31 de julho de 2025
Brasil e Poder

CPI DA PANDEMIA: Roberto Dias chama Dominguetti de “picareta”, nega acusação e coloca dúvidas sobre o deputado Luís Miranda

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( Publicada originalmente às 11h00 do dia 07/07/2021) 

(Brasília-DF, 08/07/2021)A CPI da Pandemia no Senado recebe na manhã desta quarta-feira, 7, o ex-diretor de logística do Ministério da Saude, Roberto Dias, para falar como testemunha após ser citado pelos irmão Miranda, por ter feito pressão para autorizar a importação da vacina covaxin, assim como pela acusação  do cabo da PM de Minas Gerais e representante da Davati  Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti,  por ter pedido 1 dólar de vantagem em cada dose de vacina de combate ao covid-19 a ser comprada pelo Ministério da Saude. Roberto Dias diz que é inocente, que nunca pediu vantagens para ninguém na sua atuação como servidor público.

Dias chamou Dominguetti é “picareta”  e levantou dúvidas sobre os irmãos Miranda e o deputado Luís Miranda(DEM-DF).

“Acerca da ligação do Sr. Dominguetti, nunca houve nenhum pedido meu a esse senhor, além de documentos que nunca foram apresentados. O mesmo já reconheceu à CPI que nunca antes daquela data havia estado comigo. Estou sendo acusado sem provas por dois cidadãos: o Sr. Dominguetti, que aqui nesta CPI foi constatado ser um picareta que tentava aplicar golpes em prefeituras e no Ministério da Saúde e, durante sua audiência, deu mais uma prova de sua desonestidade, mostrando não ser merecedor de nenhum crédito por parte desta Casa; o nobre Deputado Federal Luis Miranda, conforme notícias relatam, possui um currículo controverso que me abstenho de citar e é de domínio público.”, disse.

 

Veja a íntegra da declaração inicial de Roberto Dias no início de sua oitiva aos sendores :

 

Meu nome é Roberto Ferreira Dias, servidor público de carreira há quase 20 anos. Agradeço muito pela oportunidade de poder falar e restabelecer a verdade. Meu único pedido aqui é poder falar.

Estou há mais de dez dias sendo massacrado e citado em todos os veículos de comunicação, sem que haja uma única prova ou indício que sustente tais alegações. Talvez a característica mais marcante que julgo ter tido, o que tem impulsionado minha carreira até aqui, foi a causadora desta tragédia em que fui envolvido: a iniciativa. Iniciativa, principalmente, em um momento de pandemia. Nunca pedi nenhum tipo de vantagem ao Sr. Dominguetti nem a ninguém.

Os dez primeiros anos de minha carreira foram servindo à Força Aérea Brasileira, desempenhando, na maior parte do tempo, a função de controlador de tráfego aéreo; seis anos como funcionário da Companhia de Habitação do Paraná; um ano como gestor da Secretaria de Infraestrutura e Logística; e, nos últimos dois anos e meio, cedido ao Ministério da Saúde, no Departamento de Logística. Sou graduado em Logística, pós-graduando em Direito Administrativo e Administração Pública. Tenho quase dez anos de experiência como gestor público. Com destaque, fui Diretor-geral da Secretaria de Administração e Logística do Paraná e Vice-Presidente do Conselho de Administração do Porto de Paranaguá, motivo pelo qual recebi o convite para integrar a equipe de transição do Ministro Mandetta, convite este que se renovou a cada troca de ministro.

Em 25 de junho, fui injustamente acusado nesta CPI de pressionar um funcionário chefe da divisão de importação e, como prova, foi demonstrada uma mensagem encaminhada às 20h46 de um sábado, dia 20 de março, onde eu perguntava: "Como está a LI da vacina?". Essa é a única frase que a mim atribuem na apresentação como prova de pressão indevida. Já não bastasse a falta de materialidade, a mensagem em nada se referia à Covaxin, até porque, em um sábado à noite, nada neste processo teria mudado.

Pois bem, o teor da minha mensagem se referia à LI da vacina AstraZeneca, que chegaria no domingo, dia 21 de março, um dia depois do envio daquela mensagem, e contaria com a presença do Ministro da Saúde e outras autoridades em seu desembarque no aeroporto de Guarulhos, como, de fato, aconteceu. Minha preocupação era de que a vacina estivesse sem nenhum problema em seu desembaraço sanitário e aduaneiro que viesse a gerar algum constrangimento à presença do Ministro.

Ao longo da pandemia, fizemos diversas operações como essa. Tal evento contou com a presença do Ministro da Saúde, da representante da Opas e até com a presença do ilustre Deputado Luis Miranda. Foi registrado e amplamente divulgado pela mídia.

Acerca da denúncia do Deputado Luis Miranda a respeito da Covaxin, não tive participação alguma na escolha da empresa, do produto, dos quantitativos disponíveis, do cronograma de entrega ou da definição de preço, nem tampouco condições contratuais, a mim cabendo, no âmbito das vacinas Covid-19, atos ordinários para a consecução do processo administrativo e medidas operacionais de logística. Friso: nunca houve pressão minha sobre o funcionário, muito menos aquela mensagem retrata tal fato.

