REAÇÃO: Representante de Mídias Digitais do Governo Lula diz que Zuckerberg faz um convite ao ativismo da extrema direita ao acabar com a mediação e Associação de Jornalistas diz que vê decisão com preocupação
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( Publicada originalmente às 17h 50 do dia 07/01/2025)
(Brasília-DF, 08/01/2025) Ao longo do dia aqui no Brasil, nesta terça-feira,7, houve reações à declaração do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, sobre o fim da mediação que foi criada em 2026 para lidar com a desinformação e fake news que marcavam os Estados Unidos, especialmente, naquele ano de 2016, após a primeira eleição presidencial de Donald Trump. Ele volta a presidência dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro próximo.
O Secretário de Políticas Digitais da SECOM/Presidência da República do Brasil. João Brant, fez um conjunto de postagens em que criticou o fim da checagem profissional em um post no LinkedIn: "Significa um convite para o ativismo da extrema direita reforçar a utilização dessas redes como plataformas de sua ação política."
"Facebook e Instagram vão se tornar plataformas que vão dar total peso à liberdade de expressão individual e deixar de proteger outros direitos individuais e coletivos", completou.
Ele também comentou sobre o fato de Zuckerberg ter feito referência, no vídeo em que postou detalhando as medidas, a "cortes secretas" na América Latina. Para ele, o CEO da Meta fez tacitamente referência ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Veja a íntegra das postagens de João Brant:
“O anúncio feito hoje por Mark Zuckerberg antecipa o início do governo Trump e explicita aliança da Meta com o governo dos EUA para enfrentar União Europeia, Brasil e outros países que buscam proteger direitos no ambiente online (na visão dele, os que ‘promovem censura’). (1/8)
É uma declaração fortíssima, que se refere ao STF como ‘corte secreta’, ataca os checadores de fatos (dizendo que eles ‘mais destruíram do que construíram confiança’) e questiona o viés da própria equipe de ‘trust and safety’ da Meta – para fugir da lei da Califórnia (2/8)
Ele também anuncia que vai desligar parte dos filtros que identificam violações às políticas da plataforma – especialmente sobre imigração e sobre gênero. Vai ainda reforçar o ‘contéudo cívico’ nas plataformas, o que sinaliza que topa servir de plataforma à agenda de Trump (3/8)
Em suma: 1) Facebook e Instagram vão se tornar plataformas que vão dar total peso à liberdade de expressão individual e deixar de proteger outros direitos individuais e coletivos. A repriorização do ‘discurso cívico’ significa um convite para o ativismo da extrema-direita (4/8)
2) Meta vai atuar politicamente no âmbito internacional de forma articulada com o Governo Trump para combater políticas da Europa, do Brasil e de outros países que buscam equilibrar direitos no ambiente online. (5/8)
A declaração é explícita, sinaliza que a empresa não aceita a soberania dos países sobre o funcionamento do ambiente digital e soa como antecipação de ações que serão tomadas pelo governo Trump. (6/8)
3) Meta vai asfixiar financeiramente as empresas de checagem de fatos, o que vai afetar as operações delas dentro e fora das plataformas.
O anúncio só reforça a relevância das ações em curso na Europa, no Brasil e na Austrália, envolvendo os três poderes. (7/8)
E amplia a centralidade dos esforços internacionais feitos no âmbito da ONU, UNESCO, G20 e da OCDE para reforçar a agenda de promoção da integridade da informação. (8/8)”, disse.
Também hoje, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) vê com preocupação a decisão da Meta por acabar com mediação em suas redes.
Nota:
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) vê com preocupação o anúncio de que a Meta não apoiará mais os veículos jornalísticos dedicados à checagem de fatos e ao combate à desinformação nas redes sociais.
O trabalho de agências e checadores é feito de forma criteriosa e segue regras de transparência e equilíbrio quando feito de acordo com princípios estabelecidos pela organização International Fact-Checking Network (IFCN).
É importante frisar que os profissionais desse segmento não retiram conteúdo do ar. Eles seguem um método que busca apontar erros factuais e informações enganosas que podem causar dano ao direito dos cidadãos de receberem informações verificadas.
A ação voluntária de usuários das redes não é capaz de substituir a checagem profissional de fatos, principalmente em um cenário em que a poluição do ambiente informativo provoca danos evidentes à democracia, especialmente com o avanço de ferramentas como a inteligência artificial.
A Abraji, que coordena a coalizão de veículos Comprova, focada em verificação de boatos, reitera também que o projeto não recebe fundos nem participa do programa de checagem descontinuado pela Meta nos Estados Unidos.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real.)