31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Fernando Haddad, representando Lula, esteve com banqueiros no almoço da Febraban; Alexandre Padilha, articular com o setor financeiro, disse que Haddad tem compromisso com a responsabilidade fiscal e saúde das contas pública

Issac Sidnei, presidente da Febraban, fez um longa fala e disse que não é verdade que os bancos gostam de juros altos

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(Brasília-DF, 25/11/2022)  A Febraban (Federação Nacional dos Banco) realizou nesta sexta-feira, 25, o seu tradicional almoço de final de ano oportunidade em que recebe agentes púlicos do Governo Federal. Desta vez o grande destaque foi a presença do ex—prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad que esteve representando o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva(PT).  Pelo lado do atual Governo Federal, o presidente do Banco Central(BC), Roberto Campos Neto, esteve presente.

O presidente da Federação Nacional dos Bancos, a Febraban, Issac Sidney, fez uma longa fala e destacou que é uma lenda e inverdade que o sistema financeiro tenha interesse em juros altos.

O deputado Alexandre Padilha(PT-SP), que foi um dos interlocutores com o setor financeiro durante a campanha eleitoral, esteve acompanhando Fernando Haddad no almoço na Febraban e se manifestou das redes sociais durante o evento.  Ele destacou que Haddad tem um histórico compromisso com a responsabilidade fiscal e a saúde das contas públicas.

“Estou acompanhando o almoço da  @FEBRABAN  junto com  @Haddad_Fernando , em uma conversa muito importante com o setor financeiro. O  @LulaOficial adoraria acompanhar o encontro por valorizar esse espaço de diálogo, mas neste momento precisa preservar sua voz.

O presidente Lula, no entanto, está muito bem representado pelo companheiro  @Haddad_Fernando, um exemplo de responsabilidade fiscal e defesa da saúde das contas públicas em suas gestões como Ministro da Educação e Prefeito da cidade de São Paulo.

Temos muito orgulho de ter o melhor ministro da educação e ex-candidato à presidência representando o presidente  @LulaOficial nesse importante diálogo!”, disse em três postagens.

 

Veja  mais:

Fala Isaac – Almoço anual dos Bancos - 25/11/2022

 Com especial satisfação, agradeço a presença de todos aqui.

Esse encontro não é apenas tradicional, porque ocorre anualmente; ele se reveste de um simbolismo que move e marca a indústria bancária brasileira, que é a relevância que, nós, os bancos, damos ao país.

Portanto, um evento coberto de significados para o nosso setor, que tem muito a oferecer, a compartilhar e a ajudar na busca incessante de uma trajetória de crescimento.

2022 foi um ano intenso, desafiador e, infelizmente, sob ponto de vista econômico, de poucos avanços, mas chegamos ao final com algumas certezas:

- MAIS DO QUE NUNCA, É PRECISO OLHAR PARA FRENTE;

Independentemente do governo que sai e do novo que chegará em breve, nossa obsessão será perseverar na direção de os bancos funcionarem como alavanca para o crescimento sustentável. A pauta do setor não está vinculada a ideologias dos nossos governantes; vamos contribuir com a institucionalidade e a governabilidade do país.

Criticados por muitos, os bancos não têm do que se envergonhar; nunca faltamos ao País e, nos momentos mais críticos, estivemos presentes.

Foi o que fizemos desde o início da pandemia, irrigando a economia com 13 trilhões de reais para as famílias e as empresas. Funcionamos, de um lado, como muro de contenção para evitar uma maior deterioração econômica e, de outro, atuamos como catalizadores para uma recuperação mais rápida da atividade.

- 2023 NOS CONVIDA NÃO SÓ A REFLETIRMOS E CONSTRUIRMOS SOLUÇÕES

PARA NOSSOS GRAVES PROBLEMAS, MAS NOS CONVIDA, SOBRETUDO, A

NÃO CONTINUARMOS DESAFIANDO A PRÓPRIA SORTE;

 - PRECISAMOS REAGIR AO IMOBILISMO DE UM PAÍS QUE TEM SE

 CONTENTADO COM POUCO CRESCIMENTO.

