EUROPA E TRUMP: Emmanuel Macron disse que a Europa não pode ser "fraca e derrotista" e disse que a segunda presidência de Donald Trump não será ruim para Europa
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( Publicada originalmente às 19 h 00 do dia 06/01/2025)
(Brasília-DF, 07/01/2025) Nesta segunda-feira, 06, no Palácio do Eliseu, em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, se reuniu com os embaixadores franceses para delinear as prioridades da política externa francesa para este ano e disse que a União Europeia saiu mais forte da primeira presidência de Trump e deve continuar a ser mais independente.
O presidente francês, Emmanuel Macron, apelou à Europa para não ser "fraca e derrotista" face a uma nova presidência de Donald Trump e para acelerar o seu despertar estratégico.
Macron disse que os receios de que uma segunda presidência Trump nos EUA venha a ter um impacto negativo na Europa são exagerados.
"As perguntas eram exatamente as mesmas há oito anos. Diziam-nos o pior: o presidente Trump foi eleito, o Brexit estava aí, a Europa estava condenada", afirmou.
"Nos últimos sete anos, fizemos a nossa Europa avançar de forma resoluta e agora é capaz de enfrentar os desafios que tem pela frente", acrescentou.
"Nos últimos sete anos, fizemos a nossa Europa avançar de forma resoluta e agora é capaz de enfrentar os desafios que tem pela frente", acrescentou.
A França e a Europa foram capazes de trabalhar com a primeira administração Trump e a decisão do presidente eleito de fazer a primeira viagem internacional a Paris, no mês passado, onde "começou uma discussão estratégica" entre os dois líderes, é a prova de que o velho continente continua a ser um parceiro fundamental para Washington, defendeu Macron.
No entanto, também advertiu que "se decidirmos ser fracos e derrotistas, vamos ter poucas hipóteses de ser respeitados pelos Estados Unidos da América do presidente Trump".
Também incentivou a Europa a ser "mais rápida e mais forte" para se tornar mais soberana em áreas como a defesa e o comércio.
Macron saudou as recentes decisões da UE de criar uma capacidade de destacamento rápido de até 5.000 soldados e de aumentar a capacidade industrial, entre outras, mas disse que agora é necessário "um programa massivo de investimento europeu com uma preferência europeia".
"A questão é saber se os europeus querem ou não produzir aquilo de que necessitam para a sua própria segurança nos próximos 20 anos. É seguro apostar que, dentro de 15 a 20 anos, a prioridade americana será a sua própria defesa e muito mais em redor e no Mar da China do que na Europa. Se dependermos da base industrial e tecnológica da defesa americana, vamos ser confrontados com dilemas cruéis e dependências estratégicas vergonhosas", afirmou.
No que se refere à economia e ao comércio, Macron defendeu que a Europa "corre um risco real de ficar desfasada dos EUA e da China" e que também deve abandonar as regras estabelecidas que só ela respeita neste momento, uma vez que Washington e Pequim são muito mais protecionistas em relação às suas indústrias.
"Continuo a não compreender, numa altura em que as regras da OMC já não são respeitadas nem pela China nem pelos Estados Unidos, (porque) continuamos a fazê-lo, mas sozinhos. Não está funcionando. Vamos acordar e olhar para o que precisa ser feito", disse.
"Temos de defender a nossa política comercial e garantir um nível de concorrência justo e equitativo, e temos de defender o conteúdo europeu."
Disse também que União Europeia ainda não explorou todo o potencial do mercado único. Por isso, tem de aumentar os investimentos, nomeadamente através de empréstimos conjuntos, e deve simplificar as regras para facilitar o investimento e a inovação das empresas nacionais.
O bloco de 27 países tem, por vezes, "legislado em excesso", disse Macron, e deve agora fazer um "grande intervalo regulamentar" e "reconsiderar os regulamentos" que estão dificultando a capacidade de inovar.
O líder francês disse que vai reunir vários homólogos da UE em fevereiro para discutir a questão, com vista a apresentar propostas em março.
A chegada iminente de Trump à Sala Oval - e a sua promessa de campanha de que poderia trazer a paz nos dias seguintes ao regresso à Casa Branca - provocou receios de que Kiev pudesse ser pressionada a fazer dolorosas concessões territoriais.
Mas, segundo Macron, "o próprio novo presidente americano deixou claro que os Estados Unidos não têm hipótese de ganhar nada se a Ucrânia perder".
Washington, disse, tem de "nos ajudar a mudar a natureza da situação e a convencer a Rússia a sentar-se à mesa das negociações".
"Os ucranianos precisam de realizar discussões realistas sobre questões territoriais e só eles as podem liderar. Os europeus precisam de criar garantias de segurança, que vão ser da sua principal responsabilidade. Esta é uma realidade geográfica e geopolítica", acrescentou.
( da redação com informações da Euro News. Edição: Política Real)