CESSAR FOGO: Próximas 24 horas serão decisivas para o fim da guerra na Faixa de Gaza; Governo Biden quer encerrar o conflito antes do início do Governo Trump
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( Publicada originalmente às 15h 00 do dia 14/01/2025)
( reeditado)
Com agências
(Brasília-DF, 15/01/2025) Os negociadores israelitas e do Hamas deverão apresentar aos seus dirigentes, nas próximas 24 horas, uma proposta de acordo de cessar-fogo que, se for aceita, levará ao fim mais de um ano de guerra na Faixa de Gaza.
Um funcionário familiarizado com as negociações de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas revelou que houve um avanço e que cada lado estava levando um projeto de acordo aos seus líderes para aprovação final.
O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, afirmou que o acordo desta semana está "muito próximo", acrescentando que espera concluí-lo antes da tomada de posse do presidente eleito Donald Trump, no final de janeiro.
Na segunda-feira, quatro mediadores norte-americanos e árabes reconheceram que foram feitos progressos significativos e que os próximos dias seriam cruciais para pôr fim aos 15 meses de combates que mataram milhares de pessoas e devastaram Gaza.
Um funcionário dos EUA que participa das negociações disse que todas as partes estão "mais próximas do que alguma vez estiveram, mas ainda podem se desencontrar", reconhecendo que há uma série de pontos de atrito no acordo entre Israel e o Hamas.
Os dirigentes norte-americanos, que há mais de um ano tentam mediar um acordo com o Egito e o Catar, afirmaram várias vezes ao longo do ano passado estavam prestes a chegar a um acordo, mas que as discussões não avançaram.
O acordo tem sido travado por uma série de questões controversas, incluindo pormenores sobre a retirada das tropas israelitas e a troca de reféns por prisioneiros palestinianos.
O Hamas afirmou que não libertará um certo número de reféns israelitas detidos em Gaza sem que Israel retire as suas tropas. Por outro lado, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu continuar a lutar até à "vitória total" sobre o grupo militante.
As conversações deverão envolver o chamado "cessar-fogo faseado", uma vez que Netanyahu deu a entender que só está empenhado na primeira fase de libertação parcial dos reféns em troca de uma paragem de semanas nos combates. A possibilidade de um cessar-fogo duradouro seria negociada após o início da primeira fase.
Durante o fim de semana, Netanyahu disse que iria enviar o diretor da agência de informação externa Mossad para as negociações no Qatar, sinalizando que as conversações tinham progredido.
Uma autoridade palestina familiarizada com as negociações disse ao jornalista Rushdi Abualouf, da BBC News, que, pela primeira vez na guerra, delegações de Israel e do Hamas estão conduzindo conversas indiretas no mesmo prédio.
O Hamas também teria retirado condições para que as tropas israelenses deixassem a Faixa de Gaza.
Ao revelar alguns detalhes potenciais do acordo, um alto funcionário palestino disse à BBC que "as discussões técnicas detalhadas levaram um tempo considerável".
Ambos os lados concordaram que o Hamas libertaria três reféns no primeiro dia do acordo, após o qual Israel começaria a retirar tropas de áreas de Gaza.
Sete dias depois, o Hamas libertaria quatro reféns adicionais, e Israel permitiria que pessoas deslocadas no sul retornassem ao norte — mas apenas a pé, pela estrada costeira.
Carros, carroças puxadas por animais e caminhões teriam permissão para cruzar uma passagem adjacente à rua Salah al-Din, monitorada por uma máquina de raio-X operada por uma equipe de segurança técnica do Catar e do Egito.
O acordo inclui disposições para que as forças israelenses permaneçam num local chamado corredor Filadélfia e mantenham uma zona de proteção de 800 metros ao longo das fronteiras leste e norte durante a primeira fase do cessar-fogo, que durará 42 dias.
Israel também concordou em libertar mil prisioneiros palestinos, incluindo aproximadamente 190 que cumpriam penas de 15 anos ou mais. Em troca, o Hamas libertará 34 reféns.
As negociações para a segunda e terceira fases do acordo começariam no 16º dia do cessar-fogo.
( da redação com Euro News e BBC Edição: Política Real)