31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Lula, em declaração ao lado do presidente do Vietnã, disse que os dois países sofreram com a guerra fria e defendeu o não alinhamento e evitar entrar na divisão do globo por áreas de influência

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(Brasília-DF, 28/03/2025). Nesta sexta-feira, 28, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento à imprensa ao lado do presidente do Vietnâ, Luong Cuong, disse que o Brasil e o Vitenâ sofreram com a guerra fria e defende que os dois não se envolvam num alinhamento, em linha de influência.

Como expoentes da construção de uma ordem multipolar, a América Latina e o Sudeste Asiático devem evitar uma nova divisão do globo em zonas de influência.

Ainda que de forma distintas, Vietnã e Brasil sofreram os efeitos da guerra fria e sabem que o melhor caminho é o do não-alinhamento. Por isso, nada mais natural que nossos países tenham acordado, em novembro passado, elevar o relacionamento bilateral à condição de Parceria Estratégica. Hoje, tenho a honra de estar ao lado do presidente Luong Cuong [Luôn-Cuôn] para transformá-la em ações concretas”, disse.

 

Veja a íntegra da declaração à imprensa:

 

É uma alegria retornar à milenar Hanói dezessete anos após minha primeira visita, em 2008.

Retorno acompanhado por expressiva delegação de ministros, parlamentares, sindicalistas e empresários.

O mundo passou por profundas transformações desde então.

Ações unilaterais agora põem em risco o multilateralismo.

A governança global em matéria de comércio, saúde e meio ambiente está sob sérias ameaças.

Gaza é hoje o maior símbolo do abandono do humanismo que cultivamos.

Nada justifica a matança indiscriminada de civis.

Na Ucrânia, o Brasil sempre defendeu a via do diálogo. Acolhemos todos os esforços nessa direção.

Como expoentes da construção de uma ordem multipolar, a América Latina e o Sudeste Asiático devem evitar uma nova divisão do globo em zonas de influência.

Ainda que de forma distintas, Vietnã e Brasil sofreram os efeitos da guerra fria e sabem que o melhor caminho é o do não-alinhamento.

Por isso, nada mais natural que nossos países tenham acordado, em novembro passado, elevar o relacionamento bilateral à condição de Parceria Estratégica.

Hoje, tenho a honra de estar ao lado do presidente Luong Cuong [Luôn-Cuôn] para transformá-la em ações concretas.

Adotamos um plano de ação abrangente para o período 2025-2030, que nos ajudará a avançar em diversas áreas.

Com o fluxo de comércio bilateral que já se aproxima de 8 bilhões de dólares, o Brasil exporta mais para o Vietnã do que vende para Portugal, Reino Unido e França.

Por isso, meu governo tem interesse em reconhecer o Vietnã como economia de mercado.

Essas e outras medidas vão nos permitir ampliar os fluxos de comércio e de investimento entre nossos países.

A abertura do mercado vietnamita para a carne bovina brasileira atrairá investimentos de frigoríficos do Brasil para fazer deste país uma plataforma de exportação para o Sudeste Asiático.

Já contribuímos para a segurança alimentar do Vietnã e queremos ampliar a exportação de bens de maior valor agregado, incluindo aeronaves.

Espero que a Vietnam Airlines possa avaliar positivamente a oferta da Embraer para os jatos da família E-Jets, ideais para a conectividade regional.

A presidência brasileira do MERCOSUL, que se iniciará em julho, vai trabalhar em prol de um acordo com o Vietnã que seja equilibrado e beneficie os dois lados.

Nenhuma colaboração é tão estratégica para o futuro de dois países emergentes quanto a cooperação em educação e em ciência e tecnologia.

Em breve, nossas universidades poderão promover o intercâmbio de professores e estudantes e outras iniciativas conjuntas.

Estamos estudando parcerias em áreas como semicondutores, Inteligência Artificial, tecnologias digitais, biotecnologia e energias renováveis.

Transmiti ao presidente convite ao Vietnã para participar dos dois importantes eventos internacionais que o Brasil sediará este ano, a Cúpula do BRICS, no Rio de Janeiro, e a COP30, em Belém.

No Brasil, utilizamos a palavra mutirão para nos referir a uma grande mobilização em torno de um objetivo comum. É com esse espírito que queremos chegar a Belém.

Para cumprirmos o Acordo de Paris, todos os países deverão adotar o mais alto grau de ambição possível dentro de suas circunstâncias de desenvolvimento.

Vietnã e Brasil são os dois maiores produtores mundiais de café e ambos tivemos safras recentes afetadas pela mudança do clima.

Estamos determinados a ampliar nosso intercâmbio técnico para fortalecer a resiliência da cultura do café.

O Vietnã pode se beneficiar do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposto pelo Brasil, e ser remunerado por seu esforço de preservação ambiental.

Agradeci ao presidente a adesão vietnamita à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que em breve iniciará a implementação de projetos-piloto em vários países.

O compromisso com o bem-estar de nossas populações é uma prioridade que compartilhamos.

A paixão pelo futebol é outro elo que nos aproxima.

Parabenizo a seleção vietnamita pela vitória no Campeonato da ASEAN, com a participação do artilheiro Rafaelson, brasileiro naturalizado vietnamita.

Ele é um exemplo do que o Brasil e o Vietnã podem conquistar unindo suas forças.

Celebrando o trigésimo quinto aniversário do estabelecimento de nossas relações diplomáticas, espero que prossigamos a trajetória de amizade, respeito mútuo e cooperação por mais 35 anos e além.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)