31 de julho de 2025
Brasil e Economia

CRÉDITO: Segundo BC, saldo de crédito aumentou, estoque de crédito cresceu, taxa de juros teve recuo no acumulado; endividamento das famílias teve leve recuo

Veja os números

Publicado em
b432a1c8c3a594561a2f2122108c35f3.png

(Brasília-DF, 26/07/2024) O Banco Central(BC)  divulgou na manhã desta sexta-feira, 26, Estatísticas Monetárias e de Crédito com os dados atualizados até junho de 2024.​

O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro, em junho, alcançou R$17,4 trilhões (155,9% do PIB), aumentando 2,2% no mês, com expansões nos saldos de empréstimos externos (5,0%), de títulos públicos de dívida (1,7%) e de empréstimos do SFN (1,1%). Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 13,6%, destacando-se elevações dos mesmos componentes de 16,6%, 12,8% e 9,5%, respectivamente.

O crédito ampliado a empresas atingiu R$6,0 trilhões (54,1% do PIB), aumentando 3,3% no mês, com elevações nos empréstimos externos (4,9%) e do SFN (2,7%) e nos títulos de dívida (2,4%). Em relação a junho de 2023, a expansão de 14,6% refletiu aumentos de 24,3% em títulos de dívida, de 16,4% nos empréstimos externos e de 6,4% nos empréstimos do SFN.

O crédito ampliado às famílias situou-se em R$4,0 trilhões (35,5% do PIB), com aumentos de 0,6% no mês e de 11,5% em doze meses, em função do incremento nos empréstimos do SFN.

Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O estoque total de crédito do SFN cresceu 1,2% no mês, alcançando R$6,0 trilhões em junho, com aumentos de 2,2% no estoque de crédito às empresas e de 0,6% no destinado às famílias, que alcançaram R$2,3 trilhões e R$3,7 trilhões, respectivamente. Comparativamente ao mesmo período do ano anterior, o estoque total de crédito do SFN acelerou em junho, com incremento de 9,9% ante 9,1% no mês anterior. Por segmento, o crédito às pessoas jurídicas e às pessoas físicas também registraram maior ritmo de crescimento, com altas de 7,7% ante 6,5% e de 11,4% ante 10,7%, na mesma ordem.

O estoque de crédito com recursos livres aumentou 1,5% no mês e 7,8% em doze meses, totalizando R$3,5 trilhões em junho. No crédito livre às pessoas jurídicas, o estoque somou R$1,5 trilhão, com altas de 2,9% no mês e de 5,5% em doze meses. Contribuíram para esse desempenho as expansões das carteiras de desconto de duplicatas e outros recebíveis (16,4%, influenciada por fatores sazonais), financiamento a exportações (5,3%) e adiantamentos de contratos de câmbio – ACC (2,4%).

O crédito livre às pessoas físicas variou 0,5% no mês e 9,5% comparativamente a junho do ano anterior, atingindo R$2,0 trilhões. Destacaram-se as modalidades de financiamento para a aquisição de veículos (1,8%), crédito pessoal consignado para beneficiários do INSS (1,3%) e crédito pessoal para trabalhadores do setor público (0,6%).

O estoque de crédito direcionado alcançou R$2,5 trilhões em junho, com incremento de 0,8% no mês e de 13,0% em doze meses. Por segmento, o crédito direcionado às pessoas jurídicas cresceu 1,1% no mês e 11,8% em doze meses, totalizando R$834,3 bilhões. O crédito direcionado às pessoas físicas somou R$1,7 trilhão, com altas de 0,7% no mês e de 13,7% comparativamente ao mesmo período do ano anterior, com destaque para as operações de financiamento imobiliários com taxas reguladas, cuja carteira encontra-se próxima de R$1 trilhão.

As concessões de crédito do SFN somaram R$585,9 bilhões em junho. Nas séries com ajuste sazonal, as concessões totais avançaram 3,0% no mês, com crescimento de 5,3% no crédito às empresas e diminuição de 1,0% às famílias. No acumulado em doze meses até junho, as concessões avançaram 9,3%, comparativamente aos doze meses anteriores, sendo 7,3% nas operações com empresas e 11,0% nas com famílias. As concessões médias diárias em junho cresceram 7,5%, com incremento de 17,8% nas operações com pessoas jurídicas e recuo de 0,3% nas com pessoas físicas, ressaltando-se a ocorrência de um dia útil a menos em junho do que em maio.

