31 de julho de 2025
Brasil e Poder

PEC EMERGENCIAL: Deputados retiram dispositivos da PEC emergencial que encerrariam fundos públicos e que impediriam progressão e promoção a servidores em momentos de crises

Entretanto, como mudanças foram apenas “supressivas”, texto que promove um amplo congelamento de investimentos públicos em troca da prorrogação do auxílio emergencial, manteve os “gatilhos” que impedem governos aumentarem despesas

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( Publicada originalmente às 18h17 do dia 10/03/2021) 

(Brasília-DF, 11/03/2021) Apesar de conseguirem o apoio de 302 deputados, onde faltaram o apoio de seis parlamentares, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viu a Câmara retirar da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 186/19, apelidada de “emergencial”, dispositivos aprovados pelo Senado Federal que encerrariam diversos fundos públicos e que impediriam a progressão e a promoção destinada a servidores públicos em momentos de crises e de calamidade pública.

Entretanto, como mudanças foram feitas apenas de maneira em que os parlamentares “supremiram” partes do texto que tem como objetivo promover um amplo ajuste fiscal e congelar investimentos públicos em troca da prorrogação do auxílio emergencial destinado aos trabalhadores autônomos e informais como forma de auxiliá-los a enfrentar a paralisia econômica causada pelo novo coronavírus (covid-19), os deputados mantiveram os “gatilhos” estabelecidos na proposta que impedirão todos e quaisquer governos em aumentarem as suas despesas em momentos de crises, de calamidades, e se suas dívidas correntes líquidas alcançarem mais de 95% das receitas previstas.

O resultado foi visto pelo relator da matéria, deputado Daniel Freitas (PSL-SC), como algo normal das “articulações de última hora” que “garantiram as promoções e as progressões” aos servidores públicos mesmo em momentos de crises. A demanda era uma exigência, sobretudo, dos funcionários de Segurança Pública que ameaçaram entrar em greve, caso o dispositivo contido na PEC não fosse retirado. Presente nas votações da PEC em tempo recorde, que suprimiram os debates em torno da proposição numa comissão especial, o ministro responsável pela articulação política do governo Bolsonaro, secretário de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, afirmou que as modificações fazem parte do processo democrático e o respeito a decisão adotada pela maioria. Ramos destacou, ainda, que a modificação no texto da PEC não foi uma derrota para o governo. “Em nenhum momento [houve derrota]. Não existe isso”, frisou.

“Político vive de voto e quem representa categoria, sabe o quanto isso é importante. Por isso, através dessa pressão as articulações de última hora garantiram as promoções e as progressões e garantiram também que nós não desidratássemos a PEC de maneira substancial, garantindo o equilíbrio fiscal e que nós consigamos aí controlar as contas públicas, que é o que vai mostrar que esse país ainda tem jeito e que esse país vale a pena e que a gente vai dar certo. Essa foi a primeira surpresa do plenário, foi quando acendeu a luz amarela e nós entendemos que haviam articulações que estavam sendo feitas e que não estavam no nosso radar e a questão dos fundos passou e, agora, o nosso trabalho é deixar que nada mais desidrate a PEC para que a gente possa entregar o melhor resultado para o Brasil”, comentou o parlamentar do PSL catarinense.

“Nada volta para o Senado. Todos os destaques são supressivos e o que a gente pretende daqui para frente é suprimir apenas aquilo que foi acordado em plenário. O plenário da Câmara é soberano. Se é vontade da maioria tecer de uma maneira diferente, que nós estamos entendendo, isso pode acontecer e eu como relator estou constantemente dentro do plenário, conversando com todos, entendendo o andamento das articulações para que a gente garante que nada mais saia do controle. Nós temos o líder do governo atento, nós temos o líder do PSL que está atento junto conosco. Então vamos fazer o mais rápido possível que é entregar o auxílio emergencial com o ajuste fiscal”, complementou o relator da proposta.

O General Luiz Ramos, ministro da Secretária de Governo da Presidência da República esteve na Câmara dos Deputados e acabou falando aos jornalistas no Salão Verde.  Ele não isso como uma derrota do Governo mas como algo do processo democrático.

“Então na hora de uma PEC tão importante é normal e é previsto haver diferença. A minha obrigação como ministro num momento como esse é vir aqui pessoalmente para, não é para mudar voto, é para conversar com aqueles que queiram. A PEC, o mais importante são os gatilhos do relator e passou. Isso ia desconfigurar completamente a PEC. Aqui está o relator melhor do que eu. Nós passamos com 309 votos. Se esse destaque passasse, tinham acabado os gatilhos. A democracia, ela impõe o debate e o voto. Se o voto de quem queria manter os fundos, ganhou, cabe ao governo, e a quem está disputando respeitar o resultado. Novamente a democracia, ela impõe naturalmente divergências de opiniões. Isso daí é previsto. Eu sempre digo sem querer ofender ninguém, na Coreia do Norte deve ser mais fácil! Não deve ter essa pluralidade”, disse o General Ramos.

 (por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)