ENERGIA: Diretor da Aneel disse que conta de luz deve ficar 20% mais cara em 2021, mas descartou racionamento; Danilo Forte falou de sua preocupação com o Nordeste
Cristiano Aureo, que também pediu evento pela Câmara, salientou que não se pode demonizar as térmicas
( Publicada originalmente às 16h 45 do dia 15/06/2021)
(Brasília-DF, 16/06/2021) O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, nesta terça-feita, 15, afirmou que a conta de energia elétrica deve ter um reajuste de 20 % em função do uso das usinas térmicas. Com a seca e a baixa no nível dos reservatórios entra em cena o uso das termelétricas, a saída apontada pelo governo como mais viável, para superar a falta de recursos. A questão é que as usinas térmicas alteram a bandeira tarifária. De acordo com a ANEEL a cobrança pode chegar a R$ 7,57 por cada 100 kWh, mas é possível que o reajuste seja ainda maior.
Por outro lado ele disse que as medidas anunciadas pelo governo para garantir o fornecimento de energia elétrica este ano, como o acionamento de todas as usinas termelétricas disponíveis e o aumento da importação de energia da Argentina e Uruguai, devem afastar o risco de racionamento no curto prazo.
Ele falou na audiência pública da Comissão de Minas de Energia. Estiveram na renião, também, estiveram presentes representantes de Aneel, ONS, Inpe, Agência Nacional de Águas (ANA) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A reunião foi pedida pelo deputado Danilo Forte(PSDB-CE), preocupado com a crise hídrica no Nordeste, e Christino Áureo (PP-RJ).
Danilo Forte expôs suas posições
Durante o debate na câmara dos deputados, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, reconheceu que a situação merece atenção. O diretor-geral afirmou que até o final de novembro deste ano o país não enfrentará risco de racionamento, mas apontou medidas já adotadas para afastar a ameaça de um novo apagão. Além do aumento da geração térmica, a importação de energia dos vizinhos Uruguai e Argentina. A flexibilização de restrições nas bacias dos rios São Francisco e Paraná, são saídas também consideradas viáveis para enfrentar a crise, assim como a antecipação de obras de transmissão e uma forte campanha de uso consciente da água e da energia.
O deputado Danilo Forte criticou o texto a MP 1031/2021. ”Um jabotizal que inviabiliza economicamente a retomada do país e que cria mais despesa do que receita e que vai na contra mão de tudo que nós estamos planejando para o futuro. Querem colocar os gasômetros no nordeste. Uma incoerência total. Se as renováveis tem um potencial incalculável, por que não vamos dar vazão? nós temos condições de colocar de 14 a 16 GW, se anteciparmos o linhão do nordeste, sul e sudeste, que é onde está a demanda e o consumo.
O deputado cearense também cobrou uma participação mais efetiva do executivo. “É necessário uma participação do executivo com uma atitude mais concreta. Estamos há 3 meses tentando votar a GD (Geração Distribuída) e não tem um posicionamento do governo, é necessário que tenha e a minha expectativa é que a gente possa na reunião do dia 23 com o Ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, possa construir essa solução. Acho que a gente precisa caminhar junto na perspectiva da solução do problema. A análise do diagnóstico foi perfeita por todos, mas a solução do problema, eu ainda estou muito esperançoso que nós possamos alcançar”, disse o deputado durante a audiência.
Também convidado à audiência pública, o coordenador-geral de Ciências da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilvan Sampaio, disse que a cada ano a estação seca tem começado mais cedo e se prolongado mais em todo o País. “Isso é recorrente nos últimos 20 anos”, afirmou.
O deputado Christino Áureo destacou a importância da diversificação da matriz energética brasileira nos últimos anos, mas disse que o País não pode abrir mão das fontes fósseis. “Não podemos demonizar o uso de fontes fósseis, especialmente das térmicas. Elas nos darão um suporte muito grande nessa travessia”, afirmou.
( da redação com informações de assessorias. Edição: Genésio Araújo Jr)