Acerca do jantar. No dia 25 de fevereiro, fui tomar um chope com um amigo no restaurante Vasto. Em dado momento, se dirigiu à mesa o Coronel Blanco, acompanhado de uma pessoa que se apresentou como Dominguetti. Feitas as apresentações, o Sr. Dominguetti disse representar uma empresa que possuía 400 milhões de doses de vacina da fabricante AstraZeneca. Nesse momento, eu disse que isso já havia circulado no ministério, mas nunca teria sido apresentada a documentação necessária, e citei o nome do Sr. Cristiano. O mesmo disse que era parceiro comercial do Sr. Cristiano e que sua empresa teria tais documentos. Então pedi que encaminhasse um pedido formal de agenda ao ministério, que, em agenda oficial, se sua documentação fosse consistente, um processo seria aberto e encaminhado à secretaria-executiva para providências, uma vez que a ela cabia toda a negociação de vacinas Covid-19.

Chegando ao ministério, o Sr. Dominguetti foi atendido por mim na presença de outra servidora. Os documentos se mostraram mais do mesmo, não havia carta de representação do fabricante. Entretanto, o mesmo alegou que a receberia em instantes. Disse então que possuía outra agenda, mas que, se ele quisesse aguardar, ficasse à vontade na sala ao lado. Tempos depois, o mesmo se despediu, disse que teria que ir embora, e nunca mais tive notícias, como de diversos outros ofertantes de vacina.

Acerca da ligação do Sr. Dominguetti, nunca houve nenhum pedido meu a esse senhor, além de documentos que nunca foram apresentados. O mesmo já reconheceu à CPI que nunca antes daquela data havia estado comigo. Estou sendo acusado sem provas por dois cidadãos: o Sr. Dominguetti, que aqui nesta CPI foi constatado ser um picareta que tentava aplicar golpes em prefeituras e no Ministério da Saúde e, durante sua audiência, deu mais uma prova de sua desonestidade, mostrando não ser merecedor de nenhum crédito por parte desta Casa; o nobre Deputado Federal Luis Miranda, conforme notícias relatam, possui um currículo controverso que me abstenho de citar e é de domínio público.

Causa estranheza que tais eventos que, aparentemente, não possuíam nenhuma correlação comecem a se interligar conforme os fatos que seguem: em áudio divulgado durante a CPI, onde, da mesma forma mentirosa como tem agido em relação a esse caso, o Sr. Dominguetti tentou atribuir conversa que se tratava aparentemente de comércio de luvas à comercialização de vacinas ao eminente Deputado; na tentativa de refutar essa acusação, o Deputado registrou uma ata notarial da conversa, que teve como origem o áudio exibido na CPI.

Ao longo da transcrição, constatamos alguns fatos. O Deputado disse que não comercializava produtos para saúde. Negou, sob o compromisso de não mentir na CPI, ter negócios nesse ramo. Mentiu, pois, conforme a ata notarial retrata, em que pese o diálogo não ser sobre vacinas, era sobre produtos para saúde, luvas, EPI, amplamente comercializados durante a pandemia. Seu interlocutor que figura na ata como "Rafael Alves Luvas" se identifica como equipe do Sr. Cristiano e figurou também em cópias de mensagens de e-mails entre o Sr. Cristiano e o Ministério da Saúde. O Deputado mentiu. Fazia negócios na área da saúde, diferentemente do que alegou. Conforme demonstrado, possuía contato direto ou indiretamente com o Sr. Cristiano desde pelo menos 15 de setembro de 2020.

Estranho depreender que todas as falsas e fantasiosas acusações de alguma forma se ligam ao Deputado Luis Miranda. A primeira em virtude da lotação funcional do seu irmão, que o subsidiou equivocadamente com documentos, invoices, que provocaram uma grande confusão. A segunda, tão sem pé nem cabeça quanto a primeira, acidentalmente demonstrou existir vínculo comercial entre o Sr. Cristiano e o Deputado Luis Miranda. A terceira, o Sr. Cristiano ligou para o Sr. Dominguetti, juntamente com uma repórter da Folha, para que esse último contasse toda essa história fantasiosa.

A grande verdade é que estou sendo vítima de ataques contra minha honra e integridade por duas pessoas desqualificadas, sem que nada, absolutamente nada, tenha sido provado e nem será. Só se pode provar aquilo que é feito e, como nunca fiz, nunca será provado. A pergunta mais importante que fica: teria eu atrapalhado algum negócio do ilustre Deputado? Quem é Cristiano? Qual o interesse em me prejudicar? Por que só depois de três a quatro meses aparecem tais fantasiosos eventos referentes à minha pessoa?

Até o momento, noticiava-se que o Deputado teria sido preterido em expectativas políticas que almejava. Teria, então, tido pretensões negociais e econômicas frustradas também? Confesso que neguei um pedido de cargo para o seu irmão servidor e, por um momento, imaginei que pudesse ser uma retaliação. E confesso que sempre achei desproporcional demais. Mas agora o que se deslinda é a possibilidade de ter ocorrido uma frustração no campo econômico também.

Por fim, meu currículo deixa clara minha trajetória técnica no serviço público, na qualidade de servidor, ao contrário da ficha corrida de ambos. Já foi providenciada pela equipe jurídica apresentação de queixa-crime por calúnia e difamação contra os envolvidos.

Obrigado."

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)