Depois que Bolsonaro xingou a imprensa por conta das avaliações sobre as 500 mil mortes, autoridades e políticos se manifestam; Rodrigo Pacheco disse que se deve respeitar imprensa livre mesmo na discórdia
Veja mais
( Publicada originalmente às 18h 37 do dia 21/06/2021)
(Brasília-DF, 22/06/2021) O presidente Jair Bolsonaro(sem partido) após participar nesta segunda-feira, 21, pela manhã de formatura de sargentos da aeronáutica em evento em Guaratinguetá(SP) ao ser abordado pela imprensa, ele que hoje se solidarizou com os mais 500 mil mortes pelo covid, oportunidade em que voltou a defender o chamado tratamento precoce, fez críticas a imprensa e fez xingamentos além de afirmar que usava máscaras quando achasse melhor. Ele destratou repórter da "TV Vanguarda", afiliada da TV Globo, durante a entrevista ele fez novos xingamentos e mandou a repórter se calar ao ela lembrar que ficar sem máscaras é motivo de multa no estado de São Paulo. Houve solidariedade com jornalistas e imprensa de autoridades e personalidades após a divulgação do vídeo com os xingamentos. Chamou atenção a fala do presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco(DEM-MG). Ele disse que a imprensa deve ser respeitada e deixa-la livre para cumprir seu dever mesmo na divergência.
“A Covid, as mortes e os reflexos sobre o país, embora possam aflorar maus sentimentos, impõem absoluta necessidade de união em torno de soluções. Parte fundamental desse esforço é a Imprensa, que deve ser respeitada e livre para cumprir o dever de informar, mesmo na divergência.”, disse Pacheco
Mais
O governador de São Paulo, João Dória(PSDB), também comentou.
“Lamentável mais um surto verborrágico do presidente Bolsonaro contra a imprensa. O ato demonstra sua intolerância e descontrole. Minha solidariedade à jornalista agredida e aos profissionais atacados. A liberdade de imprensa é um direito que o atual governo insiste em confrontar.”, disse.
O ex-ministro, Henrique Mandetta, destacou em sua conta no Twitter a postura presidencial com a imprensa.
“É preciso sabedoria para liderar o país. É preciso ter respeito com a imprensa. É preciso alma para estar junto. É preciso sensibilidade para pacificar. E um presidente desequilibrado não é preciso.”, disse.
A Associação Brasileira de Imprensa(ABI) chegou a pedir que o Presidente renuncie ao cargo.
“Renuncie, presidente! Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento de Bolsonaro insultando jornalistas”, disse.
O senador Alessandro Vieira(Cidadania-SE) também se manifestou sobre o episódio.
“Não se deve confundir falta de educação e desrespeito com autenticidade ou coisa parecida. Bolsonaro tenta esconder com gritos e ofensas sua incapacidade de responder sobre coisas básicas, como os 500 mil mortos da COVID ou os cheques do Queiroz.
Democracia exige imprensa livre para perguntar e autoridades decentes disponíveis para responder. Vamos trabalhar para que este surto autoritário seja superado pela melhor vacina que existe, o voto! Não vão nos calar. #500MilMortos #CPIdaCovid”, disse.
O senador Omar Aziz(PSD-AM) divulgou nota em solidariedade a jornalista da TV Vanguarda, afiliada da Globo, que foi agredida pelo presidente Bolsonaro.
“Desejo os melhores sentimentos para a jornalista Laurene Santos, que foi vítima de agressão verbal por parte do presidente da República. Gostemos ou não, o jornalismo sério é fundamental em qualquer democracia e os que fazem disso sua lida devem ser respeitados.
Espero que os ‘defensores’ da médica Nise Yamaguchi se solidarizem com a jornalista e que os advogados dela processem o senhor Jair Bolsonaro pelo show de misoginia desta tarde. Laurene não esmoreça. Seu trabalho é importante para o Brasil melhor que todos sonhamos.”, disse.
Os senadores da CPI da Pandemia divulgaram nota após a fala de Bolsonaro contra a imprensa.
Tentar calar e agredir a imprensa é típico de fascistas e de pessoas avessas a democracia brasileira.
Asseguramos que os responsáveis pagarão por seus erros, omissões, desprezos e deboches. Não chegamos a esse quadro devastador, desumano, por acaso.
Há culpados e eles, no que depender da CPI, serão punidos exemplarmente. Os crimes contra a humanidade, os morticínios e os genocídios não se apagam e nem prescreveram.
Omar Aziz Presidente CPI
Randolfe Rodrigues Vice presidente
Renan Calheiros Relator
Tasso Jereissati
Otto Alencar
Eduardo Braga
Humberto Costa
Alessandro Vieira
Rogério Carvalho
Eliziane Gama”, finaliza a nota
Como foi
O presidente Jair Bolsonaro, pela manhã, logo no início da entrevista disparou xingamentos e mostrou descontrole. Veja alguns dos destaques da fala:
“Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria de imprensa”, disse.
“Você quer fazer uma pergunta decente? Eu respondo. Você é da Globo? Não quero conversa com a Globo, não”, respondeu.
“Cala a boca, vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha que não ajuda em nada. Vocês destroem a família brasileira, destroem a religião brasileira. Vocês não prestam”, disse.
“A Rede Globo não presta. É um péssimo órgão de informação. Se você não não assiste à Globo, você não tem informação. Se você assiste, está desinformado. Você tinha que ter vergonha na cara por prestar um serviço porco desse”, finalizou.
“Vocês acham que vou me consultar com Bonner ou com Míriam Leitão sobre esse assunto? Parem que tocar no assunto. Me botem no Jornal Nacional agora. Estou sem máscara em Guaratinguetá. Está feliz agora?”, questionou.
CNN
Ele também fez censura a CNN Brasil e reclamou para repórtes da franquia nacional da CNN.
“CNN? Vocês elogiam a passeata agora de domingo né? Jogaram fogos de artifício em vocês e vocês elogiaram ainda”, afirmou Bolsonaro a repórteres
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)