31 de julho de 2025
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CARTA DA CPI PARA BOLSONARO: Senadores querem que Bolsonaro esclareça as denúncias de Luís Miranda sobre Ricardo Barros; Veja a íntegra da carta/ofício que foi protocolada no Palácio do Planalto

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( Publicada originalmente às 15h 30 do dia 08/07/2021) 

(Brasília-DF, 09/07/2021) Nesta quinta-feira, 8, um funcionário da CPI da Pandemina no Senado Federal foi ao Palácio do Planalto e encaminhou um ofício, como se carta fosse, dirigida ao Presidente Jair Bolsonaro(sem partido). O documento foi protocolado na sede oficial da Presidência da República, informou hoje o presidente do colegiado, senador Omar Aziz( PSD-AM). 

A “carta” que é assinada tanto por Aziz como pelo Vice-Presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues(Rede-AP) e o relator Renan Calheiros(MDB-AL). É cobrado posicionamento do presidente da República sobre as acusações apresentadas à comissão pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que completam 13 dias, hoje.

“Solicitamos, em caráter de urgência, diante da gravidade das imputações feitas a uma figura central desta administração, que Vossa Excelência desminta ou confirme o teor das declarações do deputado Luis Miranda”, diz a cúpula da CPI na carta.

“Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição tão grave dos ombros deste experimentado político, o deputado Ricardo Barros, o qual serve seu governo em uma função proeminente”, prosseguem os parlamentares.

“O propósito desta iniciativa é de colaboração, esclarecimento e elucidação dos fatos. Frisamos que a manifestação do silêncio de Vossa Excelência, em relação a este fato específico, cria uma situação duplamente perturbadora.”

A mensagem endereçada ao presidente da República registra que Luis Miranda, em depoimento à CPI em 25 de junho, afirmou que Bolsonaro citou o nome do também deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), que é líder do governo, quando soube de possíveis irregularidades na compra de vacinas anticovid.

A cúpula da CPI registra na carta, ainda, que Bolsonaro não se manifestou sobre a acusação até o momento.

Os senadores destacam que esta situação está expondo muito o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros(Progressistas-PR).

Veja  AQUI A íntegra do documento e leia em seguir o texto do documento:

 

Brasília, 8 de julho de 2021

 

A Sua Excelência o Senhor

Jair Messias Bolsonaro

Presidente da República Federativa do Brasil

 

Senhor Presidente,

 

Como é de conhecimento público, foram realizados no plenário desta Comissão Parlamentar de inquérito, no último dia 25 de junho de 2021, os depoimentos do Deputado Luís Miranda e de seu irmão, o servidor público Luís Ricardo Miranda.

 

Entre os inúmeros temas tratados, os depoentes descreveram em detalhes o encontro que mantiveram com Vossa Excelência, no Palácio da Alvorada, no dia 20 de março de 2021, ocasião na qual teriam lhe alertado a respeito do vícios insanáveis e indícios de ilegalidades na documentação referente à importação de 20 milhões de doses da vacina Covaxin.

 

Um dos temas mais sensíveis, motivo deste expediente especificamente, constitui a referência que teria sido feita por Vossa Excelência ao Líder do Governo na Câmara dos Deputados, Deputado Ricardo Barros.

 

Segundo o deputado Luís Miranda, Vossa Excelência teria dito o que se segue, conforme consta registrado da notas taquigráficas:

 

“O presidente entendeu a gravidade. Olhando nos meus olhos, ele falou: “Isso é grave!”.

 

“Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome para mim, dizendo: “Isso é coisa de fulano”. “Vou acionar o DG da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave, isso que está ocorrendo”.

 

Posteriormente, o Deputado Luís Miranda, declarou à CPI: “Foi o Ricardo Barros que o presidente falou. Foi o nome Ricardo Barros”.

 

Solicitamos, em caráter de urgência, diante da gravidade das imputações feitas a uma figura central desta administração, que Vossa Excelência desminta ou confirme o teor das declarações do Deputado Luís Miranda.

 

Tomamos essa iniciativa de maneira formal, tendo em vista que no dia de hoje, após 13 (treze) dias, vossa Excelência não emitiu qualquer manifestação afastando, de forma categórica, pontual e esclarecedora, as graves afirmações atribuídas a vossa excelência, que recaem sobre o líder de seu governo.

 

Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição tão grave dos ombros deste experimentado político, o Deputado Ricardo Barros, o qual serve seu governo em uma função proeminente.

 

O propósito desta iniciativa é de colaboração, esclarecimento e elucidação dos fatos. Frisamos que a manutenção do silencio de vossa Excelência, em relação a este fato específico, cria uma situação duplamente perturbadora.

 

De um lado, contribui para a excreção do Deputado Ricardo Barros, ao não contato com o desmentido firme e forte daquele que participou da conversa com os irmãos Miranda.

 

Segundo, ao não desmentir o relato do Deputado Luís Miranda, impede-se que, em não sendo verdadeiras as referenciadas informações, sejam tomadas medidas disciplinares pertinentes, porquanto é inadmissível que um parlamentar, no exercício do mandato, faça tal afirmação envolvendo o Presidente da República e Líder do Governo e, sendo inverídica, não responda por este grave ato.

 

Caso Vossa Excelência desminta, de forma assertiva, as palavras do Deputado Luís Miranda, essa Comissão Parlamentar de Inquérito se compromete a dele solicitar esclarecimentos adicionais e provas do que disse, e, na hipótese de nao haver provas, tornar claro que se trata apenas um conflito de versões. Ademais, em havendo tal conflito, será permitido à sociedade que tenha o direito de saber a verdade sobre os fatos.

 

Diante do exposto, rogamos a Vossa Excelência que se posicione, de maneira clara, cristalina, republicana e institucional, inspirando-se no Salmo tantas vezes em suas declarações de jornadas pelo País: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

 

Respeitosamente,

 

Senador Omar Aziz

Presidente da CPIPANDEMIA

 

Senador Randolfe Rodrigues

Vice-presidente da CPIPANDEMIA

 

Senador Renan Calheiros

Relator da CPIPANDEMIA

 

 

( da redação com informações de assessoria e redes sociais. Edição: Genésio Araújo Jr)