Além disso, renegociarmos mais de 22 milhões de contratos de empréstimos, com saldo devedor total de 1.5 trilhão de reais, e suspendemos 200 bilhões em prestações, dando alívio financeiro às pessoas.

A oferta de crédito não é apenas um número frio. Quando ofertarmos crédito para famílias e empresas, miramos e impulsionamos os investimentos, a produção e o consumo, geramos empregos, riqueza e desenvolvimento.

Os números são animadores e se traduzem em injeção, na veia, de recursos na atividade econômica.

Para as empresas, as concessões deram um salto de 20% neste período.

Mas ainda há um espaço enorme para expandirmos a carteira de crédito.

***

Os bancos brasileiros são um ativo do país. É um orgulho contar com a confiança de mais de 182 milhões de clientes (pessoas e empresas), que depositam em nós suas poupanças e investimentos. Por isso, temos a obrigação legal e moral de cuidar bem desse patrimônio e de ajudar o Brasil a crescer.

 Nos últimos 12 meses, encerrados em setembro, a concessão de crédito

 para financiar exportações foi 39% superior em relação ao mesmo período

 de 2021. Para importação, 98% maior.

 Na atividade rural, as concessões para pessoas físicas cresceram 38% entre

 setembro de 2022 e outubro de 2021.

  O saldo do financiamento imobiliário, que tem inegável capacidade de

 impulsionar várias cadeias da economia, ficou 14% maior para as famílias e

 25% para as empresas.

 Vamos continuar financiando projetos e investimentos com potencial de

 fomentar o crescimento.

 A chave para isso está no binômico INVESTIR E CRESCER. Temos

 experimentado um crescimento medíocre há bastante tempo, em vários

 governos, independentemente de pandemias e guerras. Não precisamos

 

 apontar culpados, pois sabemos as causas do baixo crescimento no Brasil. Se considerarmos a última década, o crescimento do nosso PIB foi menos de 0,5% ao ano, um desempenho muitíssimo aquém do nosso potencial.

Temos de mirar num crescimento mais duradouro e inclusivo.

Temos de encontrar, com equilíbrio das contas, os meios para ampliar os investimentos públicos e precisamos expandir, consideravelmente, a capacidade de atração do capital privado, que está disponível e ávido para atracar aqui.

Sem investimentos, o Brasil não chegará ao nível de crescimento de que precisamos. Não se trata de uma discussão ideológica.

Lembro que os investimentos, por exemplo, em infraestrutura são operações de longo prazo e de execução complexa. São projetos que duram de 15 a 20 anos para maturar. Isso demanda grandes investimentos, já na largada, e que só vão gerar receitas bem depois.

São investimentos de altíssimo risco e sujeitos a muita incerteza.

  O setor financeiro está pronto para financiar mais investimentos, mas o

 crédito bancário tem limitações para suportar projetos de longa duração.

 Precisamos fortalecer o mercado de capitais, que gera a chamada

 poupança de longo prazo, para complementar o mercado de crédito.

 O modelo mais eficiente é quando o setor bancário atua como originador

 das operações e financiador das fases iniciais. Uma vez que as fases iniciais

 já estejam em funcionamento, inclusive com geração de fluxo de caixa, os

 projetos precisam ser absorvidos por investidores de longo prazo (locais e

 estrangeiros) via mercado de capitais.

 Mas, para isso, o Brasil precisa voltar a ter previsibilidade.

Para o capital privado aportar recursos em empreendimentos de longo prazo são necessários, ao menos, três fatores:

O primeiro é a estabilidade macroeconômica, em especial inflação baixa, previsível e estável. A inflação alta dificulta o cálculo dos agentes econômicos, aumenta o risco das operações, afugenta os investimentos e retrai crédito de longo prazo.

