CRIME ORGANIZADO: PF prendeu Tuta na Bolívia, visto como o nome mais importante do PPC, que deverá ser trazido para o Brasil; chefe da PF, Andrei Rodrigues disse que a PF está pronta para trazê-lo para o Brasil
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( Publicada oriiginalmente às 21 h 01 do dia 17/05/2025)
(Brasília-DF, 19/05/2025)_A Polícia Federal, em colaboração com agentes da Fuerza Especial de Lucha contra el Crimen (FELCC), da Bolívia, prendeu nessa sexta-feira, 16, um brasileiro conhecido como o membro mais importante em liberdade do PCC (Primeiro Comando da Capital) e possível sucessor de Marcola na liderança da facção.
Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, estava na Lista de Difusão Vermelha da Interpol, “o que motivou a intensificação dos esforços para sua localização e captura”, informou a PF, em nota.
Ele foi preso após apresentar um documento falso na cidade de Santa Cruz de la Sierra.
Neste sábado, 17. o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse\na sede da PF, em Brasília, que já tem equipe e avião destinados a fazer a transferência de Tuta, que está em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
Neste momento, o governo brasileiro aguarda a realização de uma audiência judicial na Bolívia, prevista para este domingo ,18, que poderá definir se Marcos Roberto será expulso imediatamente ou se será extraditado formalmente pela Bolívia. A audiência na justiça boliviana é um procedimento semelhante ao de uma audiência de custódia no Brasil, quando o preso é apresentado pela primeira vez a um juiz, após a detenção.
Marcos Roberto de Almeida, o Tuta ( imagem: PF)
“Agora, é aguardar e a nossa equipe de cooperação, quanto a nossa equipe tática, estão prontos para atuar”, explicou Rodrigues.
Na Bolívia, a Polícia Federal tem uma equipe para fazer cooperação policial, composta por um agente em Santa Cruz de la Sierra e outros três, na capital La Paz.
Se a decisão da justiça da Bolívia for pela expulsão, o diretor-geral esclareceu que a próxima etapa será a definição da logística de transferência do preso, com respeito à soberania, à legislação, às regras do país onde Tuta está preso.
Andrei Rodrigues ainda apontou os diferentes cenários trabalhados pela instituição para o recebimento do brasileiro, que é condenado a 12 anos de prisão no Brasil.
“Pode acontecer da polícia boliviana trazer esse preso até o Brasil: trazer até uma região de fronteira ou trazer até Brasília. Pode acontecer, também, que nós enviemos a nossa equipe até Santa Cruz [de la Sierra] e lá trazemos o preso com o nosso time.”
O chefe da Polícia Federal mencionou que os próximos passos dependem das negociações entre os dois países, com base nas legislações da Bolívia e do Brasil e considerando, também, o que for mais seguro para a operação.
"A prisão do Tuta é extremamente importante para o Brasil porque ele é um dos criminosos mais perigosos e procurados do país. É um golpe importante no PCC devido à posição de liderança que ele ocupa. Resta saber se vão conseguir trazê-lo para o Brasil porque há interesse de resgatá-lo", diz Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo.
O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Publico do Estado de São Paulo, disse em 2023 que o grupo PCC chegou a enviar ao exterior cerca de R$ 1,2 bilhão.
A organização do PCC produz até uma espécie de censo para quantificar não apenas os membros de suas fileiras, mas também de siglas rivais e se esforça para repeti-lo a cada 15 dias.
"Se você tem alguém que vai para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD ou castigo), ele é transferido de prisão e fica em isolamento. Isso vai impactar nas atividades da facção naquela unidade durante algum tempo até repor essa pessoa. O que consegui identificar é que há pelo menos a intencionalidade de uma periodicidade quinzenal", diz a pesquisadora Camila Nunes Dias.
Uma pesquisa DataFolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2024, mostrou que 14% dos brasileiros dizem sofrer com a presença de facções criminosas ou milícias em suas vizinhanças. Em capitais, esse percentual chega a 20%.
( da redação com Agencias e Ag. Brasil. Edição: Política Real)