DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em forte queda e no Brasil os reflexos internacionais serão sentidos e na terça-feira haverá números do BC e hoje, Focus
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(Brasília-DF, 07/04/2025) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais em forte queda e no Brasil, muita atenção sobre o que acontece fora com o dólar. Na semana, nesta terça-feira BC divulga dados e no final da semana terá o IPCA.
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Mercados globais
Nesta segunda-feira, os futuros das bolsas americanas operam em forte queda (S&P 500: -3,4%; Nasdaq 100: -3,8%), enquanto a Casa Branca mantém sua postura firme em relação às tarifas anunciadas no Liberation Day, desencadeando um colapso histórico de três dias nos mercados. O anúncio também continua pressionando a taxa das Treasuries nesta manhã, com os títulos de 10 anos recuando mais de 5 bps e os de 2 anos caindo 16 bps, atingindo o menor nível desde setembro de 2022.
Na Europa, as bolsas ampliam as perdas (Stoxx 600: -5,2%), intensificando a onda de vendas nos mercados globais iniciada após os últimos anúncios sobre o regime tarifário do presidente Donald Trump. Na China, os mercados também fecharam em queda acentuada (CSI 300: -7,1%; Hang Seng: -13,2%), impactados pelas medidas de retaliação adotadas por Pequim. Já no Japão, a negociação de futuros chegou a ser suspensa após o acionamento de circuit breakers, diante das fortes quedas registradas no mercado (Nikkei 225: -7,8%).
Economia
Os mercados globais recuaram ainda mais nesta segunda-feira, à medida que o presidente Donald Trump manteve os impostos de importação anunciados na semana passada, no chamado “Dia da Libertação”. As novas tarifas aprofundaram as preocupações sobre os impactos da guerra comercial. Mais de 50 países já buscaram negociações com Washington. Os preços do petróleo também despencaram, com o Brent – referência global para a precificação do petróleo bruto – caindo mais de 10% na última semana, atingindo o menor nível desde 2021, em meio à combinação de menor demanda global esperada e o anúncio de aumento de produção por membros da OPEP+. Caso os preços do petróleo se mantenham em níveis baixos, haverá impacto negativo significativo sobre as contas fiscais, a balança comercial e a inflação no Brasil.
As novas tarifas do governo Trump devem, simultaneamente, pressionar os preços ao consumidor e desacelerar o crescimento econômico nos Estados Unidos — o que representa um dilema para o Fed, banco central. A expectativa do mercado é de que a autoridade monetária reduza os juros já na próxima reunião de maio, com mais de 50% de probabilidade de corte — número que era de apenas 14% uma semana antes. Ademais, aumentou a expectativa de que o Fed reduza os juros para uma faixa entre 3,00% e 3,25% até o fim do ano, o que implicaria ao menos cinco cortes de 0,25 p.p. Paralelamente, a China retaliou, impondo tarifas adicionais de 34% sobre todos os bens importados dos Estados Unidos. Nesta semana, a União Europeia estuda implementar sua primeira rodada de tarifas retaliatórias sobre aproximadamente US$ 28 bilhões em produtos norte-americanos. No Brasil, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que buscará uma solução com os Estados Unidos por meio do diálogo, sem recorrer, por ora, ao arcabouço jurídico aprovado recentemente.
Na agenda de indicadores desta semana, as atenções estarão voltadas a sinalizações e anúncios de políticas comerciais em meio à maior aversão ao risco e piora dos ativos financeiros desencadeada pelo “Dia da Libertação”. Nos Estados Unidos, destaque também para a divulgação da ata da última reunião de política monetária (quarta-feira) e dados de inflação ao consumidor (quinta-feira) e ao produtor (sexta-feira) em março, além das expectativas inflacionárias (Universidade de Michigan) para o curto e médio prazos (sexta-feira). A agenda ainda traz dados de inflação na China no mês passado (quarta-feira).
IBOVESPA -2,96% | 127.256 Pontos. CÂMBIO +3,66% | 5,83/USD
Ibovespa
O Ibovespa encerrou a semana passada em queda de 3,5% em reais e 4,4% em dólares, aos 127.256 pontos.
O destaque positivo da semana foi Pão de Açúcar (PCAR3, +18,8%), após a companhia aceitar o pedido de um fundo de investimento para convocar uma Assembleia Geral Extraordinária com o objetivo de deliberar sobre a destituição do atual Conselho de Administração da empresa (mais detalhes aqui).
As petroleiras, como Brava, Prio e PetroReconcavo (BRAV3, -20,6%; PRIO3, -15,5%; RECV3, -14,4%), tiveram forte queda, refletindo a desvalorização do Brent (-10,4%).
Renda Fixa
No comparativo semanal, os juros futuros encerraram com forte fechamento ao longo da curva. O diferencial entre os contratos com vencimento em janeiro de 2035 e 2026 saiu de -22,50 bps pontos-base (bps) na sexta-feira passada para -18,50 bps nesta semana. A curva, portanto, apresentou ganho de inclinação. As taxas de juro real tiveram redução, com os rendimentos das NTN-Bs com vencimento em 2030 consolidando-se em patamares próximos a 7,74% a.a. (vs. 8,00% a.a. na semana anterior). O DI jan/26 encerrou em 14,67% (-45,00 bps no comparativo semanal); DI jan/31 em 14,35% (-59 bps), e o dólar terminou em R$ 5,83/US$ (+1,3%).
IFIX
O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) encerrou a sexta-feira em queda de 0,76%, acumulando uma desvalorização de 0,66% ao longo da última semana. Tanto os Fundos de Tijolo quanto os FIIs de Papel apresentaram desempenhos negativos no dia, com uma valorização média de 0,67% e 0,72%, respectivamente. Entre os destaques positivos, figuraram CYCR11 (1,0%), BTAL11 (0,7%) e BRCR11 (0,7%). Por outro lado, os destaques negativos foram RBFF11 (-4,5%), PATL11 (-3,5%) e KFOF11 (-3,0%).
No Brasil, o IPCA de março será divulgado na sexta-feira e deve trazer núcleos e demais medidas subjacentes ainda pressionados, enquanto as receitas do setor de serviços (quinta-feira), as vendas varejistas (quarta-feira) e o IBC-Br (proxy mensal do PIB, a ser divulgado na 6ª-feira) devem mostrar avanço da atividade em fevereiro, embora a um ritmo moderado. Ademais, o Banco Central publicará o resultado do setor público consolidado (terça-feira) e a nota das operações de crédito (quarta-feira) referentes ao segundo mês do ano.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)