Um segundo requisito é a existência de funding de longo prazo. Somente um mercado de capitais forte é capaz de absorver investimentos elevados e com longo prazo de maturação.

Por fim, o terceiro requisito para um crescimento que se sustente é o ambiente de negócios lado a lado com a segurança institucional. As regras do jogo precisam ser estabelecidas numa perspectiva de longo prazo. O

.

Há uma série de iniciativas que podem catalisar investimentos perenes, melhorando o ambiente econômico. Está na hora de encarar e de avançarmos com essas iniciativas. Temos de retomar a agenda de reformas e destaco aqui as três que considero mais importantes: a tributária, a reforma do Estado e a melhoria do ambiente de negócios.

A necessidade de reformas, infelizmente, tem se tornado uma retórica, mas precisa voltar a ser crível. Cada dia sem as reformas significa menos perspectivas econômicas.

 investimento não dialoga com surpresas institucionais, instabilidade,

 confrontos e ruídos políticos, falta de previsibilidade e de segurança

 jurídica

 Já em 2023, temos de enfrentar o modelo tributário perverso que penaliza

 o consumo, os investimentos e a produção. A Febraban insiste na

 necessidade de perseverarmos na reforma tributária. O pior cenário seria

 ficarmos presos na falta de consenso e na busca interminável de uma

 reforma ideal. Todos queremos uma reforma que:

 ✓ Destrave o crescimento econômico;

 ✓ Aumente a competividade e a produtividade;

 ✓ Crie ambiente de negócios seguro;

 ✓ Ponha fim a um modelo falido e ineficiente com 5,5 trilhões de

 contencioso tributário e 350 bilhões de subsídios fiscais.

Precisamos ainda cuidar de alguns marcos legais para baratear o elevado custo do crédito. O Brasil precisa ter um novo Marco de Garantias, para ampliar a oferta de crédito e diminuir o seu custo.

***

 Falando em custo do crédito, gostaria, agora, de tocar num assunto que

 temos muita serenidade em abordar: juros bancários

. Há uma visão equivocada, ou até de má-fé, de que os bancos gostam de juros altos porque lucram mais com juros elevados.

 O que os bancos querem – e desejam – é a economia saudável, com inflação  baixa e estável, que permita juros mais baratos, pois só assim a economia  se sustenta, o crédito se amplia e se torna acessível a um número cada vez maior de famílias e empresas.

 A questão não é se os juros bancários são altos, mas porque chegaram a esses patamares. O Brasil é o país que menos recupera garantia bancária no mundo, o que mais tempo demora e o que mais custo tem para recuperá-

 la. Além disso, o crédito no Brasil é muito tributado e o consumidor paga por isso. São esses custos, inadimplência e cunha fiscal, os que mais pesam

 nos empréstimos.

 Então, temos uma espécie de custo Brasil do crédito, há um problema estrutural de insegurança jurídica e de fragilidade do ambiente de crédito.

Portanto, o essencial é que possamos atacar de forma efetiva as causas estruturais.

As taxas de juros precisam realmente ser mais baixas, mas isso não depende apenas da vontade dos bancos e é fundamental agirmos com honestidade intelectual e debatermos com seriedade como reduzir os juros bancários.

Alguns dados revelam a importância de um debate aprofundado. Mais de 80% do spread bancário se devem aos custos de intermediação financeira, ou seja, 4/5 do spread são custos de se emprestar o dinheiro. A cada 100 reais de spread, o lucro dos bancos é, em média, 20 reais. O resto, 80 reais de 100, são custos. Se o lucro dos bancos fosse zero, ainda assim o spread seria bem elevado.

A inadimplência responde por mais de 1/3 do custo do crédito e o setor bancário brasileiro é o que tem a maior carga tributária. Além disso, somos um dos 3 países que tributa a receita com a intermediação financeira.

