31 de julho de 2025
Brasil e Economia

DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em queda e no Brasil atenção para a repercussão do tarifaço de Donald Trump

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Mercados globais em queda

(Brasília-DF, 03/04/2025) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão em queda e no Brasil atenção para repercussão do mercado nacional com o tarifaço de Donald Trump.

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Nesta quinta-feira, os futuros dos Estados Unidos operam em queda (S&P 500: -3,2%; Nasdaq 100: -3,6%) após o presidente Donald Trump anunciar tarifas recíprocas no “Liberation Day”, com alíquotas a partir de 10% — podendo ser ainda mais altas para alguns países. O anúncio também provoca uma forte queda nas taxas dos Treasuries pela manhã, com os títulos de 10 anos recuando mais de 13 bps e os de 2 anos caindo 12 bps.

Na Europa, as bolsas operam em baixa (Stoxx 600: -1,8%) após a divulgação de tarifas comerciais mais agressivas do que o esperado para a região. Na China, os mercados também fecharam em queda (CSI 300: -0,6%; HSI: -1,5%) em resposta à imposição das pesadas tarifas recíprocas a mais de 180 países e territórios, incluindo a China.

Nesta quinta-feira, a agenda econômica inclui o ISM de serviços referente a março nos EUA.

Nos EUA, foram divulgados os percentuais de tarifas para mais de 180 economias, levando os investidores a intensificarem a cautela com o potencial agravamento dos embates comerciais entre as maiores economias do mundo e com a pressão altista na inflação americana. Com isso, os rendimentos das Treasuries de dois anos terminaram o dia em 3,86% (-2,4bps), enquanto os de dez anos caíram para 4,13% (-4,9bps).

IBOVESPA +0,03% | 131.190 Pontos.   CÂMBIO +0,28% | 5,69/USD

Ibovespa

O Ibovespa fechou perto da estabilidade ontem, com leve alta de 0,03%, aos 131.190 pontos, enquanto os investidores permaneceram com um posicionamento cauteloso no aguardo do anúncio de tarifas de Donald Trump, realizado após o fechamento do mercado. As medidas anunciadas foram negativas em termos absolutos, mas potencialmente positiva para o Brasil (veja mais detalhes aqui).

O principal destaque positivo do dia na Bolsa brasileira foi Pão de Açucar (PCAR3, +15,9%), após a companhia anunciar que novos acionistas relevantes demonstraram apoio à proposta de destituir o atual conselho de administração e eleger novos membros. Entre os destaques negativos, Cogna (COGN3, -3,2%) recuou em meio a um movimento técnico.

Renda Fixa

As taxas futuras de juros encerraram a sessão de quarta-feira com movimentos mistos ao longo da curva. Após o anúncio da aplicação de 10% de tarifas aos produtos brasileiros por parte do governo Trump, a curva nominal passou a adotar uma trajetória de queda, enquanto o dólar teve leve alta, mas ainda ficou abaixo de R$ 5,70/US$. Com isso, o DI jan/26 encerrou em 14,98% (- 1,1bp vs. pregão anterior); DI jan/27 em 14,8% (- 4,7bps); DI jan/29 em 14,58% (- 2,5bps); DI jan/31 em 14,75% (+1,9bp).

IFIX

O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) encerrou a quarta-feira com uma leve queda de 0,06%, após registrar uma valorização expressiva de 6,14% no mês de março. Tanto os Fundos de Papel quanto os FIIs de Tijolos apresentaram desempenhos negativos no dia, com desvalorizações médias de 0,09% e 0,06%, respectivamente.

Entre os destaques positivos, destacaram-se JSAF11 (+3,5%), PATL11 (+3,4%) e TGAR11 (+2,9%). Por outro lado, os destaques negativos foram VGRI11 (-4,3%), RVBI11 (-2,7%) e KIVO11 (-2,5%).

Economia

O “Dia da Libertação” tarifária de Donald Trump superou as expectativas. Se todas as tarifas “recíprocas” anunciadas entrarem em vigor em 9 de Abril, a taxa efetiva sobre as importações dos EUA aumentará para mais de 25%, o valor mais elevado desde o início da década de 1900 e um aumento de quase 20 pontos percentuais em relação ao nível atual. Ainda é cedo para avaliar os efeitos sobre o crescimento econômico, mas os indicadores de confiança empresarial – que já estavam em queda – devem sofrer novo impacto, o que aumenta o risco de recessão no curto prazo. Para o Brasil, o resultado foi melhor do que se temia. O país enfrentará uma tarifa básica de 10%. Deve-se monitorar agora uma possível retaliação de outros países.

No Brasil, o Congresso Nacional aprovou a “Lei de Reciprocidade”, permitindo ao governo alterar as suas tarifas comerciais em resposta à guerra comercial global. Autoridades brasileiras disseram que pode levar alguns dias para o governo avaliar os impactos das medidas do presidente Trump e acrescentaram que todas as respostas possíveis para garantir um comércio bilateral justo estão sobre a mesa. Considerando que a tarifa dos EUA imposta ao Brasil é relativamente baixa (10%) e as tarifas que o Brasil cobra sobre os produtos dos EUA já são relativamente elevadas, não esperamos uma reação significativa do governo brasileiro no curto prazo.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)