) subiu 0,58%, enquanto a preferencial da Petrobras (PETR4) caiu 0,36%. A ação do Itaú (ITUB4) recuou 0,20%, enquanto a do Bradesco encerrou com alta de 0,16%.
As ações dos Estados Unidos oscilaram entre altas e baixas nesta sexta-feira, à medida que os investidores iniciaram 2026 de forma cautelosa, após um ano de forte desempenho dos mercados acionários. O S&P 500 subiu 0,19%.
Carne
A China vai restringir as importações de carne bovina de fornecedores como Brasil e Argentina, numa tentativa de proteger agricultores e produtores locais, impondo tarifas punitivas caso determinados níveis sejam ultrapassados. Uma série de cotas entrará em vigor a partir de 1º de janeiro, depois que as autoridades determinaram que o aumento das importações havia prejudicado a indústria local.
Para 2026, a cota global foi fixada em aproximadamente 2,7 milhões de toneladas, com distribuição proporcional entre os principais fornecedores. Ao Brasil foi atribuída uma cota próxima de 1,1 milhão de toneladas, volume inferior ao que o país já vem exportando atualmente para o mercado chinês.
Em 2024, o Brasil exportou cerca de 1,34 milhão de toneladas de carne bovina para a China e, em 2025, a expectativa do setor é encerrar o ano com embarques próximos de 1,6 milhão de toneladas.
De acordo com Pedro Braga, presidente do SINDUSCARNE-MG, isso significa que, caso as cotas anunciadas sejam mantidas nos níveis divulgados, o Brasil ultrapassará o limite autorizado, fazendo com que parte relevante das exportações fique sujeita à tarifa adicional. “Na prática, isso tende a reduzir a competitividade do produto brasileiro dentro do mercado chinês ou a pressionar preços de negociação”, explica Pedro.
“Se o mecanismo de cotas e tarifas se mantiver ao longo dos próximos anos, o impacto será sentido diretamente no Brasil. A principal consequência será a necessidade de redirecionamento de volumes hoje destinados à China para outros mercados, muitas vezes com menor capacidade de absorção ou preços menos atrativos. Isso pode gerar pressão sobre os preços do boi gordo, redução de margens para frigoríficos e maior volatilidade no mercado interno”, analisou o presidente do SINDUSCARNE-MG.
“Além disso, a medida tende a frear investimentos na cadeia produtiva, uma vez que a China representa o principal destino da carne bovina brasileira. Mesmo que o Brasil siga como maior fornecedor, a limitação artificial de volumes cria incerteza para produtores e indústrias, afetando decisões de produção, abate e exportação”, completa Pedro.
O sindicato reforça que o Brasil ocupa posição central no abastecimento do mercado chinês e que a carne brasileira exerce papel complementar à produção local. Restrições prolongadas não eliminam a necessidade de importação, mas redistribuem custos ao longo da cadeia. O setor seguirá acompanhando os desdobramentos e defendendo soluções que preservem a previsibilidade comercial e a estabilidade do mercado.
( da redação com Bloomberg Linea e assessoria. Edição: Política Real)