A taxa média de juros das concessões alcançou 27,6% a.a. em junho, com recuos de 0,2 p.p. no mês e de 3,8 p.p. em doze meses. Por segmento, houve incremento de 0,4 p.p. nas operações com empresas e recuo de 0,4 p.p. nas pactuadas com famílias, situando-se, respectivamente, em 18,5% a.a. e 32,0% a.a. Comparativamente ao mesmo período do ano anterior, as taxas para ambos os segmentos recuaram em 1,4 p.p. e 5,3 p.p., na mesma ordem. O spread bancário em junho situou-se em 18,3 p.p., com redução de 0,6 p.p. no mês e de 3,4 p.p. em doze meses.

No crédito livre, a taxa média de juros situou-se em 39,6% a.a. em junho, com decréscimos de 0,3 p.p. no mês e de 4,6 p.p. em doze meses. Nas operações com empresas, a taxa média variou 0,3 p.p. no mês e -1,9 p.p. em doze meses, alcançando 20,9% a.a. No mês, prevaleceu o efeito das variações nas taxas médias das modalidades (efeito taxa), com destaque para o aumento da taxa média de capital de giro com prazo superior a 365 dias (1,7 p.p.).

No crédito livre às famílias, a taxa média de juros atingiu 51,7% a.a., redução de 0,7 p.p. no mês e de 7,4 p.p. comparativamente a junho de 2023. Esse desempenho foi influenciado, principalmente, pelas variações nas taxas das modalidades (efeito taxa), com destaque para os recuos nas operações de crédito pessoal não consignado (-6,0 p.p.) e cartão de crédito parcelado (-5,4 p.p.).

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, alcançou 21,8% a.a., com estabilidade no mês e recuo de 0,7 p.p. em 12 meses.

A inadimplência do crédito do SFN diminuiu 0,1 p.p. no mês e 0,3 p.p. em doze meses, situando-se em 3,2% em junho. Por segmento, a inadimplência da carteira de pessoas jurídicas e de pessoas físicas se mantiveram estáveis no mês, em 2,6% e 3,7%, respectivamente. Em doze meses, a inadimplência variou 0,1 p.p. nas operações pactuadas com empresas e recuou 0,5 p.p. nas com as famílias.

No crédito livre, a inadimplência alcançou 4,6%, com avanço de 0,1 p.p. no mês e redução de 0,3 p.p. na comparação com o mesmo período do ano anterior. Na carteira de crédito livre com pessoas jurídicas, a inadimplência alcançou 3,3%, com altas de 0,1 p.p. no mês e de 0,3 p.p. em doze meses. Na carteira de crédito livre às famílias, a inadimplência permaneceu estável no mês e recuou 0,8 p.p. em doze meses.

O endividamento das famílias situou-se em 47,5% em maio, com diminuições de 0,2 p.p. no mês e de 1,4 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda atingiu 25,7% em maio, significando retrações de 0,4 p.p. no mês e de 2,2 p.p. em doze meses.

Agregados monetários

A base monetária somou R$436,9 bilhões no mês de junho, crescimento de 0,1% no mês e de 8,4% em doze meses. No mesmo período, o volume de papel-moeda em circulação subiu 1,8%, enquanto as reservas bancárias recuaram 6,1%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, apresentaram expansão as operações do Tesouro Nacional (R$50,9 bilhões) e as com derivativos (R$28,6 bilhões). Impactaram no sentido contracionista as operações com títulos públicos federais (R$46,4 bilhões, resultado de colocações líquidas no mercado primário de R$57,3 bilhões e compras líquidas no mercado secundário de R$10,9 bilhões) e os depósitos de instituições financeiras (R$13,4 bilhões, influenciados pelo recolhimento de recursos de caderneta de poupança, -R$1,7 bilhão; de depósitos a prazo, -R$6,4 bilhões e  de depósitos voluntários a prazo, -R$7,1 bilhões; e também pela liberação de recursos de depósitos de garantias em espécie vinculadas a Linhas Financeiras de Liquidez – LFL, +R$1,6 bilhão). 

Os meios de pagamento restritos (M1) atingiram R$668,3 bilhões, aumento de 2,1% no mês, em decorrência do crescimento do papel-moeda em poder do público (1,1%) e dos depósitos à vista (2,9%). Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 recuou 1,1% em junho.

O M2 avançou 2,3% no mês, com saldo total de R$6,2 trilhões, refletindo o crescimento de 3,0% no saldo dos depósitos a prazo, que totalizou R$3,0 trilhões. No período, o saldo dos depósitos de poupança cresceu 1,8%, após registrar captações líquidas de R$12,8 bilhões. O M3 aumentou 1,0% em junho, totalizando R$11,5 trilhões, influenciado essencialmente pelo aumento no M2. O M4 avançou 1,3% no mês, totalizando R$12,7 trilhões. Em 12 meses a variação foi de 13,1%.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)