BRASIL/EUA: Bolsonaro envia carta ao presidente dos EUA afirmando que se compromete a por fim ao desmatamento ilegal da Amazônia
Missiva do presidente brasileiro ao novo dirigente da maior potência do mundo acontece em meio a denúncia de ambientalistas de que os governos dos dois países estariam promovendo um acordo "secreto" que não contemplariam indigenistas
( Publicada originalmente às 17h 30 do dia 15/04/2021)
(Brasília-DF, 16/04/2021) Após a maioria dos governadores articular a elaboração de uma carta a ser enviada para o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), John Biden, sem interlocução com o governo federal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enviou nessa quarta-feira, 14, uma missiva ao então novo dirigente daquele país – maior potência econômica e militar do planeta, afirmando que se compromete a por fim ao desmatamento ilegal da Amazônia. O inteiro teor da carta só foi divulgado nesta quinta-feira
O documento assinado pelo presidente brasileiro a Biden acontece, ainda, em meio a uma denúncia feita por ambientalistas de que os governos dos dois países estariam promovendo um acordo "secreto" que não contemplariam a população nativa e originária da região, as tribos indígenas. No texto encaminhado ao governo dos EUA e divulgado pelo Palácio do Planalto, o governo brasileiro muda o tom que até então tinha com relação as políticas públicas adotadas àquela região, em que frisava que o país não precisava de ajuda internacional para manter a floresta de pé, ao mesmo tempo em que buscava o desenvolvimento da Amazônia e dos amazônidas.
Numa nova roupagem de iniciativas necessárias para a região, Bolsonaro destaca que o Brasil precisa do apoio internacional e de somas de recursos "vultosos" para garantir a preservação das reservas florestais. Este ponto da carta endereçada a Biden colide com as decisões tomadas no início do seu mandato – quando entrou em conflito com países como a Alemanha, Dinamarca, Noruega e Suécia, ao afirmar que as exigências que estas nações faziam ao país para doar recursos para a manutenção de áreas ambientais não condizia com a necessidade de garantir o desenvolvimento daquela parte do Brasil.
"Reitero o compromisso do Brasil e de meu governo com os esforços internacionais de proteção do meio ambiente, combate à mudança do clima e promoção do desenvolvimento sustentável. Teremos enorme satisfação trabalhar em parceria com vossa excelência em torno desses objetivos comuns. À luz dessa iniciativa, queria muito compartilhar com vossa excelência o muito que o Brasil tem feito pela conservação do meio ambiente, bem como pretendemos fazer para que as próximas gerações possam orgulhar-se do patrimônio incalculável que nos tocou preservar. Estou convencido de que, nesse esforço, encontraremos oportunidades de intensificar as excelentes relações entre os nossos governos e nossas sociedades, unidos por valores e sensibilidades comuns", inicia Bolsonaro na carta de sete páginas destinada a Biden.
"Ao sublinhar a ambição das metas que assumimos, vejo-me na contingência de salientar, uma vez mais, a necessidade de obter o adequado apoio da comunidade internacional, na escala, volume e velocidade compatíveis com a magnitude e a urgência dos desafios a serem enfrentados. Se, como creio ser o caso, a sua administração deseja associar-se a objetivo tão ambicioso como meritório como o do desmatamento ilegal zero em 2.030, apreciaria muito contar com o seu engajamento pessoal nessa causa. Inspira-nos a crença de que o Brasil merece ser justamente remunerado pelos serviços ambientais que seus cidadãos tem prestado ao planeta", complementou o presidente brasileiro ao colega norte-americano – a quem já ameaçou usar "pólvora" caso o governo daquele país tentasse interferir nos rumos da sua política ambiental.
Veja a íntegra da carta:
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)