31 de julho de 2025
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Alexandre de Moraes suspende resolução do Conselho Federal de Medicina que proibia medida que barrava aborto legal; plenário do STF vai analisar caso no final de maio

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(Brasília-DF, 17/05/2024)   No âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 1141), ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, suspendeu uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proíbe a utilização de uma técnica clínica (assistolia fetal) para a interrupção de gestações acima de 22 semanas decorrentes de estupro. A decisão liminar será submetida a referendo do Plenário na sessão virtual que começará no próximo dia 31 de maio.

Na avaliação do ministro, há, na hipótese, indícios de abuso do poder regulamentar por parte do Conselho Federal de Medicina ao limitar a realização de procedimento médico reconhecido e recomendado pela Organização Mundial de Saúde e previsto em lei.

A assistolia fetal consiste em técnica que utiliza medicações para interromper os batimentos cardíacos do feto, antes de sua retirada do útero. Para o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), autor da ação, a proibição do uso da técnica restringiria a liberdade científica e o livre exercício profissional dos médicos, além de, na prática, submeter meninas e mulheres à manutenção de uma gestação compulsória ou à utilização de técnicas inseguras para o aborto.

Direitos

O ministro Alexandre de Moraes, ao conceder liminar, afirmou que, aparentemente, o Conselho ultrapassou sua competência regulamentar impondo tanto ao profissional de medicina quanto à gestante vítima de um estupro uma restrição de direitos não prevista em lei, “capaz de criar embaraços concretos e significativamente preocupantes para a saúde das mulheres”.

No caso de gravidez resultante de estupro, explicou o ministro, além do consentimento da vítima e da realização do procedimento por médico, a legislação brasileira não estabelece expressamente quaisquer limitações circunstanciais, procedimentais ou temporais para a realização do chamado aborto legal.

(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real.)