Isso tudo vai parar no custo do dinheiro para quem toma crédito.

 Sem qualquer hesitação, afirmo: os bancos querem, defendem e buscam a redução do custo dos empréstimos. Com juros e spread menores, amplia-se a base de clientes e alavanca-se a atividade econômica.

Apesar dessas anomalias, o país conta com um setor bancário forte, bem capitalizado, rentável, muito seguro e eficiente.

Nos últimos anos, a rentabilidade do nosso setor vem caindo e a concentração diminuindo.

 um problema em si ou um pecado capital.

Muitas vezes, os bancos só

 são lembrados quando seus balanços são divulgados, como se lucro fosse

  A rentabilidade do setor bancário é sinal de resiliência e de robustez. Ao

 contrário do que o senso comum aponta, a nossa rentabilidade não é

 excepcional, nem está desalinhada da realidade de outros setores da

 economia brasileira.

 Entre as mil maiores empresas do Brasil, os bancos ficaram em 18o lugar na

  rentabilidade setorial no ano de 2021, ou seja, outros 17 setores foram mais

  lucrativos que os bancos.

 Outro dado importante: quando comparamos o setor bancário brasileiro

 com o de outros países, sobretudo nos chamados países emergentes, nosso

 setor também não é mais rentável. Levantamento da revista britânica The

 Banker, com os 1000 maiores bancos do mundo, mostra que o setor

 bancário brasileiro não está entre os mais rentáveis.

Temos um setor bancário extremamente competitivo e, mais que isso, aberto à entrada de novos concorrentes, tanto locais como estrangeiros. Não existem barreiras regulatórias que impeçam o ingresso de novos concorrentes em nosso mercado bancário.

Aliás, se o setor bancário brasileiro tivesse uma rentabilidade excepcional e, sendo aberto à entrada de novos concorrentes, qual a razão de não haver grandes players globais no nosso setor? Por que, infelizmente, alguns grandes bancos estrangeiros deixaram o mercado bancário de varejo no Brasil?

***

Os bancos, portanto, estão ao lado do país. Uma economia forte é um jogo

de ganha-ganha para os governos, empresários e os cidadãos.

Crescer não é uma fantasia econômica, uma bandeira política ou uma meta matemática para agradar economistas e investidores. Trata-se de uma necessidade imperiosa, que gera empregos, riqueza e bem-estar social.

 

Ficar estagnado aumenta a pobreza e a miséria, e leva a um círculo vicioso. Crescer e acabar com a pobreza é um dever e uma necessidade de todos.

O setor bancário está convicto de que o Brasil deve e pode crescer a taxas mais promissoras. Mas o crescimento não depende apenas da vontade política dos governantes. Sem arrumarmos a casa — sem as reformas, sem crescermos —, não iremos a lugar nenhum.

Precisamos construir um caminho para, com transparência e previsibilidade, conciliarmos as pressões fiscais e a agenda social.

O crescimento e a geração de emprego e renda são a política social mais eficiente que pode existir. Sou a favor das políticas de distribuição de recursos para os mais vulneráveis, mas, sem o país crescer, daqui a pouco não teremos o que distribuir. Não há política social que se sustente sem o país crescer em níveis elevados e por períodos prolongados.

Nada disso é trivial, mas gostaria de finalizar com uma mensagem de otimismo por parte dos bancos. Confiamos na capacidade de empreendedorismo do Brasil e na capacidade do setor privado em alavancar o país.

Os bancos não desejam regras e normas favoráveis para o setor; não iremos pleitear favores ao novo governo. O que desejamos é maior previsibilidade com um horizonte que mitigue as incertezas e aumente a confiança dos agentes econômicos.

Isso faz parte de um processo natural de amadurecimento institucional em torno, não necessariamente de pessoas, mas de temas que aproximam o estado e o setor privado.

Muito obrigado.

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)