31 de julho de 2025
Mundo e Poder

Rússia e Ucrânia vão se reunir na Turquia no dia 15 de maio para discutir em busca de uma paz duradoura

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( Publicada originalmente às 17h 48 do  11/05/2025 )

Com agências.

(Brasília-DF, 12/05/2025). Neste domingo, 11, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy disse aceitar a proposta de um encontro direto com Vladimir Putin, presidente da Rússia, na Turquia nesta quinta-feira,15, e disse ainda esperar que o presidente russo "não arranje desculpas" para não comparecer.

Zelenskyy afirmou que estará na Turquia na próxima quinta-feira para se encontrar com o presidente russo Vladimir Putin o que, a confirmar-se, será um encontro histórico que poderá pôr fim à guerra que dura desde a invasão russa em larga escala que começou em fevereiro de 2022.

Zelenskyy afirmou, na rede social X, que estará no local proposto para o encontro e espera que Putin "não encontre desculpas" para não comparecer. Disse ainda esperar que a Rússia comece já amanhã a aplicar um cessar-fogo de 30 dias "necessário para que a diplomacia funcione". A Ucrânia exigiu este cessar-fogo antes de quaisquer negociações diretas, o que até agora a Rússia recusou.

Vladimir Putin manifestou o desejo de discutir "as raízes" do conflito com a Ucrânia, com o objetivo de alcançar "uma paz sólida e duradoura". Para isso, o presidente russo propôs aos líderes ucranianos a realização de "conversas sérias".

Em um raro pronunciamento televisionado, feito já tarde da noite de sábado.10, a partir do Kremlin, Putin declarou que a Rússia está disposta a retomar as negociações diretas com as autoridades ucranianas.

"Esse seria o primeiro passo rumo a uma paz firme e sustentável, e não apenas o prelúdio para novas hostilidades armadas após o reabastecimento do Exército ucraniano com armas e pessoal, e a intensa escavação de trincheiras", afirmou.

O anúncio de Zelenskyy segue-se às pressões do presidente norte-americano Donald Trump para que a Ucrânia aceite a proposta russa de negociações diretas.

Propostas

O anúncio de Vladimir Putin ocorreu apenas algumas horas depois de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e quatro de seus aliados europeus mais próximos — Reino Unido, França, Alemanha e Polônia — voltassem a exigir que o líder russo aceitasse uma trégua de 30 dias, sob ameaça de novas sanções contra Moscou.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reagiu ao ultimato afirmando que "qualquer tentativa de nos pressionar é completamente inútil".

Ainda assim, em seu discurso, Putin não descartou a possibilidade de que as negociações levem a um acordo com a Ucrânia sobre uma nova trégua.

"Estamos determinados a conduzir negociações sérias com a Ucrânia, com o objetivo de eliminar as causas profundas do conflito e estabelecer uma paz duradoura com perspectiva histórica", declarou.

"Não podemos excluir que, durante essas conversas, seja possível chegar a um novo acordo de cessar-fogo", acrescentou.

No entanto, o presidente russo não respondeu diretamente aos apelos por um cessar-fogo de 30 dias.

No sábado, estiveram em Kiev o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron, o novo chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro polonês Donald Tusk — líderes da chamada "coalizão dos dispostos", grupo de países comprometidos com o apoio militar e financeiro à Ucrânia.

Durante a visita, os líderes advertiram que, caso Putin não aceitasse um cessar-fogo incondicional de 30 dias "por ar, mar e terra", seriam impostas novas sanções maciças aos setores energético e bancário da Rússia.

As condições em Kiev

Zelensky, por sua vez, saudou o anúncio de seu homólogo russo.

"O mundo inteiro esperava por isso há muito tempo (…) Não faz sentido continuar com a matança nem por mais um dia", escreveu o presidente ucraniano em sua conta na rede social X (antigo Twitter).

No entanto, de Kiev, foi deixado claro que um cessar-fogo imediato é condição indispensável para o início de qualquer negociação.

"Primeiro um cessar-fogo de 30 dias, depois o resto", afirmou Andriy Yermak, chefe do gabinete presidencial da Ucrânia, em suas redes sociais.

"Rússia não pode disfarçar seu desejo de prolongar a guerra com malabarismos verbais. O cessar-fogo é o primeiro passo para encerrar o conflito e confirmará a disposição da Rússia em pôr fim aos assassinatos", acrescentou.

As reações à proposta de Putin não demoraram a surgir. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o anúncio do líder russo como "um dia potencialmente grandioso para a Rússia e a Ucrânia".

"Pensem nas centenas, milhares de vidas que poderão ser salvas quando esse banho de sangue interminável, com sorte, chegar ao fim", publicou em sua conta na Truth Social, onde também previu o surgimento de "um mundo completamente novo e muito melhor".

Mais cauteloso, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que se trata de "um primeiro passo", mas que "não é suficiente".

Macron também defendeu um cessar-fogo imediato:

"Não pode haver negociações enquanto as armas continuam a falar", afirmou.

( da redação com Euro News e BBC. Edição: Política Real)