31 de julho de 2025
Brasil e Poder

CPI DA PANDEMIA: Senadores aprovam oitiva reservada de Wilson Witzel; Jorginho Mello disse que “condenado” não tem direito de escolher onde pode ser ouvido

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( Publicada originalmente às 13h 06 do dia 23/06/2021) 

(Brasília-DF, 24/06/2021). O plenário da CPI da Pandemia no Senado aprovou, para críticas redobradas dos senadores que apoiam o Palácio do Planalto, do requerimento oitiva reservada do ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel(PSC), que falou à CPI na semana passada, dia 16, se negou a responder várias perguntas, e se prontificou a falar reservadamente aos senadores.  

A nova convocação de Witzel gerou irritação e debates, pois Witzel é considerado um inimigo da Família Bolsonaro justo no berço eleitoral, o Rio de Janeiro. Os senadores Marcos Rogério (DEM-RO) e Ciro Nogueira (PP-PI) questionaram a ausência, no requerimento, do local da sessão secreta. Jorginho Mello (PL-SC) afirmou que o ex-governador, cassado pelo Superior Tribunal de Justiça por acusações de corrupção, não pode determinar onde será ouvido.

“Sr. Presidente, Sr. Presidente, eu entendo o seguinte, de forma muito clara: condenado não tem que estar impondo lugar pra ser ouvido. Ele não tem moral nenhuma pra fazer nós corrermos atrás dele lá no Rio de Janeiro. Eu concordo com o requerimento, mas ele tem que vir aqui ao Senado da República. Nós não podemos gastar mais dinheiro público com quem fez patifaria. Se ele tem dificuldade em andar na rua, no avião de carreira, é porque ele botou a mão no baleiro, e picareta tem que ser utilizado pelo povo brasileiro. Então, não tem que ir atrás dele lá no Rio de Janeiro, não. Ele tem que vir depor nesta CPI, ele não pode ter privilégio nenhum.”, disse o senador Jorginho Mello(PL-SC), vice-líder do governo.

Os requerentes, Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Randolfe, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), lembraram o fato grave apontado por Witzel — a existência de uma máfia que controla os hospitais federais do Rio de Janeiro — e as ameaças à vida do ex-governador para justificar a diligência.

Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado, perguntou que encaminhamento será dado a eventuais acusações de Witzel que não tenham relação com o objeto da comissão.

“Todos sabem que há uma disputa política entre o ex-governador e o grupo político do presidente [Jair Bolsonaro]. Não podemos cair nessas armadilhas.”, disse.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz, disse que fatos conexos podem ser investigados.

“Ele fez uma acusação muito grave: os hospitais federais do Rio têm dono. E não podemos fazer ouvidos de mercadoo”, concluiu, acrescentando que o local do novo depoimento de Witzel será definido oportunamente, podendo ser até mesmo em uma sala do Senado Federal.

A pedido do senador Ciro Nogueira, mesmo destacado, foi adiada a convocação de Thais Amaral Moura, assessora especial da Secretaria de Assuntos Parlamentares da Presidência da República. No requerimento, Randolfe  Rodrigues alega que ela seria "um elo" entre o governo Bolsonaro e a Precisa Medicamentos, empresa intermediária da compra da vacina indiana Covaxin, sob suspeita de superfaturamento.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)