8 DE JANEIRO: Lula disse que a democracia é uma busca constante e que a democracia só se dará, mesmo, quando todos tiverem acesso a “alimentação de qualidade, saúde, educação, segurança, cultura e lazer”
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( Publicada originalmente às 14h 56 do dia 08/01/2025)
(Brasília-DF, 09/01/2025) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o último a falar no evento por conta dos 2 anos dos atos de 8 de Janeiro de 2023, que depredaram prédios da Praça de Três Poderes no Salão Branco no segundo andar do Palácio do Planalto. Na parte não lida do discurso ele disse que nunca tinha ouvido falar de um ministro do STF que tivesse apelido e saudou inicialmente o ministro Alexandre de Moraes com “Xandão”.
“Não adianta se aborrecer, pois é assim que o povo chama”, disse.
Lula em sua fala disse que “ estamos aqui para dizer que estamos vivos, e que a democracia está viva, ao contrário do que planejavam os golpistas do 8 de janeiro de 2023.”.
Lula falou que a democracia passa por várias conquistas e disse que “a democracia será plena quando todas e todos os brasileiros, sem exceção, tiverem acesso à alimentação de qualidade, saúde, educação, segurança, cultura e lazer”.
Ele aproveitou para falar em liberdada de expressão mas fez ressalvas.
“Defendemos e defenderemos sempre a liberdade de expressão, mas não seremos tolerantes com os discursos de ódio, as fake news que colocam em risco a vida das pessoas, e a incitação à violência contra o Estado de Direito”, disse
Veja a íntegra do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva>
Hoje é dia de dizermos em alto e bom som: Ainda estamos aqui.
Estamos aqui para dizer que estamos vivos, e que a democracia está viva, ao contrário do que planejavam os golpistas do 8 de janeiro de 2023.
Estamos aqui – mulheres e homens de diferentes origens, crenças, partidos e ideologias – unidos por uma causa em comum.
Estamos aqui para dizer: Ditadura nunca mais. Democracia sempre.
Estamos aqui para lembrar que, se estamos aqui, é porque a democracia venceu.
Caso contrário, muitos de nós talvez estivessem presos, exilados ou mortos, como aconteceu no passado e não permitiremos que aconteça outra vez.
Se hoje podemos pensar diferente e expressar livremente nossos pensamentos, ideias e desejos, é porque a democracia venceu.
Caso contrário, a única liberdade de expressão permitida seria a do ditador e de seus cúmplices – e usada para mentir, espalhar o ódio e incitar a violência contra quem pensa diferente.
Se hoje estamos aqui para renovar nossa fé no diálogo entre os opostos, na harmonia entre os Três Poderes e no cumprimento da Constituição, é porque a democracia venceu.
Caso contrário, a truculência tomaria o lugar do diálogo. Todos os Poderes seriam um só, concentrado nas mãos dos fascistas.
A Constituição seria rasgada. E os direitos humanos, suprimidos.
Se hoje podemos nos guiar pela ciência e vacinar nossas crianças, é porque a democracia venceu.
Caso contrário, doenças já erradicadas, como o sarampo e a paralisia infantil, estariam de volta.
E novas pandemias repetiriam a tragédia da Covid-19, quando centenas de milhares de pessoas morreram pela demora na compra das vacinas, e pelas fake news contra os imunizantes.
Se essas obras de arte estão aqui de volta – restauradas com esmero por homens e mulheres que a elas dedicaram mais de 1.760 horas de suas vidas – é porque a democracia venceu. Caso contrário, estariam destruídas para sempre. E tantas outras obras inestimáveis teriam o mesmo destino da tela de Di Cavalcanti, vítima do ódio daqueles que sabem que a arte e a cultura carregam a história e a memória de um povo.
A arte e a cultura que as ditaduras odeiam. A história e a memória que sempre tentam apagar.
Estamos aqui porque é preciso lembrar. Para que ninguém esqueça. Para que nunca mais aconteça.
Se hoje podemos contar histórias, e ver as histórias livremente contadas no cinema, no teatro, na música e na literatura, é porque a democracia venceu.
Caso contrário, a arte teria que ser submetida aos censores, que nos proibiram de ver, ouvir e ler tudo aquilo que julgassem subversivo.
Hoje estamos aqui para garantir que ninguém seja morto ou desaparecido em razão da causa que defende.
Estamos aqui em nome daquelas e daqueles que não podem mais estar.
Estamos aqui em nome de todas as Marias, Clarices e Eunices.
Minhas amigas e meus amigos,
Democracia para poucos não é democracia plena.
Por isso, a democracia será sempre uma obra em construção.
A democracia será plena quando todas e todos os brasileiros, sem exceção, tiverem acesso à alimentação de qualidade, saúde, educação, segurança, cultura e lazer.
Quando tiverem as mesmas oportunidades de crescer e prosperar, e os mesmos direitos de sonharem e serem felizes.
A democracia será plena quando todos e todas sejam de fato iguais perante a lei, e a pele negra não seja mais alvo da truculência dos agentes do Estado.
Quando os povos indígenas tiverem direito às suas terras, sua cultura e suas crenças.
Quando as mulheres conquistarem igualdade de direitos, e o direito de estar onde quiserem estar, sem serem julgadas, agredidas ou assassinadas.
Quando todas as religiões forem respeitadas e viverem em harmonia, porque a fé deve unir, e não colocar irmãos contra irmãos.
Quando qualquer pessoa tiver o direito de amar e ser amada por qualquer pessoa, sem sofrer qualquer tipo de preconceito, discriminação ou violência.
É essa democracia – plena e para todos e todas – que queremos construir no Brasil.
Minhas amigas e meus amigos,
A democracia precisa ser cuidada com todo carinho e vigilância, por cada uma e cada um de nós. Sempre e sempre.
Seremos implacáveis contra quaisquer tentativas de golpe.
Os responsáveis pelo 8 de janeiro estão sendo investigados e punidos. Ninguém foi ou será preso injustamente. Todos pagarão pelos crimes que cometeram.
Todos – inclusive os que planejaram o assassinato do presidente e do vice-presidente da República, e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral – terão amplo direito de defesa e presunção de inocência.
Defendemos e defenderemos sempre a liberdade de expressão, mas não seremos tolerantes com os discursos de ódio, as fake news que colocam em risco a vida das pessoas, e a incitação à violência contra o Estado de Direito.
Seremos intransigentes na defesa da democracia.
Renovaremos sempre nossa fé inabalável no diálogo, na união, na paz e no amor ao próximo.
Seguiremos trabalhando dia e noite para a construção de um Brasil mais desenvolvido e mais justo.
Porque a democracia venceu.
Muito obrigado.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)