31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Arthur Lira, em conversa com embaixador chinês, pede que governo daquele país libere o quanto antes insumos necessários para fabricação de vacinas

Presidente da Câmara destacou que o governo brasileiro não é apenas exercido por autoridades do Poder Executivo; Lira pediu ainda que governo chinês releve posturas individuais adotadas pelo chanceler Ernesto Araújo

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( Publicada originalmente às 11h 00 do dia 09/03/2021) 

(Brasília-DF, 10/03/2021) Em conversa virtual na manhã desta terça-feira, 9, com o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, o presidente da Câmara dos Deputados do país, deputado Arthur Lira (PP-AL), pediu que o governo daquele país libere o quanto antes os insumos necessários para a fabricação de vacinas contra o novo coronavírus (covid-19) por fundações e instituições brasileiras.

Essa é a primeira vez que Lira, como dirigente de uma das Casas do Poder Legislativo, tem um encontro institucional com o embaixador da China no Brasil. No final de 2.020, o ex-presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), também se reunira com Wanming para tratar do mesmo assunto: os insumos farmacêuticos necessários para que tanto a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), quanto o Instituto Butantan, possam produzir as vacinas elaboradas em conjunto com os laboratórios Astrazeneca e Sinovac.

Na conversa, o atual presidente da Câmara destacou que o governo brasileiro não é apenas exercido por autoridades do Poder Executivo federal. Na oportunidade, reforçou ainda um novo pedido para que o governo chinês releve as posturas individuais adotadas pelo ministro das Relações Internacionais, Ernesto Araújo, assim como do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), em que ambos atacam o governo chinês e afirmam que o covid seria um vírus fabricado por aquele país para atacar os países ocidentais.

Após a conversa com o embaixador, ocorrida por vídeo-conferência, a assessoria da presidência da Câmara divulgou uma carta em que Lira teria remetido a embaixada da China, onde reforça a parceria comercial entre os dois países e a importância de uma ajuda do governo chinês ao governo brasileiro para atuar conjuntamente no controle da pandemia de covid, que já matou até esta segunda-feira, 08, mais de 266 mil cidadãos no país.

“O governo brasileiro não é apenas o Executivo, mas também o Legislativo e o Judiciário. Portanto, também em nome do governo brasileiro, como presidente da Câmara, gostaria de reafirmar os compromissos permanentes com o governo da República Popular da China, em favor dos interesses dos nossos povos. Quero dizer que os interesses permanentes dessas duas grandes nações nunca foram nem poderão ser afetados pelas circunstâncias, pelas ideologias, pelos individualismos. Mas apenas e tão somente pelo interesse nacional e pelo bem-estar dos nossos povos”, iniciou Lira na missiva aberta entregue a Yang Wanming.

“A China é nosso maior parceiro comercial e o Brasil respeita a China, que merece o nosso reconhecimento assim como eu tenho certeza que a China respeita o nosso Brasil. Neste contexto, embaixador, que eu me dirijo ao governo chinês neste momento de grande angústia para nós brasileiros, para que nossos parceiros chineses tenham um olhar amigo, humano, solidário e nos ajudem a superar a pandemia, oferecendo os insumos, as vacinas, todo o apoio que este grande parceiro da China precisa neste grave momento. Nós sempre estivemos juntos. E sempre estaremos. E esta solidariedade só irá reforçar os laços dos nossos povos, dos nossos interesses e das nossas nações mais do que nunca em nossas histórias”, continuou.

“Faço esse apelo para que salvemos vidas de brasileiros, brasileiros que alimentam e salvam vidas de chineses com nossa produção agrícola. É com compreensão, diálogo e respeito, solidariedade mútua, que iremos reforçar cada vez mais nossos laços. Se nós não vacinarmos em massa a população brasileira, não sairemos dessa situação grave da pandemia. É importante que tenhamos acesso a todas as vacinas produzidas no mundo. Em nome da Câmara, eu reafirmo este apelo, e que nós encontremos bilateralmente uma solução mais rápida para dar essa resposta ao Povo brasileiro”, finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)