31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Após Rodrigo Maia elogiar discurso de Lula, ex-presidente afirma que está pronto para conversar com todos sobre "sobre democracia, vacina já, auxílio emergencial e emprego"

Ex-presidente da República falou ainda que está pronto para conversar desde com "plantador de soja" até a "criador de galinha"; "E se quiser dar um passo a mais de como tirar o Bolsonaro, eu ficarei mais feliz ainda"

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( Publicada originalmente às 15h37 do dia 10/03/2021) 

(Brasília-DF, 11/03/2021) Após o ex-presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), elogiar o discurso feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira, 10, após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir anular seus processos julgados pela operação Lava Jato, o petista afirmou que está pronto para conversar com todos para tratar "sobre democracia, vacina já, auxílio emergencial e [criação de] emprego" no país.

Lula falou ainda que está pronto para conversar desde "plantador de soja" a "criador de galinha". "Se quiser dar um passo a mais [na conversa] de como tirar o Bolsonaro, eu ficarei mais feliz ainda", completou o ex-presidente da República após ser questionado durante uma coletiva de imprensa realizada após se pronunciar sobre o julgamento, que está empatado, na segunda turma do STF, e que trata da suspeição, ou não, do ex-juiz Sérgio Moro na análise dos seus casos.

"Eu seria o maior anti-democrático do mundo se eu fosse ficar chateado com uma posição do Rodrigo Maia com relação a mim. Mas veja, as pessoas criticam, as algumas pessoas acham ruim. As pessoas elogiam, outras pessoas acham ruim. Sabe? As pessoas falam o que quiserem, o que quiserem, com quem quiserem. O Rodrigo Maia foi o presidente da Câmara. Eu acho que ele deveria ter colocado o impeachment de Bolsonaro em votação e nem por isso eu faço crítica a ele. Eu acho e já conheci o Rodrigo Maia fazendo duras críticas a mim, vocês não tem noção, quando eu era presidente. Então eu não acho ruim quando ele fazia as críticas e agora que ele fala bem de mim agora, obviamente que eu fico lisonjeado, mas eu não posso ficar julgando o que as pessoas falam pelo twitter. Sinceramente!", iniciou

"Eu não sei se eu peguei um ranço por que o Bolsonaro conseguiu domesticar a imprensa brasileira ao divulgar os tuítes dele. Eu não acreditava que aquilo fosse possível, um homem se recusar a dar entrevista e pelo twitter mover o noticiário de manhã, de tarde, ou de noite! Mesmo a esquerda quando tem que criticar, e quer fazer críticas ao Bolsonaro, a gente fica dando importância para as bobagens que ele fala. Se o Rodrigo Maia, que é ex-presidente da Câmara, resolveu reconhecer algum mérito no que eu fiz neste país, obviamente eu fico agradecido. E se for necessário conversar com o Rodrigo Maia, eu converso com o Rodrigo Maia. Eu já conversei com tanta gente, eu fui até amigo do César Maia na Constituinte. Então eu acho que as coisas tem que aprender o seguinte: eu sou um homem que conversa com todo mundo. Eu não tenho viés ideológico, ou preconceito. Eu não converso com não sei quem. Você está lembrada que no meu governo, eu [falou longe do microfone]. Eu passei 30 anos criticando o Delfim Netto, 30 anos da minha vida, um belo dia eu sou eleito presidente e fui participar de um ato e pedi desculpas ao Delfim Netto por que ele passou a ser uma das pessoas que melhor apoiava o meu governo", continuou.

Diferenças

A declaração de Maia feitas nas redes sociais aponta as diferenças, segundo o ex-presidente da Câmara, entre o atual presidente brasileiro e ex-presidente, do qual foi ferrenho opositor há duas décadas.

"Você não precisa gostar do Lula para entender a diferença dele para o Bolsonaro. Um tem visão de país; o outro só enxerga o próprio umbigo. Um defende a vacina, a ciência e o SUS; o outro defende a cloroquina e um tal de spray israelense. Um defende uma política externa independente; outro defende a subserviência. Um defende política ambiental; outro a política da destruição. Um respeita e defende a democracia; o outro não sabe o que isso significa. Um fundou um partido e disputou 4 eleições; o outro é um acidente da história. Tenho grandes diferenças com o Lula, principalmente na economia, mas não precisa ser petista fanático para reconhecer a diferença entre o ex-presidente e o atual", escreveu o parlamentar fluminense do DEM que está em negociação para se filiar ao PDT, partido do seu pai até 1.991.

Sem almoços

Na complementação da resposta sobre os elogios feitos por Maia a ele, Lula ressaltou que só não aceitará mais conversas em almoços com diretores de meios de comunicação, que, segundo ele, só querem tratar de assuntos privados ao invés de abordarem questões relativas a interesses públicos.

"Se o Rodrigo Maia, sabe o papel que teve na Câmara, não fez o que acho que deveria ter feito e, agora, o Rodrigo Maia resolveu construir uma nova relação política, arrumar novos parceiros e quiser conversar, ele não tenha dúvidas, que eu estou aberto a conversar com qualquer pessoa que queira conversar sobre democracia, sobre vacina já, auxílio emergencial e sobre emprego neste país. E se quiser dar um passo a mais de como tirar o Bolsonaro, eu ficarei mais feliz ainda. Agora que eu estou numa situação de normalidade. O Stkinha logicamente falaria: o Lula, como você vai ter o seu novo normal? Então, eu vou viver o meu novo normal agora fazendo o que eu sei fazer. Eu vou conversar com os políticos deste país e com quem quiser conversar", complementou.

"Vou conversar com dirigentes sindicais, vou conversar com empresários, eu não quero saber se é engenheiro, se é plantador de soja, criador de galinha. Eu vou conversar com quem quiser conversar. Ou seja, se um cara quiser conversar sobre este país, pode ficar certo que ele encontrará em mim um interlocutor. Sabe? A única coisa que eu não faço e não farei é atender pedido para almoçar com diretor de jornal, de revista e de televisão. Se quiser almoçar comigo no bar, eu faço. Mas eu já cansei destes almoços que nunca resultaram em nenhum benefício. Por que muitas vezes eles não se comportam como dono de um meio de comunicação de interesse público. Eles tratam muitas vezes de assuntos privados. Então, com relação ao restante do Brasil, pode ficar certo que se quiserem conversar comigo sobre democracia, sabe? Eu duvido que um presidente da República recebeu tanta gente da imprensa para conversar como eu recebi quando presidente da República. Então é o seguinte: eu estou aqui para fazer o que eu sei fazer: para conversar, para discutir o Brasil e tentar ajudar os problemas que o Brasil tem e que são muitos", finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)