31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

Após rebater Pazuello e afirmar que sistema de saúde do país já colapsou, Wellington Dias comemora acordo entre Ministério da Saúde e Consórcio do Nordeste para garantir de imediato 39 milhões de doses da Sputinik

A primeira declaração do governador piauiense aconteceu durante audiência da comissão do Senado que acompanha as ações adotadas para o combate ao covid; a segunda declaração aconteceu durante uma reunião entre os gestores nordestinos

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Sputinik pode virar realidade

( Publicada originalmente às 20h 00 do dia 11/03/2021) 

(Brasília-DF, 12/03/2021) O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), comemorou nesta quinta-feira, 11, a viabilização de um acordo entre o Ministério da Saúde e o Consórcio do Nordeste que garantirá ao país, de imediato, a aquisição de 39 milhões de doses da vacina russa Sputinik V.

A comemoração do petista piauiense aconteceu após ele ter rebatido o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que afirmou na noite desta última quarta-feira, 10, que o sistema hospitalar brasileiro não correria o risco de colapsar. Em audiência no final da manhã desta quinta na comissão do Senado que acompanha as ações adotadas no país para o combate ao novo coronavírus (covid-19), o governador do Piauí, responsável pela temática das vacinas do fórum nacional dos governadores, afirmou que o sistema de saúde do país já colapsou.

Essa primeira declaração de Wellington Dias aconteceu durante a audiência no Senado em que junto aos governadores do Amazonas, Wilson Lima (PSC); da Bahia, Rui Costa (PT); do Ceará, Camilo Santana (PT); e de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL); comentaram a importância do país, de maneira centralizada, decretar um efetivo decreto de restrição na circulação de pessoas para evitar que o acumulo diário de mortes no país por conta do covid alcance o expressivo número de três mil óbitos diariamente.

"Neste instante, nós já estamos dentro de um colapso nacional na rede hospitalar. Nós não vamos para ele [colapso], nós já estamos. Tem neste instante uma fila gigante, estou falando aí de milhares, de algo entre 30, 40 mil pessoas em todas as filas hospitalares por vaga de UTI e em alguns lugares também de leitos clínicos. Ou seja, gente morrendo sem respirador", comentou Wellington Dias.

"Dada a situação grave de todo o país, os insumos começam a ficar escassos e como a compra tem sido tem sido descentralizada pelos estados, isso leva a uma elevação dos preços. Então os preços estão subindo a estratosfera e os insumos rareando. Então a maioria dos países do mundo fez opção para conter esse crescimento de fazer a aquisição centralizada e com isso inverter o jogo. Ou seja, o laboratório vai ter o ganho, mas não esse ganho especulativo com a vida humana como está acontecendo no momento", complementou o governador baiano, Rui Costa.

"Aqui no Sul praticamente 70% do que já circula em Santa Catarina e Rio Grande do Sul são novas variantes do coronavírus. Temos uma pressão de universidades, de alguns atores de universidades, do Ministério Público e do Tribunal de Contas para o fechamento total. O que a gente percebe é que este fechamento total, ele acaba penalizando as atividades que são regradas, aquelas que de fato não impactam a transmissão do vírus, quanto as aglomerações clandestinas. Estamos colocando esforços na fiscalização", completou o governador catarinense.

Governadores debateram com senadores nesta quinta-feira 

Sputinik

Já acompanhando a reunião a reunião entre os gestores nordestinos com Pazuello, Wellington Dias explicou como se deu as tratativas para que o país, através do Plano Nacional de Imunização (PNI), receba as doses reservadas pelo Consórcio do Nordeste a 9,95 dólares a unidade, que totalizam R$ 55,12 na cotação da moeda estadunidense desta quinta.

"Estou aqui participando com o ministro Pazuello e demais governadores do Nordeste de um acordo importante. O Consórcio do Nordeste, liderado pelo estado da Bahia, governador Rui Costa fez uma opção de compra, através de um memorando, com o fundo soberano russo e por esse acordo ficou reservado 50 milhões de doses [da Sputinik V] e, agora, com essa decisão em lei [de estados e municípios poderem comprar vacinas], da aprovação próxima da [Sputinik pela] Anvisa, com essa regulamentação, nós estávamos prontos para celebrar o contrato", contou.

"Para preservar e garantir que toda vacina seja do Plano Nacional de Imunização, acertamos aqui com o ministro Pazuello e sua equipe e foi firmado o entendimento e o Ministério [da Saúde] vai comprar as vacinas e com base nestas compras, [e assim] nós vamos garantir as condições de vacinas para todos os brasileiros. Serão 39 milhões de doses já neste contrato e será agendado para amanhã [sexta-feira, 12] as condições da contratação das vacinas da Sputinik", explicou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)