Papa Leão XIV, na homilia da missa inaugural do papado, diz que a Igreja tem que estar unida contra o ódio do mundo moderno e um modelo econômico que "marginaliza" os pobres e "explora" a Terra
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( Publicada oriiginalmente às 09h 53 do dia 18/05/2025)
Com agências
(Brasília-DF, 19/05/2025) O Papa Leão XIV, durante a homilia da missa especial de inauguração do seu Pontificado na Basílica de São Pedro, neste domingo, 18, falando a milhares de pessoas e para representantes de 150 delegações internacionais, defendeu a necessidade de uma Igreja unida contra o ódio do mundo moderno e um modelo econômico que "marginaliza" os pobres e "explora" a Terra.
"Irmãos e irmãs, gostaria que este fosse o nosso primeiro grande desejo: uma Igreja unida, sinal de unidade e comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado", afirmou.
"Em nosso tempo, ainda temos muita discórdia, muitas feridas causadas por ódio, violência, preconceito, medo dos outros e um modelo econômico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres", disse.
A missa marcou o início oficial do papado de Leão 14, de 69 anos. Antes da cerimônia, ele percorreu a Praça de São Pedro pela primeira vez em um papamóvel para saudar as dezenas de milhares de fiéis que se reuniram para participar do culto.
Leão 14 propôs que a Igreja estendesse a mão a um mundo marcado por conflitos e violência.
"Em nosso tempo, ainda vemos muita discórdia, muitas feridas causadas pelo ódio, pela violência, pelos preconceitos, pelo medo do diferente e por um paradigma econômico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres", lamentou.
"Queremos ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade. Queremos dizer ao mundo, com humildade e alegria: Olhem para Cristo! Aproximem-se dele! Acolham a sua Palavra que ilumina e consola", acrescentou.
Em sua homilia, o novo pontífice também pediu que a Igreja supere suas divisões e construa pontes com outras religiões e ramos do cristianismo, servindo como um refúgio de "comunhão e fraternidade".
Papa "não pode ser dono das pessoas"
Além disso, Leão XIV destacou que o papa não pode ser "um líder solitário ou um chefe acima dos outros" porque "Deus quer todos unidos em uma única família".
"Pedro deve pastorear o rebanho sem jamais ceder à tentação de ser um líder solitário ou um chefe que domina os outros, tornando-se dono das pessoas que lhe foram confiadas. Pelo contrário, ele é chamado a servir a fé de seus irmãos e irmãs, caminhando lado a lado com eles", disse o pontífice americano em sua homilia.
Leão XIV também lembrou a morte de Francisco, que deixou profunda tristeza, e recebeu muitos aplausos dos fiéis.
Em seguida, comentou que os cardeais chegaram ao conclave "com histórias pessoais e caminhos diferentes" e que expressaram o desejo de "eleger um pastor capaz de salvaguardar a rica herança da fé cristã e, ao mesmo tempo, de olhar além, para saber enfrentar as questões, as preocupações e os desafios de hoje".
"Fui eleito sem nenhum mérito"
"Fui eleito sem nenhum mérito e, com medo e trepidação, venho a vocês como um irmão que quer se tornar servo de sua fé e de sua alegria, caminhando com vocês no caminho do amor de Deus, que nos quer todos unidos em uma única família", confessou.
Por fim, citando Santo Agostinho, destacou que "todos aqueles que vivem em harmonia com seus irmãos e irmãs e amam seus semelhantes são aqueles que compõem a Igreja", razão pela qual um de seus primeiros "grandes desejos" é justamente "uma Igreja unida".
Desde sua escolha como o 267º papa pelos cardeais em 8 de maio, ele tem apelado repetidamente aos líderes mundiais para que trabalhem para acabar com conflitos globais.
Muitos líderes mundiais participaram da cerimônia, incluindo os presidentes do Peru, Israel e Nigéria, os primeiros-ministros de Itália, Canadá e Austrália, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen. O representante do Brasil no evento foi o vice-presidente Geraldo Alckmin.
A realeza europeia também tomou seu lugar nos assentos VIP perto do altar principal, incluindo o rei espanhol Felipe e a rainha Letizia.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, também esteve presente e foi recebido pelo papa Leão XIV após a missa.
( da redação com DW. EFE, Vatican News. Edição: Política Real)