Romênia prende e depois expulsa representantes da Rússia que estariam interferindo nas eleições presidenciais do país
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( Publicada originalmemte às 14h 57 do dia 06/03/2025)
Com agências
(Brasília-DF, 07/03/2025). Nesta quinta-feira, 06, autoridades da Romênia anunciaram a prisão de seis suspeitos de planejar um golpe com a ajuda de "agentes de uma potência estrangeira, localizados tanto na Romênia quanto na Federação Russa".
O grupo teria agido visando estabelecer uma milícia paramilitar, depor o governo romeno e retirar o país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo os promotores responsáveis pelo caso, a trama também incluía planos para impor uma nova constituição.
Dois dos suspeitos teriam viajado para Moscou em janeiro e se encontrado com apoiadores do golpe. O serviço de inteligência romena SRI afirma que os indivíduos "solicitaram ativamente o apoio de oficiais da Embaixada da Federação Russa".
Um dos detidos é Radu Theodoru, um general aposentado de 101 anos negacionista do Holocausto e admirador da liderança fascista da Romênia durante a Segunda Guerra Mundial. Theodoru havia se referido ao atual governo como "um sistema organizado para roubar [o] país".
Tensões entre Romênia e Rússia
Na quarta-feira, as autoridades romenas emitiram uma ordem de expulsão do adido militar, aéreo e naval russo Victor Makovskiy e do seu adjunto Evgeny Ignatiev.
Fontes que falaram sob condição de anonimato disseram à Euronews Roménia que Makovskiy e Ignatiev estão ligados ao político ultranacionalista e candidato às eleições presidenciais de 2024, Călin Georgescu, e à sua campanha.
Georgescu, apelidado de "Messias do TikTok", ficou em primeiro lugar na primeira volta das eleições presidenciais da Roménia em dezembro, que o tribunal constitucional do país anulou após a desclassificação de relatórios dos serviços secretos que mostravam o envolvimento russo em influenciar os eleitores através das redes sociais para apoiarem o então relativamente desconhecido candidato.
Georgescu é alvo de um processo penal que inclui atos anticonstitucionais e declarações incorretas sobre as finanças da sua campanha.
As acusações também giram em torno do seu apoio a simpatizantes da Guarda de Ferro, um movimento e partido político fascista e antissemita anterior à Segunda Guerra Mundial, o que é ilegal ao abrigo da lei romena.
O Kremlin declarou na quarta-feira que irá emitir "uma resposta adequada" à expulsão de Makovskiy e Ignatiev, informou a agência estatal russa Tass, citando um funcionário do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros.
"O lado russo considera esta medida injustificada e hostil e reserva-se o direito de tomar medidas de retaliação", disse à Tass a encarregada de negócios da Rússia na Roménia, Yelena Kopnina.
( da redação com DW e Euro News. Edição: Política Real)